Sexta-feira, 26 de Julho de 2013
por Joana Nave

Não seremos todos nós um pouco assim: homens simples com gostos complexos?


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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
por Joana Nave

Os monstros que invadem os nossos pensamentos são sempre fruto da nossa imaginação, que os alimenta e lhes dá vida. Se deixarmos de pensar neles, eles desaparecem.


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Sexta-feira, 22 de Março de 2013
por Joana Nave

O que fazemos aos outros recebemos de volta, por vezes com maior intensidade. Como diz o ditado, devemos fazer aos outros o que queremos que nos façam a nós.


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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
por Joana Nave

Quando não queremos fazer alguma coisa arranjamos sempre uma justificação que desculpa a nossa falta de predisposição.


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Quinta-feira, 7 de Março de 2013
por Joana Nave

Em homenagem a todos os teimosos que eu conheço.


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Segunda-feira, 4 de Março de 2013
por Joana Nave

Há uma mania bem portuguesa de desvalorizar o que é nacional. Este enviesamento começa logo quando achamos que somos um país pequenino, que não temos pessoas capazes de almejar lugares de topo, porque erguemos a bandeira da dor e do sofrimento, em vez de nos focarmos nas características únicas que possuímos e que nos colocam a par dos grandes conquistadores do mundo.

Desde miúda que gosto de cantar e a música popular portuguesa foi aquela que sempre me soou melhor ao ouvido, por ser tão simples reproduzir as estrofes cantadas em bom português. Porém, sempre senti uma grande discriminação por parte das pessoas ditas cultas, que menosprezavam a música portuguesa em detrimento da estrangeira, que enalteciam pela sua melodia e letras tão profundas e sentidas. Claro que se alguém traduzisse uma dessas letras iria compreender que nada fazia sentido, mas ainda assim a justificação estava no facto de em português não soar tão bem.

Ao fim de três décadas de existência continuo a defender a língua portuguesa como a mais rica, mais vasta e mais bonita de todas as línguas, a sexta mais falada no mundo. Assim sendo, defendo que se escreva em português e, se da escrita se fizer música, ainda melhor. Na realidade, há músicos portugueses que escrevem letras lindíssimas e que entram facilmente no ouvido pela harmonia da música que lhes dá vida. Não é fácil agradar ao povo e, por isso, quem quer ter retorno monetário pelo seu trabalho tem de agradar às massas e criar músicas que encham as festinhas da aldeia, assim como participar nos programas da manhã e da tarde, que ocupam a vasta população de reformados e das muitas donas de casa que há por esse país fora.  Contudo, eu ainda defendo aqueles músicos que se dedicam a escrever letras elaboradas e consistentes, que agradam a um nicho com pouco potencial de vendas, mas que representa a boa música que é feita no nosso país.

Um exemplo bem recente de coisas interessantes que se fazem na nossa língua é a música “A Chata” dos Ultraleve. Com uma letra extremamente divertida, uma melodia que lhe confere ritmo e cor, pode muito bem funcionar como um ícone da música portuguesa, que não é só fado e bailarico, mas também bandas rock e pop e tudo o que faz furor lá fora, onde não se cultiva a história do desgraçadinho popularucho, tão tipicamente português.


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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013
por Joana Nave

Hoje em dia, os relógios são tão banais que qualquer suporte electrónico tem esta facilidade. É curioso pensar, por exemplo, num telemóvel que com tantas e variadas utilidades pode servir até ao mais ignorante dos seres.


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Domingo, 24 de Fevereiro de 2013
por Joana Nave

Quantas vezes dou por mim a dizer: gosto disto, e disto, e mais isto, mas não gosto daquilo, e do outro, e mais outro. Parece simples definir os gostos de cada um, mas na verdade é uma tarefa muito difícil e da qual poucas vezes tomamos consciência. Há aquelas pessoas que são conhecidas por não gostarem de nada e outras que parece que gostam de tudo. O gosto de cada um varia vezes sem conta ao longo da vida e é bem mais fácil definir o que não se gosta do que o contrário. Os gostos definem a individualidade do ser humano, mas são ilimitados no alvo a que se referem. A importância de definir gostos facilita o relacionamento com os outros, pois pessoas semelhantes tendem a aproximar-se para partilhar o que têm em comum.

Quando penso na definição de gostos vem-me à memória o filme "Runaway Bride", em que Júlia Roberts é uma mulher que tem fobia ao casamento e por isso deixa sistematicamente os noivos no altar. Porém, a particularidade desta personagem está relacionada com o facto de não se conhecer a si mesma e por isso não saber o que quer. Claro que numa comédia romântica não pode faltar um homem interessante que desafia esta mulher a descobrir quem ela é, do que gosta e o que lhe dá prazer. Há uma cena caricata no filme em que ela resolve descobrir como gosta dos ovos, experimentando todas as formas em que podem ser confeccionados. A questão é que há coisas que temos de saber por nós mesmos como queremos e gostamos, pois a indefinição do gosto faz com que nos transformemos sempre na sombra de outra pessoa que não aquela que nós somos. Querer agradar aos outros é um gesto nobre se não nos anularmos a nós mesmos, se não deixarmos de ser quem somos. A identidade de cada indivíduo está assente num conjunto de gostos que o definem como fazendo parte de um determinado grupo. É difícil sermos totalmente diferentes uns dos outros até porque a vida em sociedade é mais fácil e enriquecedora. Se cada um de nós tiver de descobrir tudo sozinho, dificilmente poderá ir muito longe. No entanto, se soubermos o que realmente queremos e, de acordo com isso, nos aproximarmos dos nossos semelhantes, mais depressa atingiremos um bem-estar de equilíbrio e partilha no seio do grupo que nos define.

A vida que levamos é uma correria desenfreada assente em querer e ter. O tempo que dedicamos a conhecer-nos de verdade é limitado e, por isso, somos uma miscelânea de todos aqueles com quem nos cruzamos e que nos afectam de forma mais ou menos intensa. Costumo dizer que sei exactamente o que quero, mas quem me conhece bem diz que apenas sei o que não quero. Fico feliz, porque já é um princípio, agora resta-me abrandar o ritmo e entender realmente o que quero.


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por Joana Nave

Ganhar devia ser apenas a recompensa pelo esforço que se dedica a uma determinada tarefa. O caminho para lá chegar, o empenho, a estratégia e a honestidade são mais que suficientes para definir uma vitória.


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Domingo, 17 de Fevereiro de 2013
por Joana Nave

Quando não se quer ver a verdade de uma determinada coisa ou situação, arranja-se sempre forma de colocar aquilo em que se acredita no espaço da verdade.


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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013
por Joana Nave

É difícil quando temos de adivinhar algo no meio de um intervalo tão vasto de possibilidades. As nossas escolhas e decisões estão muitas vezes associadas a um jogo de possibilidades aleatórias.


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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

Esta vem a propósito da época de exames que acabei de terminar. No meu caso, porém, não é tanto esquecer-me de estudar mas sim esquecer-me do que estudei...


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Domingo, 27 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

Quando éramos miúdos gostávamos de brincar às profissões. Os meninos queriam ser bombeiros, astronautas, mecânicos, jogadores de futebol; as meninas queriam ser cabeleireiras, professoras, secretárias, enfermeiras; entre muitas outras coisas. Estas brincadeiras deliciavam-nos, mas estavam quase sempre desenquadradas da realidade. Os nossos pais educavam-nos para que tirássemos boas notas e prosseguíssemos os estudos. A menos que não houvesse capacidade financeira, quase todos queriam que entrássemos na universidade e tirássemos um curso superior que nos permitisse autonomia e sustentabilidade futura. Muitos pais condicionaram as escolhas dos filhos, antevendo dificuldades de integração no mercado de trabalho, outros, porém, alimentaram os seus sonhos na tentativa de permitirem que os filhos pudessem alcançar a liberdade de escolha que lhes havia sido negada quando tinham a mesma idade.

Todos temos histórias distintas, o contexto sócio cultural, a educação e as escolhas, que se misturam com as nossas aptidões e o nosso carácter, conduziram-nos por diferentes caminhos. Hoje em dia, muitos de nós estão frustrados e queriam voltar atrás, mas tal não é possível, o caminho é sempre em frente, ou então estagnamos e morremos na teia das nossas amarguras e desilusões. Escolher uma profissão é um risco que nos pode trazer maior ou menor retorno consoante as possibilidades que nos surjam. No entanto, o principal é sermos versáteis, flexíveis e adaptarmo-nos constantemente à mudança. Mais do que as competências técnicas, aquilo que se valoriza é o carácter do ser humano e a sua capacidade de inter-relacionamento. A técnica é algo que se aprende e que, independentemente de haver alguma aptidão prévia, se desenvolve com maior ou menor esforço, mas as qualidades humanas são inatas e condicionam tudo o que fazemos no nosso dia a dia. Seremos sempre melhores profissionais, se tivermos qualidades humanas que atestem os nossos princípios e valores.

As profissões e o mercado de trabalho estiveram sempre desajustados das reais necessidades, o que tem provocado elevadas taxas de desemprego ao longo dos anos. Saber o que se gosta é importante, mas vale muito pouco se não houver oportunidade de exercer essa atividade no mercado de trabalho. Não chega fazer o que se gosta ou ter uma boa remuneração, é fundamental avaliar o que se precisa e trabalhar para colmatar essas necessidades. A verdade é que nada de grande se consegue sem esforço, ninguém tem o que quer sem lutar para o conseguir e, nessa luta, há muitos passos: uns para trás, outros para o lado, uns em falso, outros arrastados; mas a certeza que o caminho é sempre em frente.


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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

Por esta ordem de ideias uma pessoa com 70 anos teria cerca de doze páginas para escrever com a sua autobiografia. A verdade é que uma vida se mede em fases e não em anos: a infância, a juventude e a idade adulta, e dentro desta o início, o auge e a decadência. Há ainda períodos da nossa vida que estão repletos de acontecimentos que vale a pena recordar, outros que não sendo bons definem quem somos, mas há aqueles em que nada acontece, esses sim, vazios, inertes, amorfos, em que seis anos se resumem numa página!


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Domingo, 20 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

Pertencer a um determinado país enche-nos de orgulho, ter um território, uma língua, uma cultura, coisas que nos identificam e que nos caracterizam como sendo pertença de um lugar, como fazendo parte de um povo.

Um dia perguntei a uma colega da minha turma, que era estrangeira, qual era o país dela. Ela respondeu-me entusiasticamente que era da Ucrânia. A minha ignorância levou-me a tecer inúmeros pensamentos sobre como seria ser da Ucrânia. No seguimento desta conversa dei por mim a perguntar-lhe, com um certo desdém, se ela gostava do seu país, ao que ela me respondeu, estupefacta, “claro que sim, como é que alguém pode não gostar do seu próprio país”. Este diálogo ficou a marinar na minha cabeça. De facto, como é que alguém pode não gostar do seu país. Renegar o país que nos viu nascer e crescer é como renegar a própria família, e essa ideia é repugnante.

Numa altura em que vejo tantas pessoas a deixar Portugal para trás, pergunto-me que país é este que leva o seu povo a fugir, a abdicar das suas origens, da sua história, a atravessar países, continentes e oceanos na tentativa de encontrar um lugar melhor para viver.

Embora goste muito de viajar sei que o meu lar está em Portugal. Gosto de percorrer o mundo, mas voltar sempre para casa, para o conforto da língua, da comida, do clima, dos hábitos e costumes, da história, que é feita de homens e mulheres que partiram, mas que deixaram a saudade e a esperança que um dia iriam regressar.

Gostava de não ver tanta gente a partir, gostava de ver mais investimento neste meu querido país, mas não sei quando irei ler estas palavras e também eu invocar a saudade que deixo para trás...


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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

A guerra dos sexos vai tendo cada vez menos adeptos com a evolução da mentalidade humana mas, ainda assim, homem é homem e mulher é mulher e cada um com as suas manias.


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Domingo, 2 de Dezembro de 2012
por Joana Nave

O destino é algo que podemos conquistar com fé e confiança.


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Domingo, 4 de Novembro de 2012
por Joana Nave

 

É uma verdade inquestionável que nada é tão mau que não possa piorar, fazendo juz ao ditado "não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe".


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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012
por Joana Nave

É inevitável deixar para amanhã o que podia ser feito hoje. O eterno adiar, o "fica para depois", que invariavelmente toca a todos. O típico "hoje já estou cansada, mas amanhã de manhã acordo mais cedo e faço isto num instante". Pior mesmo é ter a sorte de poder entregar uma tarefa depois da data prevista e, ainda assim, deixá-la por fazer até à última. É a preguiça no seu estado de graça.


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Domingo, 21 de Outubro de 2012
por Joana Nave

Tenho andado a reflectir sobre a questão das aparências e os vários papéis que desempenhamos nas nossas vidas. A forma como nos vestimos diz muito sobre nós, se estiver de acordo com um estilo que adoptamos e que nos identifica. Porém, essa hipótese deixa de fazer sentido quando passamos a vestir-nos de acordo com a situação. A ideia da farda nas escolas ou do traje académico tem origem, precisamente, na não distinção dos alunos pela sua classe social, ou seja, desta forma não se descrimina ninguém por vestir ou não vestir roupas de marca e caras. Já em determinadas profissões a escolha da roupa deve ser de acordo com o trabalho desempenhado, ou seja, um operário de uma fábrica ou um enfermeiro não devem vestir da mesma forma que um gestor de um banco. No entanto, a questão da moda também varia com o tempo. Antigamente, na infância, as meninas andavam de vestido e os meninos de calções, usavam-se cortes clássicos e tecidos requintados. Hoje em dia, é usual vestir as crianças à semelhança dos adultos. Eu, que ainda sou doutro tempo e com pais à moda antiga, lembro-me destes pormenores que tornaram a minha infância mais feliz e sinto que algo se perdeu na troca de estilos. Com a adolescência surgem outras manias: os betinhos, os desportivos, os góticos e os alternativos. Cada grupo tem uma forma de vestir própria, assim como acessórios, adereços, o estilo de música, os hobbies e as conversas. Eu tenho ideia que fiz parte do grupo betinha/desportiva, o que quer que isso queira dizer. Gosto de me vestir bem, mas de acordo com a ocasião. Geralmente prefiro roupas largas e confortáveis, poucos adereços e/ou acessórios. Penso que a roupa é o que menos me define, pois tenho interesses e gostos variados, que se orientam para um estilo mais alternativo, que pouco ou nada tem a ver com tecidos ou saltos altos, mas tão-somente com as ideias que me assaltam e que me definem como pessoa. Acho que o estilo que melhor me caracteriza é a versatilidade, um camaleão que se confunde com a paisagem, para que não me destaque pela aparência mas sim pelo conteúdo.


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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012
por Joana Nave

Há que desconfiar dos que parecem certinhos. Uma criança saudável e feliz é aquela que tem comportamentos de criança. Um adulto responsável também já foi criança e é bom que o tenha sido na altura certa...


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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012
por Joana Nave

Não vejo televisão. Se quiser ver um filme em casa, prefiro ver um escolhido por mim. Se quiser ver uma série, prefiro ver dois ou três episódios seguidos na hora que me for mais conveniente. Se quiser ver notícias, tenho várias formas de o fazer, seleccionando apenas as que me interessam. Talvez fique de fora um jogo de futebol ou uma reportagem/documentário mas, ainda assim, no caso do primeiro, prefiro ir ao estádio para sentir a adrenalina em directo e, no segundo, tenho sempre a opção de ver mais tarde noutro suporte digital. Não preciso da televisão, apenas do écran, que é maior e permite-me ver com mais qualidade. O meu problema com a televisão é mesmo a falta de interesse e a ideia de limitar o meu conhecimento ao que um programador televisivo escolheu, quando existem infinitas possibilidades num universo de escolhas.


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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2012
por Joana Nave

Faço parte do grupo de pessoas que tem um péssimo acordar, principalmente, se é um dia de semana e adormeço, o que significa arranjar-me à pressa, tomar o pequeno-almoço a correr e enfrentar uma fila de trânsito gigante para ir trabalhar e chegar atrasada...


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Terça-feira, 2 de Outubro de 2012
por Joana Nave

Um pormenor tem, ou não tem importância? Existirá por certo muita divergência na resposta a esta pergunta. O pormenor é um detalhe, algo que pode ser acessório ou fulcral, dependendo do contexto em que se aplica. Por um lado, associa-se a característica do pormenor a uma pessoa que se perde em detalhes, por outro, a alguém que lhes dá valor. É tudo uma questão de perspectiva.

Estar atento a pormenores pode ser uma real perda de tempo, onde se deixa de ser objectivo para dar destaque ao que é supérfluo. Contudo, há momentos que se traduzem em pequenos pormenores, que fazem toda a diferença e que perpetuam lugares, palavras e gestos. Um pormenor pode não significar nada, pode ser banal, mas também pode ser um marco decisivo numa vida singular.

No indie Lisboa deste ano passou um filme – The Loneliest Planet – em que um pormenor muda radicalmente a vida de um casal, como descrevi num artigo que escrevi sobre o festival e que agora transcrevo: “O The Loneliest Planet de Julia Loktev é um filme surpreendente, que nos remete para as bonitas paisagens das montanhas do Cáucaso, na Geórgia, onde um jovem casal, alguns meses antes do casamento, resolve passar umas férias. A paixão que os envolve é notória desde o primeiro instante, mas há um momento no filme, um momento singular, que muda todo o rumo da história e coloca em causa tudo o que até então unia este casal. Neste enredo, a importância de certos gestos, aliada aos impulsos inerentes a qualquer ser humano, revela a complexidade e fragilidade das relações humanas e deixa-nos a pensar...”

Eu gosto de pormenores, tanto dos acessórios como dos fulcrais. Gosto de esmiuçar o sentido das coisas, de lhes captar o odor, a essência, de as sentir. Por vezes, perco-me no meio de tanto detalhe, torno-me subjectiva, redundante, mas é nos pormenores que encontro a beleza que liga tudo o que existe no universo, porque valorizo cada partícula como fazendo parte de um todo em que estamos inseridos.


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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012
por Joana Nave

É mais ou menos o que se passa com a situação financeira do país. Por muito que se queira juntar dinheiro para o bem nacional, há sempre quem não abdique do que julga ser seu, neste caso os que nunca contribuem...


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Domingo, 23 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Gosto dos primeiros dias de Outono. As primeira chuvas que limpam o ar saturado da época estival. O odor a terra molhada e as folhas que começam a cair e se amontoam pelos passeios.

Nos últimos anos as estações do ano foram-se dissolvendo umas nas outras acabando por se resumir a Verão e Inverno. No entanto, sente-se a falta das estações intermédias Outono e Primavera. O ser humano, tal como a natureza, precisa de um período de transição para arrumar o que ficou para trás e preparar a chegada do que vem a seguir. De certa forma, todas as coisas da nossa vida devem obedecer a esta regra para mais facilmente obtermos equilíbrio entre os vários acontecimentos com que nos deparamos.

Claro que gosto do calor mas já não tenho vontade de ir à praia, apetece-me mudar de lugares, de programas, de cores e texturas. Tenho até vontade de caminhar à chuva e de me fundir com a natureza. Preciso inclusive de mudar de sabores, trocar as saladas pelos pratos mais condimentados, os sumos de fruta pelos chás fumegantes e o chocolate quente, onde invariavelmente aqueço as mãos frias.

O Outono é uma época maravilhosa que sempre me soube a regresso às aulas e o início de um novo período de aprendizagem. Em cada Outono sempre aprendi mais, conheci novas pessoas e aprofundei o meu desenvolvimento pessoal.

Estamos sempre a recomeçar mas é no Outono que o podemos fazer de forma mais concreta, mais até do que no início do ano. Após o período de férias há que reajustar os nossos objectivos de curto, médio e longo prazo. Eu sempre norteei os meus passos pelo ano lectivo, porque faz mais sentido para mim.

Com o Outono surge o cheiro a castanhas assadas pelas ruas, fazem-se planos para o novo ano e ajustam-se os últimos meses deste, para fazer aquelas coisas que não queremos adiar mais. Eu, por exemplo, costumo viajar para não perder a oportunidade de conhecer novos lugares ainda este ano.

Claro que todas as épocas têm vantagens e desvantagens mas, tal como na vida, devemos procurar apreciar o lado bom de tudo o que nos rodeia. A amargura dos dias só nos traz mais dor. Porque não iniciar este dia sendo gratos pela manhã cinzenta que nos permite um programa indoor mais tranquilo? É tudo uma questão de perspectiva e lutarmos contra o que é não nos vai permitir ver a beleza do que temos presente e que, tal como na natureza, faz parte do nosso equilíbrio.


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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012
por Joana Nave

As oportunidades surgem sempre de forma inesperada, os mais ousados agarram-nas entusiasticamente, os outros ficam a medir as consequências e deixam-nas passar...


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Sábado, 15 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Estou nos preparativos finais para ir para um casamento e, como tal, lembrei-me de divagar um pouco sobre este tema. O casamento significa união entre duas pessoas e pressupõe uma relação de intimidade. Para a sociedade civil o casamento é visto como um simples contrato, para a Igreja uma união sagrada com o objectivo da procriação. Para mim o casamento é de facto uma união entre duas pessoas, que assumem um compromisso de se amarem e respeitarem incondicionalmente. Sou uma romântica? Talvez. Mas o que importa é o que faz sentido para cada um de nós.

Antigamente os casamentos eram combinados entre os pais, discutiam-se os dotes, as meninas tinham de casar muito jovens, por vezes com homens muito mais velhos, e a virgindade era uma condição obrigatória. Nalguns países subdesenvolvidos e com tradições muito fortes ainda subsistem estas práticas. O casamento fazia com que tanto homens como mulheres se entregassem a um contrato vitalício onde não existia amor. Quantos corações foram despedaçados por não poderem estar com a sua amada ou o seu amado.

Hoje em dia, na maioria dos países desenvolvidos, as pessoas são livres de casar, não casar e até de casar com pessoas do mesmo sexo. A liberalização dos divórcios conduziu à propagação dos mesmos, assente na premissa da sua fácil dissolução.

O que está aqui em causa é a motivação que cada um de nós tem para contrair matrimónio à luz da sociedade em que vivemos. Não sou casada e estou naquela idade em que as pessoas começam a olhar para mim com desconfiança, pensando se não serei uma dessas mulheres egoístas, focadas na carreira, que não querem ter um marido ou filhos atrelados. A verdade é que os tempos mudaram e aos meus pais nunca passaria pela cabeça arranjarem-me um noivo. Eu muito menos estaria disposta a uma relação de submissão e entrega sem amor.

A maioria dos jovens inicia a sua vida sexual muito cedo acabando por banalizá-la, são raras as pessoas que ainda sonham em perder a virgindade com o casamento. E afinal, que mal há nisso? Ninguém disse que há fórmulas perfeitas, que ter apenas um namorado ou namorada na faculdade e depois casar e ter filhos é o expoente máximo da felicidade. Quantas pessoas sentem ao fim de alguns anos que deviam ter aproveitado mais a juventude, para que o casamento surgisse naturalmente numa fase em que estavam mais tranquilas.

Eu norteio a minha vida por objectivos e sinto que o caminho que fiz até agora foi não só o que escolhi mas também o mais certo para mim. Aproveitei a juventude, terminei a minha licenciatura, comecei a trabalhar e tenho procurado encontrar realização nas coisas que fazem sentido para mim, na minha família, nos meus amigos e nos meus vários interesses. Sou quem sou por tudo o que vivi e orgulho-me de todos os dias, mesmo daqueles em que não gostei assim tanto de mim mesma. Então e o amor? O amor há-de surgir quando tiver de ser. Eu dou amor a todas as pessoas que se cruzam no meu caminho, um amor desinteressado e espiritual. Sei que as relações são complicadas, as pessoas nem sempre estão no mesmo nível de entendimento e nem sempre querem as mesmas coisas, por isso é importante não desistir, ir tentando encontrar o sapatinho que encaixa no nosso pé. Não tem mal nenhum namorar, viver junto ou ter intimidade, porque são essas coisas que revelam se a relação resulta ou não.

Eu, apesar de tudo, acredito no casamento, acredito que todos temos qualidades e defeitos, que uma relação a dois e depois com filhos é complexa mas ao mesmo tempo um enorme desafio, e se eu gosto de desafios. Por isso, um dia vou querer um anel de noivado, um casamento e uma lua-de-mel. E vou querer que o meu amor floresça e dê frutos mas, se assim não tiver de ser, aceitarei o meu destino, porque tudo está bem quando vivemos com amor.


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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Hoje em dia, mais do que nunca, banaliza-se a palavra amizade. As redes sociais são o principal responsável por este fenómeno, pois embora permitam o reencontro de pessoas que não se vêem há anos, não distinguem os amigos dos conhecidos. Ser amigo é partilhar, aceitar, compreender, apoiar, desafiar e estar presente, entre muitas outras coisas. Eu costumo dizer que amigo é aquele que sabe tudo sobre mim e, ainda assim, gosta de mim...


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Sábado, 8 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Ter um psicólogo está na moda. A grande enfermidade do século XXI é a chamada consciência ou inconsciência que nos andam a tramar a vida. Há uns anos atrás as pessoas sofriam de dores reumáticas, insuficiência cardíaca, problemas respiratórios, para citar apenas alguns exemplos. As receitas consistiam em comprimidos milagrosos, pomadas e umas férias numas termas. Hoje em dia tudo reside num factor psicológico que está associado a traumas ganhos na infância e que condicionam toda a nossa vida enquanto não forem libertados. A ideia não é acusar os pais de terem educado mal os filhos, mas de terem tido comportamentos que lhes transmitiram medo ou insegurança. A lista é grande e variada: pais que casaram cedo, pais que casaram tarde, pais que não casaram, pais que se divorciaram, pais que discutiam, pais que não demonstravam afecto, e por aí fora.

Os traumas são uma excelente desculpa para evitar encarar a realidade ou assumir um compromisso, porque todas as pessoas têm uma enorme compaixão por quem está preso aos fantasmas do passado. Sinceramente, não entendo como podemos ser mais seguros ou capazes estando dependentes de uma terceira pessoa que orienta os nossos passos. Interesso-me por psicologia na medida em que entendo a mente humana como uma teia complexa de estímulos racionais e irracionais, que podem ser programados. O papel do psicólogo é ajudar-nos a equilibrar estes estímulos para que os usemos de forma a melhorar o nosso bem-estar.

Antigamente os amigos assumiam o papel de psicólogos uns dos outros, mas a sociedade evoluiu permitindo-nos ser mais independentes e, consequentemente, mais egoístas. Ninguém tem paciência para ouvir o desabafo de um amigo quando a sua própria cabeça está numa turbulência contínua. Na minha opinião, quando queremos encontrar respostas para as nossas dúvidas internas o melhor mesmo é distanciarmo-nos e colocar o que nos preocupa em perspectiva. O psicólogo não nos vai dar as respostas que temos de encontrar dentro de nós mesmos, mas vai orientar-nos nesse sentido. Como seres humanos todos precisamos de expressar o que sentimos de forma mais ou menos racional, uns fazem-no através da expressão artística, outros através da escrita, outros através da expressão oral. Independentemente da forma que adoptamos, o mais importante é que faça sentido para nós.

Outro dia um amigo meu contava-me que no seu entender as relações não resultam porque as pessoas se envolvem pelo sexo e não fazem programas interessantes a dois. Ele gostou de uma pessoa com quem fez um programa cultural muito interessante e tem como referência que uma relação para resultar tem de passar por um programa assim. Claro que para muitos casais esta fórmula irá funcionar, mas outros hão-de achá-la verdadeiramente aborrecida. Cada pessoa é diferente e única e acho que a fórmula que funciona para todas as relações é sermos nós próprios, sentindo mais e fazendo menos.


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