Sexta-feira, 2 de Agosto de 2013
por Maurício Barra

 


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Terça-feira, 30 de Julho de 2013
por Maurício Barra

O sistema de contra-informação que Sócrates deixou instalado na imprensa portuguesa continua no seu melhor. Transformou o dolo público das swaps aprovados durante o seu consulado em. . . . .culpa de actual Ministra das Finanças, precisamente a responsável pela sua denúncia e negociação determinada da sua solução.

De uma penada, a Ministra arranjou um pacote de três inimigos: o propriamente dito, que quer reescrever a história, os bancos “benevolentes “, que pensaram que  “mamar o Estado” era a coisa mais natural do mundo e a imprensa “amiga” , hoje já tão previsível que se conhece com antecedência o road-map ( órgãos de informação e autores ) da cadência das campanhas de “ deformação “.


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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013
por Maurício Barra

A transferência da energia para o Ambiente entusiasmou Mexia, porque permitirá que continue a mexer na co-geração à moda de Sócrates. Com os Portugueses a pagar, claro. E, para “épater les bourgeois”, eventualmente aparecerá  um descontozito de 3 a 5% na factura para a indústria pesada.

Transformar a conta energética em factor de aumento da competitividade da economia nacional, isso, está de regresso ao Canadá. 


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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
por Maurício Barra

O compromisso a três permitia que o estreito caminho para Portugal não cair no segundo resgate tivesse duas vantagens: por um lado dava a Portugal mais força negocial para impor aos credores razoáveis alterações ao memorando actual devido ao compromisso alargado de cumprir o que ficasse acordado; por outro lado garantia uma estabilidade de médio/ longo prazo para as medidas consensuais que resultassem dessa negociação.

Objectivamente favorecia tanto o actual governo como um eventual futuro governo do PS.

Quando Seguro percebeu que assumir soluções para as actuais condições objectivas da economia portuguesa não seria aceite pelo projecto de poder de Sócrates (que domina o grupo parlamentar), não era compatível com a estratégia de António Costa (que quer o lugar de secretário-geral), teve sempre a oposição de uma parte da câmara dos lordes socialista, e sofreu todos os dias uma campanha de contra-informação brutal (que utilizava o Público e a SIC Notícias como órgãos oficiais), sucumbiu para não perder o partido que, oficiosamente, ainda controla.

Sucumbiu e perdeu eleitorado. Perdeu eleitorado socialista democrático, que está farto dos jogos de poder que os colocam sempre nas mãos da agitação e propagando do PC e do BE.

O PSD/CDS, se não tivessem feito o número infantil das demissões e, entre muros, discretamente efectuado as alterações que entendessem no Governo propondo-as ao Presidente da República, tinham evitado esta catarse nacional. E também tinham evitado um descrédito adicional, na proporção da sua irresponsabilidade.

Agora estão condenados a governar a sério. Sem mais tiros nos pés. Se forem inteligentes, juntam às suas as propostas exequíveis do PS e transformam o que seria um compromisso a três num compromisso a dois. Um novo compromisso a dois com os portugueses, numa nova política que negocie e evite os efeitos negativos do ajustamento na frágil economia portuguesa, sem capital para investir e criar emprego.

Um compromisso que estará permanentemente vigiado.

Vigiado pelo Presidente da República, que os salvou mas os vai manter com rédea curta.

E, sobretudo, vigiado pelos portugueses. Não desculparão, rigorosamente, mais nenhum disparate deste governo.


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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
por Maurício Barra

António Costa, Sócrates e Mário Soares inviabilizam acordo de salvação nacional !


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por Maurício Barra

Doeu muito fazer um acordo de compromisso que garante, seja a quem for que ganhe as eleições, que terá uma plataforma de objectivos de política económica em banda larga que não impedem a expressão própria das opções políticas de cada partido ?

Doeu muito colocarem os interesses do bem comum dos portugueses à frente de obsessões destrutivas ?

Doeu muito optarem por assegurar que Portugal seja um país com os dois pés dentro da Europa e do Euro?

Doeu muito aumentarem a capacidade negociadora de Portugal nas difíceis circunstâncias económicas e financeiras que actualmente vivemos ?

Doeu muito fazerem o que 80% dos portugueses queriam que fizessem ?

 

Claro que não doeu.

A pergunta, que em todo o Portugal de faz, é porque isto não foi feito há mais tempo.

Ter-nos-ia salvo da bancarrota.

 

Mas vou dizer-lhes a quem doeu.

Doeu ao PC e ao BE, que viram em duas semanas quebrar-se o controlo ideológico que sempre pretenderam exercer sobre o PS, através de “benevolentes” companheiros de estrada.

Doeu aqueles que defendem a tese da extrema-esquerda marxista de que “esquerda” é a esquerda que não aceita a democracia representativa, a integração na Europa, a integração no Euro e a participação na NATO.

Doeu a Sócrates e aos seus bobby’s, que, para justificar o seu governo, tem de estar contra tudo o que signifique a solução dos sarilhos em que nos deixou metidos.

Doeu a Mário Soares e Manuel Alegre, que em 2013 querem reviver a irresponsabilidade instável da Iª Republica.

Doeu àqueles comentadores que, na imprensa e televisões, têm como objectivo ser porta-vozes de uma agenda política minoritária, e doeu a uns tantos outros responsáveis editoriais e jornalistas, artistas da manipulação da informação e da pequena política, que viram as suas narrativas ultrapassadas pela realidade.

 

E sei a quem não deve doer.

Não deve doer aos portugueses mais do que tem doído. Com a bancarrota e com o remédio que tivemos de engolir para a resolver.

Se aquele pequeno Portugal rancoroso e mesquinho que mata um vizinho por causa de um rego de água, o mesmo que cercou José António Seguro durante toda esta semana, impedir este acordo que a grande maioria dos portugueses desejam, podemos esperar que a com a dor que vão infligir aos portugueses virá o ódio, um ódio profundo a quem os devia representar mas não os representa.

Se isso acontecer, podemos começar a escrever o epitáfio do regime desta IIIª República.


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Quinta-feira, 18 de Julho de 2013
por Maurício Barra


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Segunda-feira, 15 de Julho de 2013
por Maurício Barra

Esta semana vai ser fértil, tal como a anterior, em doses de fel daqueles que, nos partidos e na imprensa que os apoia e acolhe, estão contra o acordo sugerido pelo Presidente da República, pressionando para que o mesmo não aconteça.

À cabeça o PC e o BE ( o partido melancia que esta semana vai propor uma moção de desconfiança ao governo só tem existência teórica: é mais um dos artifícios hipócritas em que a III republica é pródiga ). De dentro do PS surge quem era previsível: Mário Soares, Sócrates, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues. A Ana Gomes ainda não falou ( ou eu não a ouvi ).

Na imprensa, os do costume: Nicolau Santos, os bloquistas comentadores, os comentadores com dor de cotovelo, a tribo acéfala da má-língua que é uma forma da SICN dar voz à baixa política sem escrúpulos, uns indígenas avulsos que confundem a Venezuela com a democracia, e até o cinismo de Marcelo Rebelo de Sousa, que viu a realidade ultrapassar a sua opinião sobre a mesma.

Entretanto, o país dos eleitores não lhes liga nenhuma. A proposta do Presidente corresponde ao que há muito é o sentimento de bom senso que atravessa transversalmente a sociedade portuguesa. E os partidos democráticos perceberam isso. Vão negociar, vão discutir, vão concordar, vão discordar, vão, enfim, fazer aquilo que é próprio de uma democracia: defender as suas propostas políticas até chegarem a conclusões em nome do bem comum.

Nem têm outro remédio. Os juros dispararam para valores de dois anos atrás, temos dívidas a pagar e compromissos a respeitar, negociar em acordo com as instituições europeias não é a mesma coisa que querer renegociar a dizer que não pagamos, o investimento e a criação de emprego só têm viabilidade se houver credibilidade internacional aceite pelos nossos parceiros económicos.

A não ser assim, quem ganhar as próximas eleições (presumivelmente o PS sem maioria absoluta) vai herdar o caos em vez de uma plataforma que lhe garanta estabilidade governativa, baseada em critérios fundamentais económicos e financeiros que defendam os interesses nacionais e nos permitam continuar a ser um país europeu.


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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
por Maurício Barra

A proposta do Presidente da República é muito clara: uma estratégia e um calendário que garantam a médio prazo um acordo de regime sobre os indicadores fundamentais de política económica ( tal como o fez a Itália e, já há muitos anos, a  Espanha ). Ser europeus, cumprir os nossos compromissos, criar capacidade de negociar melhores condições económicas e financeiras para o nosso ajustamento que permitam o investimento criador de emprego.

As eleições terão lugar quando os interesses nacionais estiverem salvaguardados: 14 mil milhões de euros para saldar a dívida emergente, orçamento de 2014 aprovado e compromisso de salvação nacional assinado. Os tempos exigem paradigmas diferentes : para continuarmos a ser uma democracia europeia estável e credível, os pressupostos de governação tem de ser alterados porque a crise que vivemos é completamente diferente de todas as outras que sofremos anteriormente.

Em suma, os interesses nacionais são superiores aos interesses partidários.

 

Eis uma asserção com a qual concordarão a maioria dos portugueses. O Presidente, através de uma proposta aos partidos, falou directamente para os portugueses. Hoje todos estão e estarão maioritariamente do seu lado.

 

Derrota em toda a linha dos partidos não democráticos, da tropa fandanga que transformou Soares num querido líder e das redacções que influenciam, ao não aceitar eleições antecipadas. À rua o que é da rua, à democracia o que é da democracia.

 

Derrota dos artifícios políticos que o CDS engendrou na semana passada: a solução que “fabricou” não é credível, é mais do mesmo, uma fuga para a frente irrisória que, passado a novidade  do que parece que iria ser, continuaria a ser um estratagema para continuar a boiar numa situação que para ser resolvida necessita de uma ruptura. Com esta proposta o CDS vai comer um sapalhão : Portas queria ser o pêndulo entre o PSD e o PS, este acordo transforma-o num actor menor.  Vai assinar porque tem que assinar, mas o seu destino é ser um actor secundário.

 

O PSD perdeu o pé, resultado da inabilidade política que tem demonstrado. Fez o que tinha de fazer para corrigir a bancarrota que herdou, mas ao contrário: em vez de reformar o Estado primeiro, preferiu ir aos bolsos dos portugueses, como faria o PS se estivesse no Governo. Passados dois anos, quando quer reverter a estratégia, fica à mercê do jogo de sobrevivência do seu parceiro de coligação. Perdeu o Ministro das Finanças que lhe garantia a credibilidade e o apoio dos portugueses. Perde agora a credibilidade que o Presidente não lhe reconhece para “mudar a governação “.Vai ficar a governar de forma instrumental e transitória.

E vai ter de aguentar-se.

Porque o PSD vai assinar o compromisso, ai vai vai. Com estes dirigentes e, depois, com os que os substituirão quando o PSD perder as eleições no próximo ano. Aliás, o programa político do futuro PSD será um programa europeu idêntico ao da aliança CDU/SPD do próximo governo alemão : rigor orçamental com crescimento económico. 

 

O PS não pode dizer que não quer assinar, sob pena de perder eleitorado. Vai querer impor condições ao compromisso ( incluir o PC e o BE é a melhor forma de não haver compromisso nenhum, mas com o tempo será dispensado o artifício ),  mas, ou assina o compromisso, ou as eleições que vier a ganhar em 2014 serão uma vitória de Pirro. Transitória e instrumental. O que o obrigará, finalmente, a enfrentar a parte de si próprio que sonha com amanhãs que cantam : durante o próximo ano os seus parceiros europeus vão demonstrar-lhe que ser esquerda europeia não é ser anti-europeu nas regras que todos, de acordo com as suas circunstâncias, têm de cumprir.

 

PS : A noite foi fértil para analisar a diferença entre a opinião pública e a opinião publicada. O a maior parte dos jornalistas chamados a oficiar e os comentadores que comentam tudo ( com honrosas excepções de José Gomes Ferreira, Joaquim Aguiar e Helena Matos ), como foram apanhados de surpresa e a sua narrativa foi posta em causa, reagiram corporativamente com as mais variadas teses do “ estamos contra”, “ é confuso “, “ foi agravada a crise”, etecetera. Quando a sua narrativa não corresponde à realidade, fica a descoberto o basismo dos seus argumentos, habituados que estão à pequena intriga que resulta da sua visão em pequenos mundos fechados.

Pelo contrário, os representantes dos partidos democráticos foram razoáveis e ponderados: todos de repente perceberam que o tempo que vem aí não é igual ao tempo que já passou.

A racionalidade vai superar a permanente futebolização da discussão política que explora o que é diferente, que não respeita o outro, que fecha os olhos ao que é comum. Quem ganhar as eleições obviamente cumprirá o seu programa eleitoral. Mas o seu programa eleitoral também incluirá o dever de defender o que é comum à viabilidade económica da democracia europeia. 


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Segunda-feira, 8 de Julho de 2013
por Maurício Barra

O PSD e o CDS vão ser Governo apesar deles próprios. Não haverá eleições antecipadas, como, a partir de Julho de 2014, não irão haver eleições postergadas.

 Os partidos, todos, excepto os não democráticos ( que tiveram de passar pela humilhação de um parágrafo da carta de demissão de Portas ter mais poder que éne manifestações para conquistar o poder na rua ), a partir de agora posicionam-se de acordo com os seus estratagemas porque, estratégia política consistente, só o Presidente da República é que a tem.

A  estratégia presidencial tem sido denominada “ acordo pós-troika” . Mas não passa da seguinte assunção : se quisermos ser europeus, a realidade obriga a coexistirmos no espaço económico comum com as regras definidas pelas instituições europeias. Regras que podem ser “mais brandas”, mas, seja com tons de esquerda ou com tons de direita, os ajustamentos orçamentais estão para ficar em nome da estabilidade do espaço europeu, e o investimento e criação de emprego, cada vez mais urgentes para assegurar a competitividade global do todo e das suas partes, estruturar-se-á sobre esse equilíbrio orçamental.

Dos partidos do arco do poder, o PS foge com o rabo à seringa de assumir esse compromisso, na expectativa que o Pai Natal faça o tempo voltar para trás quando forem governo ( por isso é que quando os portugueses vão para a rua, lembram-se de Seguro e voltam para dentro -  a frase não é minha mas está muito bem achada ). Por outro lado, o PSD e o CDS, reconheçamos, não revelaram até agora ter arcaboiço para liderar politicamente esse caminho, porque estavam convencidos que bastava cumprir objectivos técnicos financeiros, e, agora, estão fragilizados e com a sua credibilidade muito reduzida devido às peripécias da semana passada (*).

Todos são filhos do regime da IIIª Republica.

Antes de serem obrigados a mudar, vão utilizar todos os estratagemas para evitar a única estratégia que inexoravelmente tirará, este país cansado, do abismo em que o colocaram. Porque ainda não perceberam, ou fingem não perceber, que os próximos governos, quaisquer que sejam, vão ser instrumentais e transitórios, com ou sem resgates “ brandos”, com ou sem “haircuts” da monstruosa dívida que acumulámos, e que a única estratégia, que agora chamamos de pós-troika, é no fundo a estratégia de continuarmos europeus.

 

(*) infelizmente, e mais uma vez,  nenhum analista político conseguiu perceber que a atitude de Paulo Portas, e, sobretudo, a sua sequência, é uma tentativa deste, e do CDS que dirige, para fugir ao lugar irrelevante que lhe caberá num futuro e previsível governo  PS-PSD.


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Quinta-feira, 4 de Julho de 2013
por Maurício Barra

 

 

A soberba dos proprietários e do Comandante do Titanic encontrou um parceiro à sua dimensão, muitos anos depois, na irresponsabilidade de outro comandante, o do Costa Concordia.

Ambos naufragaram os seus navios. Quando o poderiam ter evitado. Foram ( são ) homens que não estão à altura das suas responsabilidades e, no momento em que não podiam falhar, revelaram as piores características do seu carácter. A soberba infalível de um, o diletantismo irresponsável no outro.

Paulo Portas juntou os dois defeitos num só acto.

Depois da esquerda de Sócrates deixar-nos no primeiro resgate, Paulo Portas não se importa de levar-nos à beira do segundo. O tacticismo dos seus interesses ( que hoje passaram de reais a imaginários, porque nunca mais ninguém aceitará um CDS dirigido por Paulo Portas como parceiro), são, para a personagem, superiores às suas obrigações nacionais. É um homem que põe os seus quereres conjunturais acima dos seus deveres e da sua palavra, um homem que prefere destruir caminhos se sente que a pose que construiu para si próprio não está devidamente ilustrada no momento que passa.

Politicamente será mais uma figura especialista em golpes de rins, com sucessivos cinco minutos de fama no mundo dos espertos, mas autodestrutiva, sem credibilidade, sem grandiosidade e sem lastro histórico, uma figura igual a tantas outras, tão típicas da desastrada Iª Republica, cujos efeitos os nossos avós sofreram na pele.

Do resto a pequena história tratará.

Porque, homens brilhantes sem carácter, que no jogo das aparências escondem a falta de pundonor e a ausência de dignidade, com birras e inconstâncias pintadas de enfant terrible, sempre foram e serão actores menores, reconhecíveis nas personagens que Eça de Queiroz com ironia nos brindou, fogos-fátuos de um Portugal que querem permanentemente transformar num Portugalzinho reduzido à dimensão das suas ambições.

Tal como quer reduzir o seu partido, o que já foi de Adelino Amaro da Costa, a um grupo de indefectíveis que não têm existência para além da sua figura de dandy da política portuguesa.


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Quarta-feira, 3 de Julho de 2013
por Maurício Barra

Depois do abismo em que fomos lançados pelo governo de Sócrates, estava ( e estou ) convencido que as imposições que os credores nos exigiram para cumprimento do ajustamento iriam ajudar a tirar Portugal da espiral recessiva que um Estado sobredimensionado suportado por conceitos ideológicos ultrapassados nos condenou nas últimas décadas.

 

Par tal era preciso uma maioria eleitoral, determinação no cumprimento dos objectivos e grande qualidade de liderança política.

Eram ( são )  tempos excepcionais que necessitam de políticos excepcionais.

Estes dois últimos anos elucidaram-nos que, excepcionais, foram a larga maioria dos portugueses que, independente da sua opinião em democracia, suportaram resilientes os sacrifícios que assumiam para sair desta situação.

Excepcionais, também, têm sido alguns ministros que ultrapassaram a sua própria circunstância.

 

De resto, afinal, homens comuns, demasiado comuns para a excepção dos tempos. A começar numa oposição desonesta perante os seus próprios erros. Agora completada por desistentes de um governo , desistentes  em nome de orgulhos particulares que não passaram de travestis de corredores de fundo que afinal desistem à primeira dor de burro.

É este o problema de hoje em Portugal.

O problema da fraqueza de homens comuns perante situações excepcionais.


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Terça-feira, 2 de Julho de 2013
por Maurício Barra

“São gestores de massas falidas e eu, no fundo, tenho é pena deles “

Com esta sentença sobre o trabalho do actual Governo, o Prof. Daniel Bessa matou dois anos de análises políticas de Pacheco Pereira e António Costa na Quadratura do Círculo.

Atirar sobre tudo o que mexe está ultrapassado e estes agentes de ódios fáceis e revisões da democracia estão fora do que vai acontecer.

A quadratura de pensamento impede-os de verem rodar o círculo das circunstâncias.    

 

E. inesperadamente, neste rodar permanente das circunstâncias, foi também uma frase premonitória que enquadra adequadamente a demissão do ontem, executada ao retardador, de Vítor Gaspar.

Nos locais do costume, já iniciaram o seu curso as análises tremendistas justificativas das mais diversas teorias de conspiração. Passarão todas, tal como nem é preciso chuva para lavar o sangue de acidentes que só os voyeurs vêem e que querem que os outros vejam. Tal coma verdade vai nua na maioria da imprensa invisual de todos os dias, agora de Vítor Gaspar farão o bode expiatório temporário da fuga à realidade económica e financeira que nos oprime e de que nos querem impedir de assumir a responsabilidade.

Pois o senhor, fugir à responsabilidade, foi coisa que nunca fez.

Foi timoneiro forçado num barco a meter água, que convinha trancar, para seguir uma rota de cartas de marear que lhe indicavam que os bons portos da Europa estavam fechados. À espera que o barco adornado, afundasse.

O barco não afundou.

Mas o timoneiro forçado esgotou-se porque não via, ou não queria ver, mais do que as cartas lhe diziam para ver.

Faltava-lhe Mundo.

O mesmo Mundo que não faltou, anos antes, a Ernâni Lopes.


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Sexta-feira, 28 de Junho de 2013
por Maurício Barra

Estes dias são sempre uma espécie de “talvez” para a minoria não democrática que, com o argumento das difíceis condições económicas em que vivemos, o que realmente quer é ver o Governo cair na rua com uma grande manifestação das “massas”, à boa moda marxista da revolução popular.

Não há maneira de aprenderem.

Este país velho de 900 anos, se alguma coisa sabe, é que já viu de tudo e, revoluções a sério, só contra quem nos invadiu ou pôs em causa a nossa sobrevivência enquanto Nação, porque, entre nós, passadas as pauladas, os sopapos e as caneladas, só deu para os mortos não ficarem vivos e os vivos não ficarem mortos.

Quiseram matar o rei e levaram-nos a Salazar, quiseram aproveitar-se do golpe de Estado em 25 de Abril para fazer uma revolução e perderam logo as primeiras eleições. E as segundas, as terceiras, as quartas, enfim, todas até hoje.

Por isso, hoje, uma greve geral em Portugal é sempre a mesma coisa. Uma grevezinha sem gravidade por aí além ( tal como a de há alguns dias dos professores aos exames : 76% dos alunos fizeram os exames na mesma ). Uma grevezinha quase exclusivamente do sector público, sobretudo transportes e serviços ( saúde, educação ), os tais serviços que são o Estado Social,  acolitados pelos guichets de atendimento das Ministério das Finanças. E os deputados do PC e do BE.

Com os transportes privados a trabalhar e as empresas privadas a laborar.

Ou seja, greve à portuguesa é uma greve de mais ou menos metade de 700.000 pessoas, enquanto seguramente 90% das outras 3.700.000 continuam a trabalhar. E é uma greve que tem uma curiosidade. É uma greve em que o país que esteve a trabalhar lê, nas primeiras páginas dos jornais do dia seguinte, que afinal não esteve a trabalhar.

 

Obs : esta greve teve a curiosidade de ver o novo secretário geral da UGT a ultrapassar pela esquerda a CGTP. Primeiro defendendo a ilegalidade dos piquetes de greve terem o direito de impedir de trabalhar quem quer trabalhar, depois a caucionar a agressão e a semi-destruição do carro de um cidadão que se insurgiu publicamente contra os piquetes de greve.


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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013
por Maurício Barra

Com a imprensa que temos, é nos blogs que podemos ser correctamente informados sobre o que possa beneficiar a actividade do actual Governo.

 

Destaques do Boletim Estatístico BdP:

Componentes da balança de pagamentos (saldo):

- Balança Corrente = + € 162 milhões (era negativo de € 22 milhões, no 1º trim);

- Balança de Bens+Serviços = + € 432 milhões;

- Balança Corrente+Capital = + € 868 milhões;

Recuperação do ritmo das exportações de mercadorias, que até Março estavam a crescer apenas 0,5% e que no final de Abril exibem uma taxa de crescimento de 4%, resultante de uma forte expansão (superior a 17%) nesse último mês.

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Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
por Maurício Barra

 

 

Recorro a um artigo de Martim Avillez Figueiredo no Expresso para discorrer sobre o assunto.

(…) Davis Osborne, que promoveu a reforma da administração pública no Governo Clinton, esteve em Lisboa numa conferência em que abordou o sistema de ensino português. Mencionou que o sistema português não premeia a concorrência entre as escolas ( e, por inerência, entre os bons e os maus professores ) nem oferece liberdade de escolha aos pais dos alunos .

Simulou a nosso sistema de educação à restauração: imaginem que teríamos de comer no restaurante mais próximo de casa, e apenas nesse – apesar de todos os outros serem iguais uma vez que as ementas, os cozinheiros e empregados são distribuídos centralmente - , as portas estariam abertas apenas nove meses por ano, a ementa evoluía com a idade do comensal, as refeições eram grátis pagas pelos contribuintes e os salários do  pessoal dependiam dos anos de serviço e não do seu mérito. Finalmente os restaurantes funcionariam mesmo que os consumidores não gostassem deles. E o sistema não existe assim porque é financiado pelo Estado: na Suécia, em que todas as escolas têm financiamento público e integram o sistema público de formação, as escolas, públicas ou privadas, têm liberdade de escolha dos seus projectos educativos e de contratar os professores que melhor de adequem ao que pretendem e o Estado, no final, avalia as escolas baseado nos resultados dos exames finais, acompanhadas de inspecções frequentes para garantir que  as escolas não tenham só bons alunos.(…)

 

Em Portugal os pais não têm liberdade de escolher a escola para os seus filhos no sistema público, os manuais escolares são iguais para todos e escolhidos por uma entidade que considera as crianças pobres selvagens que devem evoluir naturalmente sem que o ensino as impeça de fazer o que lhes apetece, e até recentemente não havia exames nem chumbos em parte dos anos lectivos para todos serem iguais. Iguais aos que não estudavam.

O nosso modelo de educação pública, nos últimos trinta e nove anos, tem sido um modelo de tendência sovietóide que não deve ser muito diferente do que se pratica actualmente em Cuba. Sempre sob pressão e/ou controlo de sindicatos comunistas, que, excedendo largamente o que o seu âmbito de actuação, ou seja, defender profissionalmente os professores, têm intervindo no próprio modelo de formação e nos conteúdos formativos, obstaculizando sistematicamente a liberdade docente e curricular que permitiria escolha dos pais dos alunos baseada no mérito de formação, ferindo gravemente a qualidade do futuro dos alunos que recorrem ao ensino público, precisamente incluindo os mais desprotegidos e com menos recursos económicos.

Isto funcionou até ao momento em que este Governo tomou posse, e, com ele, o melhor e mais esclarecido Ministro de Educação que temos nesta IIIª República. Centrou a educação nos alunos e não nos direitos adquiridos dos professores, melhorou os conteúdos formativos e criou sistemas que poderão permitir aos pais escolherem as escolas dos seus filhos, transformando o ensino público em escolas que realmente ensinam e não em fábricas de horários ocupacionais de grande parte dos jovens portugueses.

A greve dos professores em dia de exames, precisamente no dia de exames, depois de o Ministro da Educação ter cedido no horários de trabalho e na mobilidade e mostrar disponibilidade para mudar a data de exames desde que o sindicato não marcasse greve para a nova data, é a instrumentalização dos professores, angustiados pela reforma em curso no sector público, por parte do PC para os utilizar como carne de canhão contra os alunos, contra os pais dos alunos e, sobretudo, contra eles próprios, obrigando-os a abdicar de um acto essencial da sua profissão de ensinar para servilmente servirem um modelo ideológico que não respeita os direitos dos alunos.

No fundo, tenho pena dos professores: estão entre a parede das circunstâncias que hoje obrigam à reforma da dimensão do Estado, e a espada da minoria comunista que durante trinta e nove anos criou as circunstâncias em que agora se encontram. 

 

Em tempo:

“depois de terem marcado a greve para dia de exames, alegando a defesa da escola pública, sindicalistas e grevistas queixam-se que se os exames não forem adiados, os alunos do privado são beneficiados porque os professores dos colégios privados não fazem greve”.

Pois é !

E também em relação aos alunos do ensino público que puderam fazer os exames.

 

Entretanto, hoje, dia de greve, às 16,00 hrs:

O MInistro da Educação, Nuno Crato, em conferência de imprensa, fez ainda um balanço desta greve, apontando dados provisórios do Júri Nacional de Exames: “mais de 70% dos alunos realizaram os seus exames e 73% das escolas com exames marcados realizaram-nos a 100%”.

Posto isto, Nuno Crato deixou uma palavra de “apreço” pela “grande responsabilidade de directores e professores que puseram acima de tudo o interesse dos seus alunos”.


E às 19,00 hrs:

O líder da Fenprof, perante o falhanço do que pretendia, garante que a greve não era contra os exames, era uma greve de professores. A sério ? Então porque a fez no dia de exames ?

Registe-se a lamentável falta de probidade profissional de parte da imprensa, com destaque para a SICn e o Público, que tomaram como suas as justificações comunistas da Fenprof.



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Terça-feira, 11 de Junho de 2013
por Maurício Barra

«Pensei que se poderia dar prioridade à consolidação orçamental e à estabilização financeira sem uma transformação estrutural profunda das administrações públicas. Neste momento, é claro que um esforço muito mais concentrado, desde o primeiro dia, na transformação das administrações públicas teria sido mais apropriado», explicou Vítor Gaspar.

"Investir em Portugal tem sido um verdadeiro pesadelo. O que tem sido feito é criar mais impedimentos ao investimento. Queremos agilizar o investimento [porque] é inaceitável que um empresário fique cinco, seis ou sete anos para licenciar um investimento.”, disse o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira. 

 

Salgueiro Maia, antes de sair de Santarém na madrugada do 25 de Abril para liderar o golpe de Estado que nos deu a democracia, disse aos soldados formados na parada que “há Estados para todos os gostos, mas o que eles tinham de resolver era o Estado a que isto chegou”.

Infelizmente, “ O Estado a que isto chegou” continuou, desde então, a ser uma síndroma nacional permanente. Após 1975, com as nacionalizações selvagens de um Conselho da Revolução controlado pelo PC em Março desse ano, posteriormente ratificado com uma Constituição que garantia direitos e privilégios leoninos ao sector público e aos trabalhadores do Estado em detrimento do sector privado,  transformando as suas empresas e a maioria dos seus trabalhadores em portugueses de segunda, algemando a sua iniciativa.

O Estado sobredimensionado é o resultado desta disfuncionalidade, com uma nomenklatura sustentada por um projecto ideológico , paga pelo bolso dos portugueses, que nos trouxe ao “ Estado em que acabámos por ficar agora “, a bancarrota.

Bancarrota, que acabou por não o ser sentida até às últimas consequências pelos portugueses, porque entidades financeiras europeias e internacionais subsidiam a nossa recuperação, o que proporcionou a oportunidade de, consolidando o deficit orçamental, reformar o Estado, reduzindo-o para a dimensão apropriada, ou seja, para uma dimensão que, cumprindo a sua função social, respeitasse a carga de impostos que os portugueses poderiam pagar.

Mas, infelizmente, tal como confirmam os Ministros, nada de substancial no deficit estrutural e no investimento foi feito. Este Governo limitou.se a governar as circunstâncias, mas não reestruturou. Secaram as famílias, as empresas e a economia portuguesa dos seus recursos e da sua liquidez com uma dose brutal de impostos, e o Estado sobredimensionado, esse, ficou incólume para continuar a esmagar-nos.

E vai continuar, se o PS antigo, o que andou tantas vezes a toque de caixa da coacção ideológica do PC, BE e da sua esquerda marxista, voltar ao poder. Agravando decisivamente e definitivamente a situação económica e financeira portuguesa. Porque este PS que Mário Soares quer aliado com os partidos antidemocráticos, por motivos ideológicos, prefere o caos ( sair do euro e/ou sair da Europa ) a perder a estrutura de poder que o alimenta e se alimenta da sociedade portuguesa para a controlar.

A reforma do Estado, o corte indispensável na estrutura da despesa pública é o “break even point” do nosso próximo futuro: é o Cabo das Tormentas para os que querem ficar no passado burocratizante, asfixiante e clientelar a caminho da perdição; ou será o Cabo da Boa Esperança para os que querem continuar no Euro, na Europa e com a garantia de que viveremos numa democracia que ofereça estabilidade política, social e de segurança cívica aos seus cidadãos.


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Quinta-feira, 6 de Junho de 2013
por Maurício Barra

« 55,3% defendem que o governo cumpra todo o mandato. Seria o primeiro a fazê-lo em coligação.Mais ou menos cambaleante, profícuo em confrontos internos, mas aparentemente resistente às pressões que também chegam da rua, da oposição e dos parceiros sociais - mais de metade dos portugueses (55,3%) querem o governo em funções até 2015, para que cumpra, assim, a totalidade do mandato. ( sondagem i/ Pitagórica, 28 de Maio )»

 

Ao contrário do pretenso clima insurreccional que grande parte da imprensa portuguesa todos os dias alimenta, ajudando a atirar areia para os olhos dos portugueses a toque de caixa da agenda política do PC, BE e amigos de Mário Soares, a maioria dos portugueses, democraticamente, incluindo aqueles que não votaram neste Governo, querem que se cumpra a legislatura até ao fim.

Assim vamos ter a oportunidade de continuar a ver, durante mais dois anos, o José Pacheco Pereira vomitar ódio todas as quintas-feiras, a insuficiente Constança Cunha e Sá tartamudear diariamente na TVI24 lógicas inconsequentes, a perfídia de Ana Lourenço exibir a agenda “gauche nouveau chic”, o Miguel Sousa Tavares a concorrer com a Clara Ferreira Alves nos comentários tremendistas, o director da SICN a convidar todas as réplicas de Mário Soares, a Maria Flor Pedroso sentar as amigas do BE à mesa para dizerem que o governo acaba sempre amanhã, o Nicolau Santos a escrever sempre sobre o mal da cura sem nunca referir o autor da doença, o autor da doença, Sócrates, falar contra o Presidente da República nas noites de domingo com uma audiência inferior à  da missa dessa manhã, Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes a competirem por "twists" e “inside information””, a Eurosondagem a fazer sondagens sempre a favor do PS, mais umas cinco ou seis greves gerais com a indiferença geral do país, o “abaixo a troika” passar a ser “ abaixo o euro” e depois  “ abaixo a Europa”, os comentadores do costume a dizerem as coisas do costume como se nós todos ainda não estivéssemos acostumados,  o Expresso a ( continuar ) recentrar a opinião política porque percebeu que a perda de leitores não é só da crise e o Público, finalmente, a deixar de mentir quando a caridade da Sonae acabar.

Isto vai ser giro !

 


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Terça-feira, 4 de Junho de 2013
por Maurício Barra

O grupo anti.troika e anti.euro ( PC, BE , esquerda marxista republicana do PS ) quer, declaradamente, corromper a democracia representativa em que vivemos, provocando a queda do Governo na rua. O que se passa neste momento em Portugal está no limite da insurgência insurreccional, incluindo arruaças permanentes atingindo a liberdade de expressão dos membros do Governo, eleitos livremente pelo povo português.

Estas acções coordenadas por grupos organizados, alguns sob a capa sindical, representando uma minoria dos portugueses, tem uma agenda diária de agitação e propaganda puramente ideológica, a qual encontra na maioria da imprensa, cujas redacções ocuparam pacientemente durante anos a fio, o megafone perfeito para as suas acções, simulando uma situação insurreccional que não corresponde à realidade ( tal como se comprovou com as  pequeníssimas “grandes” manifestações do passado fim de semana ).

A insatisfação que existe em relação ao Governo é, obviamente, e sobretudo, democrática, o que pode ser comprovado pelas sondagens que periodicamente são publicadas. E o debate permanente dos partidos democráticos sobre a situação política tem observado os princípios democráticos do debate político, com interpretações diferentes sobre o momento político, mas partilhando uma plataforma comum de pertença à União Europeia, à União Monetária do Euro e à Nato.

Mas este tipo de debate não interessa a quem não é democrático, não interessa aos perdedores do PREC que quiseram conduzir Portugal a uma nova ditadura depois de termos conquistado a liberdade em 1974.

O que vemos hoje na rua é o grau zero de democracia por parte da esquerda não democrática. O que, ao contrário das suas intenções, a irá separar definitivamente da esquerda democrática, deixando de a coagir ideologicamente (*) como o tem feito ao longo dos últimos trinta e nove anos.

 

(*) impedindo que a separação das águas seja feita entre democratas e não democratas, impondo à maioria democrática do partido socialista uma agenda  de “ esquerda” exterior ao partido, controlada ideologicamente por  uma minoria antidemocrática herdeira da “ verdadeira esquerda de Cunhal”.


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Quinta-feira, 30 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Ele próprio avisou: “ O Dr. Manuel Damásio fez a fineza de me avaliar e assegurou com estou a recuperar”. Desejamos que sim. Mas vou supor que, afinal, é um sim que ainda é um bocadinho não. Porque, somadas às mais diversas insanidades que frequentemente distribui à alacridade dos repórteres amigos, é a única explicação para os preparos em que se agora se meteu, qual balhelhas que de repente se encontra sentado à mesa de uma qualquer reunião do politburo que existe ali para os lados da Soeiro Pereira Gomes.

Eu sei que a cena é felliniana, mas não consigo evitar a tentação de visualizar as bochechas do ícone num travelling no qual revisita ao seu Amarcord pessoal, num retorno neo-realista à sua juventude comunista. Mas, com alguma tristeza, caros leitores, neste caso “senza donne vollutuose”, com que Federico decerto nos deliciaria.

Mas continuemos a conceder bonomia à crítica necessária.

Em 2013, num país europeu que pertence à União Europeia e à sua União Económica e Monetária, haver um cavalheiro que conquistou os seus pergaminhos na IIIª Republica a defender a democracia contra os comunistas, civis e armados, que em 1975 quiseram instituir uma nova ditadura após a recente liberdade que o 25 de Abril nos ofereceu, estar agora a dinamizar “ um encontro de ideias ” da minoria dos que nunca aceitaram a democracia representativa, para conjugar acções de derrube anticonstitucional do Governo legitmamente eleito, é a confirmação de que a consulta ao Dr. Damásio tem de se efectuar com mais frequência.

Pode ser que ele lhe esclareça que ser o tio Peppone da esquerda marxista do arco antigovernamental e antieuropeu é um papel ridículo que só existe na sua imaginação, apesar de concedermos o desconto ao facto de que ser republicano, evidentemente, não é sinónimo de ser democrata. E que, incluído nas mezinhas a receitar pelo Dr. Damásio, sugira que tenha comiseração por si próprio, porque a história vai recordá-lo como ele realmente é. A personagem de antes de ontem, de ontem e de hoje. Arauto da democracia, o primeiro primeiro-ministro da bancarrota, presidente da república atolado em Macau por Mateus com a mão na massa, perdedor de eleições pelo voto dos portugueses e, agora, de mão estendida a pedir migalhas a quem sempre o desprezou.


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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013
por Maurício Barra

O ódio jacobino pela diferença de opinião nasce do pecado original do desprezo pela democracia. O anátema que MST atribuía ao Presidente da República é um deslize exemplar de um comentador frequentemente desbocado que exprimiu o rancor que está no ADN da esquerda, hoje marxista, que desbordou do PC e BE para a ala irresponsável que habita o canto esquerdo do PS.

Os nossos bisavôs viram isto nas últimas duas décadas da Monarquia, os nossos avôs viram a sua reedição aumentada no nojo que foi a palhaçada de democracia da Iª República. A tal que criou as condições e motivou o apoio à ditadura de Salazar.

Hoje, enfrentando o resultado vergonhoso do uso capião de décadas de poder que nos levou à bancarrota, esta esquerda marxista vê-se encurralada nas circunstâncias que ela própria criou: não há nem haverá dinheiro para sustentar os projectos ideológicos que impuseram aos portugueses, e estes já não estão dispostos a continuar a pagar desperdícios estatizantes.

Assim, e antes que os portugueses assumam que não são “ o cavalo do inglês “ e reflictam seriamente sobre o modelo de regime do qual só têm sofrido as consequências, a aliança jacobina quer condicionar a democracia, impedir o seu funcionamento representativo, e, na rua, nos jornais que controlam, nas televisões de todas as noites, tentar esboroar o poder legitimo para que este não cumpra as soluções acordadas que viabilizam a nossa permanência na Europa, porque essas mesmas soluções são a consequência e a causa que inviabilizará a sua estratégia de poder.

Quando o Presidente da República garantiu que, com ele, a Constituição é para respeitar e que um Governo eleito e maioritário tem de cumprir a legislatura, o jacobinismo dos “usufrutuários da Pátria” explode, porque para eles os republicanos não são todos iguais. Uns são mais iguais do que outros.

O que, obviamente, é verdade. Pelas más razões.

Muitos deles têm uma perspectiva muito limitada da democracia.

 


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Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Apesar da maioria da opinião publicada e comentada em Portugal, por ser controlada e formatada à esquerda (repetindo até à exaustão, todos os dias, variações das teses do PC, BE e dos amigos do Mário Soares), criar e divulgar narrativas antidemocráticas de derrube do Governo com  o objectivo de impedir o ajustamento orçamental e a reforma do Estado que lhes retirará acesso ao Estado sobredimensionado que têm ocupado ao longo desta IIIª República, a verdade é que o tempo não pára e a realidade desmente os seus desejos.

Ontem, Vítor Gaspar decretou o fim do primado da consolidação orçamental. Realizado o ajustamento externo e conquistado o regresso aos mercados, o Governo quer iniciar uma nova fase de investimento, crescimento e criação de emprego.

E como é no sector privado que está a solução para sairmos das dificuldade económicas em que estamos, para começar, a estrela do pacote de medida é um "supercrédito fiscal", um novo passo da nova fase que irá caracterizar os próximos dois anos da legislatura: relançamento do investimento e à criação de emprego, sobretudo para os jovens.

As medidas aprovadas incluem incentivos fiscais ao investimento, o Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento (CFEI) que poderá, no limite, reduzir a taxa efectiva de IRC para 7,5% face aos atuais 25% a que são tributadas as empresas. O ministro anunciou ainda um novo Reforço do Regime Fiscal de Apoio ao Investimento, o Alargamento dos Benefícios Fiscais ao Investimento de Natureza Contratual, Redução do Prazo de Resposta de Informações Vinculativas e a Criação do Gabinete Fiscal do Investidor Internacional, tudo medidas que faziam parte do plano apresentado há um mês por Álvaro Santos Pereira e que representam "um incentivo fiscal ao investimento sem precedentes em Portugal".

Depois de depois anos de austeridade, aproximam-se dois anos de investimento e criação de emprego, mantendo o défice controlado.

De facto, para a nossa imprensa conservadora de esquerda, a realidade é reaccionária.


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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Ora vejamos . . . 

. . .“equilíbrio entre disciplina financeira, solidariedade e estímulo à actividade económica" foi uma aparente decisão sensata do Conselho de Estado

 

O Presidente da Republica quer.

O Governo agora também quer, mas até ontem o Vítor Gaspar só queria disciplina financeira.

O PS não quer disciplina financeira à custa da solidariedade, e o estímulo económico que quer é só o público, o tal que só cria mais dívida pública.

O PC quer uma solidariedade social soviética e nacionalizar a actividade económica.

O BE quer ver se dá a volta ao PS para Portugal sair do Euro, afastando o país da Europa e das suas regras.

 

Enquanto uns querem procurar soluções e resolver os problemas estruturais da nossa economia, outros querem continuar a fazer de conta que, se não estamos em bancarrota, é porque os nossos credores nos estão a financiar, e, se não sairmos da bancarrota, é porque, apesar de ajudados, queremos continuar a gastar o que não temos em vez de reformarmos os custos sobre-dimensionados do Estado.

Fazer o que se faz em qualquer outro pais europeu ( como recentemente a Itália ), sentarem-se à volta de uma mesa , analisarem o que podem acordar em comum e colocarem os interesses nacionais acima dos interesses do seu grupo, isso não. 

 

Isto é Portugal. À custa uns dos outros, uns vão bem outros mal.


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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Ordem de Trabalhos do Conselho de Estado

 

1. o risco da política de ajustamento seguida por este Governo não prosseguir no próximo.  

2.  fomentar o crescimento económico e a criação de emprego.

3. preparar a renegociação do período pós-troika.

 

Ordem de Trabalhos do PS

 

“ O país não deveria discutir o além” José Sócrates

“ Crise de regime no horizonte de Portugal “ A.J Seguro


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Terça-feira, 14 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Rodrigo Moita de Deus, no blogue 31 da Armada, afirma que:

«O grande obstáculo às reformas no estado são os reformados do estado.»

A sério ?

Estava convencido ( e continuo a estar )  que eram as reformas do próprio Estado ( que continua sobredimensionado ) e a gestão pública calamitosa ( dolo, rendas excessivas, protecção oligopólios, etc ) que nos conduziu à bancarrota.

 

 


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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Eu tenho a impressão que ainda há muito boa gente que não percebeu que a fronteira que Paulo Portas assumiu em relação aos pensionistas e reformados não é dele, já foi assumida há muito tempo pelos portugueses. E devia ter sido assumida com mais convicção pelo PSD.

Como iremos verificar nas próximas eleições, com 41% do eleitorado do PSD e 9% do eleitorado do CDS ( dados de  inquérito do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa ) a dizerem da sua justiça.


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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Dois dias antes de Portugal dar um passo de gigante no regressos aos mercados internacionais, João Ferreira do Amaral, um economista próximo da área socialista, deu uma entrevista ao Expresso, no qual continuou a defender que Portugal nunca deveria ter entrado no Euro, e a solução para os nossos problemas é, agora, sair da moeda única europeia.

Argumenta que “ um país fraco não pode ter uma moeda forte”. Não lhe passa pela cabeça que o país não é fraco por causa da moeda, mas sim pelo desperdício acumulado de quinze anos, nos quais Portugal recebeu a maior apoio financeiro alguma vez recebido nos últimos dois séculos, da Europa e em Euros, a maior parte a fundo perdido, e em vez de o transformar em crescimento e emprego, como o fizeram a maior dos países que receberam idênticos Quadros de Apoio, colocou-o quase todo em cimento armado e a engordar o Estado a caminho do socialismo, com uma gestão de tal forma incompetente que, em vez de enriquecer o país, criaram uma “bolha” interna de crédito fácil, geraram défices orçamentais anuais permanentes e aumentaram o rácio da dívida portuguesa para números estratosféricos.

Mas pela boca morre o peixe !

Via João Navarro de Andrade, no Delito de Opinião”, tive acesso ao conteúdo da entrevista que o dito economista deu a Clara Ferreira Alves. Leiamos um excerpto.

 

« A receita para tão suave milagre anda JFA a bradá-la há anos neste deserto: sair do €. Limpo, cirúrgico e indolor, ou pelo menos sem austeridade exageradas como a que hoje penamos – certo?

Vai daí e Clara, senhora de grande astúcia, pergunta pelas consequências de tão elegante e airosa magicação segregada pelo auspicioso cérbero de JFA:

Como seria pagar a dívida externa nesse cenário de saída ordeira?

Seria o cenário argentino. Teríamos dois anos infernais e depois resolvia-se. O pior seriam os dois anos, do ponto de vista democrático. A violência, a bandidagem… a dívida externa, a pública só me preocupa na media em que é externa, é brutal.”

Persiste Clara:

“Mas as prestações sociais teriam sempre de aumentar, o que aumenta o risco de hiperinflação.

E aí, o que me preocupa mais são os medicamentos, que são quase todos importados. Teria de ser feito um programa especial para isso. A despesa também não seria por aí além.”

Ou ainda:

“As pessoas fazem perguntas concretas sobre a vida delas. Se tiverem uma dívida ao banco de uma casa, como é que essa dívida vai ser paga? Em euros? Em escudos?

Acho que o Estado se deve substituir ao devedor na proporção que resulta da desvalorização cambial. Pode fazer um empréstimo junto do banco de Portugal. A outra hipótese é a bonificação da taxa de juro. Ou se reduz o capital ou se reduz a taxa de juro.” »

 

Ou seja, o douto senhor, que teoriza sobre a saída do euro, diz-nos que o “day after” é um  caos tão indiscritível que não é mensurável. Ou seja, propõe sair de uma situação onde há falta de crescimento e desemprego para uma nova situação onde haverá muito mais desemprego e uma acentuada regressão económica.

Na qual a ordem pública terá de ser controlada. E os contestatários, a vadiagem, bem amordaçados..

E depois uma ditadurazinha, não é ? 


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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Pedro Passos Coelho anunciou, na passada sexta-feira, as medidas técnicas que intenciona accionar para reduzir estruturalmente a despesa pública que, como é sobejamente sabido, é a principal causa dos défices permanentes que têm sido imagem de marca desta IIIª Republica a caminho do socialismo. A bancarrota iminente, as condições que os nossos credores nos impuseram para “pagarem” o funcionamento do Estado nestes últimos anos e as decisões do Tribunal Constitucional, última trincheira dos que queriam um 11 de Março sem o 25 de Novembro, obriga que finalmente se tomem decisões que qualquer país “normal” já teria tomado há muito tempo.

Paulo Portas, ontem, fez um discurso político. Assumiu participar nas responsabilidades de governação que o momento exige e traçou uma fronteira: proteger os mais desfavorecidos, na idade e condição. Portanto, renegociar com a troika para cortar no funcionamento no Estado consigo próprio em detrimento de uma sobrecarga adicional sobre os pensionistas.

Quem aterrasse neste país e tivesse conhecimento da difícil situação económica e financeira em que vivemos, diria que todas estas medidas são um possível caminho das pedras, democrático porque aberto à discussão política com a oposição democrática, e que, juntas, revelam bom senso.

Qual quê! O país disfuncional, o tal que está sempre à espera que um truque de mágica que resolva os problemas que nós próprios causámos e que não queremos resolver, imediatamente saltou, vomitando ódio e fincando o pé na recusa da realidade. Parecia que estávamos num país de sovietes. Ele era destituição imediata do Governo, um chorrilho de slogans chocarreiros sobre a idoneidade dos ministros, enfim, a cega-guerra do costume, a toque de caixa dos partidos não democráticos assistida pelo cinismo dos comentadores televisivos. E com o apoio envergonhado de J. A Seguro, aproveitando a onda mas sabendo que, se estivesse no Governo, não poderia fazer muito diferente do que foi feito.

Enfim. O Portugal que é uma questão connosco mesmos. 


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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
por Maurício Barra

. . . convém lembrar que, (...) "pelas contas de Paulo Trigo Pereira (entrevista Sol), tínhamos 700 mil desempregados registados no continente (Fevereiro). Deste conjunto, apenas 1,9% tinha origem na função pública. Ou seja, 98.1% do desemprego é oriundo dos sectores privados. Por outras palavras, não existe qualquer equidade à partida entre funcionalismo público e trabalhadores privados. "


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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013
por Maurício Barra

Esta é a interrogação que os eleitores, em 2015, colocarão quando, antes de votarem para a nova legislatura, se confrontarem com a atitude que o PS obstinadamente continua a defender, colocando a sua visão estatizante acima dos interesses nacionais.

A reacção do PS ao discurso do Presidente é um mau prenúncio do beco sem saída ideológico em que o PS se está a meter. E as propostas ditirâmbicas que apresentou no seu Congresso também não ajudam nada.

 

Basta ter bom senso. Vejamos o que disse o Presidente :

( … )

Dentro de dias completam-se dois anos sobre a data em que o Governo português, perante a iminência de colapso do financiamento do Estado e da economia, se viu na contingência de reconhecer o inadiável. O Governo de então teve de solicitar o auxílio externo da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, instituições perante as quais se comprometeu através de um exigente programa de assistência financeira que contou com o apoio de um amplo espectro partidário.

( … )

Mas, sem dúvida, o aspecto que mais deve ser realçado destes dois anos muito difíceis é o sentido de responsabilidade revelado pelos Portugueses. O nosso povo foi confrontado com grandes sacrifícios e duras exigências e deu mostras da sua maturidade cívica, consolidada ao fim de quatro décadas de democracia. Não perdemos a identificação com os valores da democracia nem abandonámos o espírito de coesão nacional que sempre nos caracterizou.

Ao dramatismo de várias situações de carência, os Portugueses têm respondido com um exemplar trabalho de entreajuda e com uma extraordinária solidariedade.

Os consensos políticos e sociais alcançados contribuem para vencer os desafios que Portugal enfrenta e também para o modo positivo como os credores e os mercados avaliam a execução do Programa de Assistência Financeira

( … )

Os nossos agentes políticos, económicos e sociais têm de estar conscientes que deverão actuar num horizonte temporal mais amplo do que aquele que resulta dos calendários eleitorais.

Sejam quais forem esses calendários, sejam quais forem os resultados das eleições, o futuro de Portugal implica uma estratégia de médio prazo que tenha em atenção os grandes desafios que iremos enfrentar mesmo depois de concluído o Programa de Assistência Financeira em vigor.

Nessa altura, o País tem de estar em condições estruturais de credibilidade e governabilidade capazes de garantir a confiança das instituições da União Europeia e dos mercados financeiros, pelo que, no plano político, é imperioso preservar a capacidade de gerar consensos em torno do caminho a seguir para alcançar os grandes objectivos nacionais.

Se se persistir numa visão imediatista, se prevalecer uma lógica de crispação política em torno de questões que pouco dizem aos Portugueses, de nada valerá ganhar ou perder eleições, de nada valerá integrar o Governo ou estar na Oposição.

É essencial que, de uma vez por todas, se compreenda que a conflitualidade permanente e a ausência de consensos irão penalizar os próprios agentes políticos mas, acima de tudo, irão afectar gravemente o interesse nacional, agravando a situação dos que não têm emprego ou dos que foram lesados nos seus rendimentos, e comprometendo, por muitos e muitos anos, o futuro das novas gerações.

É indiscutível que se instalou na sociedade portuguesa uma «fadiga de austeridade», associada à incerteza sobre se os sacrifícios feitos são suficientes e, mais do que isso, se estão a valer a pena. Estas são interrogações legítimas, que todos têm o direito de colocar. Mas, do mesmo modo que não se pode negar o facto de os Portugueses estarem cansados de austeridade, não se deve explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos.

Reafirmo a minha profunda convicção de que Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado. Regrediríamos para uma situação pior do que aquela em que nos encontramos.

Em nome dos Portugueses, é essencial alcançar um consenso político alargado que garanta que, quaisquer que sejam as concepções político-ideológicas, quaisquer que sejam os partidos que se encontrem no Governo, o País, depois de encerrado o actual ciclo do programa de ajustamento, adoptará políticas compatíveis com as regras fixadas no Tratado Orçamental que Portugal subscreveu.

 

Não compreender que o momento grave que atravessamos exige um grande consenso nacional a longo prazo sobre os principais objectivos estruturantes económicos e financeiros do país é irresponsável e suicida. Todos compreendemos que o PS, dilacerado entre o projecto de poder pessoal de Sócrates e o radicalismo de Mário Soares, tem dificuldade em assumir definitivamente a sua matriz europeia ( e também compreendemos que o PS, tem medo de, se não radicalizar a sua posição, temer perder votos para a sua extrema-esquerda ).

O que não compreendemos é que o PS persista a continuar com a cabeça enfiada na areia e não perceba que os problemas que vivemos não são da troika, os problemas económicos e financeiros estão cá dentro de Portugal, atingem-nos todos os dias e não desaparecem por artes de demagogia. Não se resolvem com slogans de “rigor e sacrifícios” destinados aos contribuintes portugueses, antes pelo contrário, resolvem-se com medidas concretas que terão de diminuir o Estado sobredimensionado, o verdadeiro cancro do défice orçamental português, que levou à asfixia das famílias e das empresas portuguesas.


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