Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013
por Francisca Prieto

 

Meu Deus, isto está tão mal que as pessoas já se estão a vender a elas próprias.

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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013
por Francisca Prieto
Uma pessoa encontra ideias tão boas, mas tão boas, na internet.



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Segunda-feira, 11 de Março de 2013
por Francisca Prieto

 

Tinha gravado a versão condensada dos Óscares e, embora já estivesse devidamente a par dos laureados, só agora consegui ver.

Aconteceu mais uma vez um fenómeno para o qual não encontro explicação. Diria que é mais ou menos assumido para a comunidade cinematográfica que, salvo honrosas excepções como O Artista no ano passado, os Óscares visam premiar filmes de origem anglo-saxónica, ressalvando a existência de uma estatueta para o Melhor Filme Estrangeiro. Fair enough.

 

O que baralha o sistema e vem trazer situações de desconforto perfeitamente evitáveis são as nomeações de actores em filmes estrangeiros para as categorias de melhor performance que são depois, invariavelmente, preteridos a favor de gente que ainda tem muita sopa para comer nas cantinas do ofício.

 

Lembro-me do exemplo gritante da nomeação de Fernanda Montenegro, em 1999, pela actuação em Central do Brasil. Dora é, para qualquer actriz, a personagem de uma vida e Fernanda Montenegro fá-la crescer pelo filme fora. Logo aos primeiros dez minutos deixamos de reconhecer a senhora que nos entrava pela casa em historietas de novela e somos apresentados a uma mulher amargurada pela vida que desenvolve uma improvável amizade com uma criança de dez anos.

O Óscar foi parar às mãos de Gwyneth Paltrow, por Shakespeare in Love. A rapariga não ia mal, mas não são actuações comparáveis e se não era para oferecer o galardão a Fernanda Montenegro, mais valia nem a terem nomeado, que até era uma coisa de que ninguém estava à espera. Poupava-se o constrangimento de ver uma grande senhora a ser injustamente ultrapassada.

 

Este ano, o fenómeno bisou de forma igualmente gritante. Se era para dar o Óscar a Jacki Weaver, por que cargas de água resolveram meter Emmanuelle Riva na lista das candidatas? Quem viu Amour assistiu a uma actuação de excelência num papel impossível. O filme ganhou o prémio de Melhor Filme Estrangeiro e estava muito bem assim, não era preciso expor uma digna octagenária a um tal carnaval.

 

Um estrangeiro ser nomeado para um Óscar é uma honra. Mas perder o prémio para um americano que está vários furos abaixo pode ter um efeito perverso.

 

 


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Sexta-feira, 8 de Março de 2013
por Francisca Prieto

Desde há meia dúzia de anos que o governo permite que cada contribuinte possa doar 0,5% do seu IRS a uma instituição de solidariedade social que conste desta lista.

Assim:

- 99,5% irão para o Estado (em vez dos habituais 100%)

- 0,5% irão para a instituição escolhida

 

Para o fazer, basta escrever o número de contribuinte da instituição no Quadro 9 do Anexo H do Modelo 3. Desta forma, estarão automaticamente a oferecer 0,5% do valor do vosso imposto à instituição por vós seleccionada.

 

Do meu lado, porque é uma causa que me é querida, já tenho o donativo destinado à Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (NIF 502 465 298). Mas, seja para esta ou para qualquer outra instituição, importa não deixar de o fazer. Porque é fácil e pode fazer toda a diferença.

 


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Quinta-feira, 7 de Março de 2013
por Francisca Prieto

7.50 da manhã, Rita Prieto no seu melhor. "Ó mãe, ainda foi há pouco tempo que tu eras jovem, não foi?", "Ó Rita, eu ainda sou jovem", "Não mãe, a sério".

 


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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013
por Francisca Prieto

 

Estreia amanhã no Brasil o filme “Colegas”. Tive o privilégio de o ver em primeira mão, há um par de meses, no decorrer do Festival de Cinema de São Paulo, com direito a intervenção do realizador no final da fita.

Ganhou o Grande Prémio do Público.

 

Optei por não colocar aqui o trailer por me parecer que é redutor na medida em que se limita a apresentar um grupo de adolescentes com Síndrome de Down a fazerem palermices.

 

Marcelo Galvão, provavelmente por ser sobrinho de um portador da síndrome, conseguiu construir uma divertidíssima história com o olho e o par de ventrículos que só está acessível a quem convive de perto com estas pessoas. Chegou lá, à desarmante ironia e ao refinado sentido de humor, à pretensa ingenuidade que, por ser subestimada, raramente é tomada por inteligência pura.

 

Para nós, portugueses, há uma cereja inesperada a esborrachar-se no topo do bolo: o Rui Unas (actor com quem nem simpatizo particularmente) apresenta-se de forma hilariante a fazer de detective português.

 

Aplaudo a estreia do filme, como aplaudi de pé a sua apresentação, no meio de uma plateia de adolescentes trissómicos brasileiros, bonitos, espertos, bem arranjados e divertidos. E fico à espera que passe por cá.

 

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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013
por Francisca Prieto

Mãe ajuda Manuel Prieto a estudar para teste de inglês, sabendo de antemão que será necessário proceder a retrato físico e psicológico de uma personagem. “Olha lá para o teu irmão e diz-me como é que ele é”. Rapaz apressa-se a responder num inglês irrepreensível “he is ugly”. Segue-se a réplica “Ai é? And you are stupid and...loser”.

Mãe felicíssima por vocabulário ainda não se ter sofisticado ao ponto de incluir adjectivos do tipo “asshole” ou “duchebag”.


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Sábado, 2 de Fevereiro de 2013
por Francisca Prieto

Há determinadas palavras que, depois da geração dos nossos pais, só terão lugar na literatura. Vide REPOSTEIRO.


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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

Estou capaz de apostar que a expressão "assapar" tem origem etimológica na abreviatura anglo-saxónica "asap".


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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

 Espero sinceramente que no Brasil a palavra tenha um significado mais gourmet do que cá pelas nossas bandas.

 

 

 

 

 (Nordeste Brasileiro, a alguns quilómetros de Ilhéus. Abril de 1999)

 

 

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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

Rapazes a assistir ao Benfica. Oiço a voz indignada do Manel Prieto "Pinto, diz-se negro, não é preto. Gostavas que a mãe fosse negra e a tratassem por preta? Gostavas??? Grande estúpido". Adoro ver o grau de tolerância e compaixão dos meus filhos para com o próximo.


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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

 

 

 

Sempre pertenci à enervante categoria de pessoas que jamais se olvidará de todo e qualquer ínfimo pormenor de uma história que se lhes conte. Fui várias vezes apedrejada por amigos por muito inconvenientemente lhes recordar com vivacidade acontecimentos que já todos prefeririam ter enterrado nas brumas do Alzheimer social.

Tornou-se quase uma imagem de marca, esta capacidade de armazenar em ficheiros do cerebelo uma série de dados prosaicos que, sempre que a ocasião proporciona, são revelados com toda a naturalidade a rostos atónitos. “Como é que tu te lembras disso, mulher”, costumam exclamar.

Mas eu lembro-me, ó se me lembro. Disso e de muito mais.

 

Ultimamente, porém, ando a ser vítima de um fenómeno insólito sempre que resolvo pegar numa mantinha, enroscar-me no sofá e, de comando na mão, escolher um filme da panóplia do videoclube.

 

Começo a seguir o padrão de, por altura de três quartos da fita, dar com a sensação de já ter visto aquele actor naquela situação. E sei que o filho não é dele. Não faço ideia de quem seja, não sei como é que o homem vai descobrir a traição, mas tenho a certezinha de que se lhe fizerem um teste de ADN, vai haver bronca.

Isto quer dizer que já vi o filme, e o desenrolar do enredo vem fatalmente a comprová-lo. Mas se retirarmos um ou outro momento aleatório de lucidez, estava capaz de garantir que nunca tinha sido exposta à película. Tudo aquilo era Hollywood novinho em folha para os meus olhos.

 

Embora raiando o assustador, o fenómeno tem as suas vantagens. Ainda no fim de semana passado consegui gozar em pleno uma projecção do Annie Hall, filme que posso assegurar já ter visionado umas duas ou três vezes e que é um dos meus preferidos de sempre. Regozijei com cada pormenor do texto como da primeira vez e (re)vi todas as cenas com o triunfo de quem acaba de descobrir uma pérola secreta na vasta arca da cinematografia mundial.

 

Abre-se assim um novo mundo que me faz agora encarar, cheia de entusiasmo, toda e qualquer novidade que os DVDs empoeirados das estantes cá de casa me possam vir a trazer.

 


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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

 

 

No primeiro dia do ano, enquanto me atolava em azevias, cometi a imprudência de partilhar com toda a família a minha grande resolução para 2013: livrar-me de 15% do meu peso actual (não confundir, por favor, com livrar-me de 15 quilos, que a situação é crítica mas não é preciso exagerar).

 

O meu irmão, num momento de perfídia, lembrou-se logo de uma informação muito útil que tinha apanhado no making of da nova versão de “Os Miseráveis”. Consta que Hugh Jackman, o actor escolhido para desempenhar o papel de Jean Valjean -  um homem que, por ter roubado um pão para alimentar a irmã mais nova, é condenado à prisão – teve de perder vários quilos para se conseguir enfiar no corpo da personagem.

 

Iniciou então aquilo a que chamou “A Dieta do Condenado” e passou a escolher os alimentos que metia à boca em função daquilo que lhe parecia plausível estar disponível a um homem do degredo. Se entrava numa pastelaria, olhava para a montra e, em vez do habitual croissant com chocolate, encomendava uma carcaça seca. À hora do lanche, quando a fome se fazia sentir, entrava na cozinha e agarrava numa maçã macilenta. Ao jantar, atirava-se a um prato de aguadilha com a sofreguidão de quem manda abaixo um cabrito assado. E daí por diante.

 

Ainda tentei argumentar que me parecia um infortúnio ter um irmão que, em vez de roubar um pão para me alimentar, me queria condenar à fome, mas ele, irredutível, atreveu-se a acrescentar que a dieta não surtiria qualquer efeito se tomasse como modelo a nova leva de condenados de colarinho branco, dos que são servidos na prisão por caterings de prestigiados restaurantes lisboetas.

 

Pus-me a pensar que, de facto, é apenas uma questão de mentalização e que entrar no mind set de um condenado é uma opção tão válida como a de marcar consulta em qualquer nutricionista, com a vantagem de sair muito mais barato.

De maneira que, inspirada no Papillon, tenho-me agraciado à noitinha com uma insípida sopa de lentilhas (não sei porquê, mas tenho ideia de que no Papillon passam a vida a levar com lentilhas) agradecendo a Deus não ser, de facto, desterrada e não haver qualquer hipótese de me partirem as pernas numa rixa amotinada, que permanecer com as tíbias intactas dá-me jeito para as caminhadas.

 

Não tenho tido fome, é certo, mas ando cá com uma vontade de comer que nem vos digo nada.

 


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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012
por Francisca Prieto

Estando ciente de que este espaço blogosférico não deve usado para fazer publicidade, dado o cariz cultural e solidário da iniciativa, atrevo-me a pegar no megafone e berrar aos sete ventos que:

 

Amanhã e Domingo, o Déjà Lu estará na Feira Solidária da APPT21, no Centro Nacional de Cultura (Chiado) com muitos (mas mesmo muitos) livros NOVOS a 3, 4 e 5 euros, e também livros usados em bom estado a 1 e 2 euros. 100% das vendas revertem para a instituição. 
Sábado, das 11 às 19.30, Domingo, das 12 às 17h. Entrada pelo Largo do Picadeiro, porta mesmo ao lado do café do Chiado, em Lisboa.

 

Óptima oportunidade para fazer umas sensacionais compras de Natal ao preço da chuva.


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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
por Francisca Prieto

Rita Prieto, no banco traseiro do carro "ó mãe, em que dia é que a Xiquinha faz anos?", "é no dia doze". Vai a miúda e entra em modo minimal repetitivo "doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze". E digo eu, já irritada "podes parar com isso, se faz favor?". "Ai, desculpa, mãe. Avariei".


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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012
por Francisca Prieto

Estou para aqui a indagar se, na qualidade de Directora Geral da Família, deverei aderir à greve e deixar um rapaz no treino de futebol até amanhã de manhã.

(tentador, tentador)

 


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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012
por Francisca Prieto

Estou boquiaberta com o ataque disparatado a Isabel Jonet que inundou as redes sociais durante o dia de hoje. Ao minuto, constato que já há petições para a senhora se demitir do Banco Alimentar.

Alguém tem noção do trabalho que envolve montar um projecto desta envergadura? Alguém já tentou gerir equipas de voluntários? Alguém conhece um digno sucessor de Isabel Jonet a quem pudesse ser passada a pasta? Eu não.

 

Vejo a reportagem responsável por tanta celeuma e aquilo que Isabel Jonet diz é que o rei vai nú: que os portugueses passaram os últimos anos a viver acima das suas possibilidades e que agora vão ter de aprender a viver de outra maneira.

Não diz que não podem ir a concertos rock, não diz que não podem comer bifes, não diz que não se podem divertir nem ter dignidade. Diz que é natural que, neste clima de austeridade, muitas famílias venham a ter de escolher entre ir a concertos rock ou ir ao dentista. Onde está a novidade?

 

Não lhe vislumbro qualquer intuito de ofender quem quer que seja, apenas uma perspectiva pragmática do infeliz panorama nacional.

 

Se os criadores dos grupos indignados nas redes virtuais dedicassem parte do seu tempo a alancar pacotes de leite no mundo real, fariam certamente melhor serviço. Indignante é ficar sentado na cadeira a insultar quem arregaça as mangas.

 

(vão lamber sabão, como dizia a minha avó)

 


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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Xiquinha Prieto apresentou-se na farmácia puxando pela sua melhor cara trissómica. Ao balcão ofereceram-lhe logo uma fantástica mochila da Uriage, a ida à caixa rendeu-lhe duas amostras de pasta de dentes. Sou definitivamente a favor de discriminação.


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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Embora Prémio Nobel seja um conceito dificilmente dissociável da cidade de Estocolmo, no que toca à Paz, por instruções do próprio Alfred Nobel, o prémio é geograficamente decidido e atribuído em Oslo.

 

De maneira que eu, se por alguma improbabilidade do destino, fosse convidada para fazer parte do comité norueguês, propunha de caras conceder o galardão à minha mãe.

 

Numa família da dimensão da minha, qualquer refeição conjunta descamba muito facilmente em lançamentos de mísseis equipados com ogivas nucleares. E é à minha mãe que cabe a missão de mediação e de concertação das negociações com vista a promover a fraternidade e a reduzir os esforços de guerra. Missão essa que ela desempenha com uma eficácia ao nível da de Nelson Mandela ou do Bispo de Díli.

 

Deduzo que a perícia lhe advenha de um coração que se foi tendo de multiplicar pela vida fora, de tal forma que hoje tudo consegue gerir, digerir e albergar.

 

A atribuição de um Nobel da Paz a uma mãe do gabarito da minha serviria certamente de exemplo a muitas famílias de muitas nações que actualmente vivem a orfandade do desamor.

 

Embora acredite nas  capacidades apaziguadoras de um líder espiritual, acredito muito mais no poder pragmático de uma mãe para meter ordem no planeta. Porque só a voz de uma mãe pode calar o mundo. E porque só no colo de uma mãe pode caber toda a humanidade.

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Sábado, 13 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Embora às vezes fujam de mim como o diabo da cruz, a rapaziada está careca de saber que o beijo maternal matinal não é facultativo. Hoje, mediante uma certa resistência, fui forçada a gritar "Vem imediatamente dar um beijo à tua velha mãe". Astuto, respondeu-me já no quarto degrau das escadas "Não vou não. A mãe não é velha". É com estas e outras que me enrolam. Sabem muuuuito.

 


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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Nunca fui grande coisa a matemática, mas estou em crer que, na ficha do meu filho Rodrigo, o rapaz se deve ter distraído quando respondeu "5 metros" à pergunta "quanto terá de crescer o Rui para atingir a altura do João?"

 


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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

 

Cá por casa, assim que se avizinham festividades escolares, começo a abrir as mochilas dos meus filhos com a cautela de quem já foi exposto a Antrax. Se é certo que, num ano, bastou mandar um par de collants azuis para o teatro da turma, também já sucedeu terem-me exigido mascarar um filho de Bolo Rei.

 

Ora um destes dias estava à conversa com uma amiga que, a propósito destas andanças, me contou um mal entendido perfeitamente legítimo para gato que já foi escaldado. Andava o seu petiz no jardim de infância quando, por alturas do carnaval, disseram à mãe que “amanhã o João tem de vir mascarado de casa”.

A minha amiga, que até é da área de design, entrou em pânico e não se inibiu de expressar a sua indignação à educadora, salientando que aquilo não era coisa que se pedisse de véspera, que ela uma mãe que trabalhava, que lhe parecia inconcebível aquele grau de exigência, e por aí fora.

 

Chegando ao escritório, partilhou de imediato a angústia com uma colega arquitecta, na esperança de que esta, com toda a sua experiência, tivesse alguma ideia milagrosa que a salvasse do pesadelo.

Estavam as duas em pleno brainstorming, discutindo a possibilidade de utilização de diversos tipos de materiais, que iam do k-line às placas de esferovite, quando entrou o responsável de produção da agência, a quem contaram a causa de tanta azáfama.

Achando que estava perante duas loucas, o senhor calmamente esclareceu que era provável que o que a educadora pretendia era que o João chegasse ao colégio já vestido para o carnaval, ou seja, “que fosse vestido de casa”.

 

Uma história destas não me teria ficado na memória se aqui há uns tempos a minha amiga Fernanda, nada e criada em Beja, não me tivesse contado que uma vez no teatro da primária tinham vestido as meninas de monte alentejano (e já estou a imaginar o efeito em palco).

 

É por estas e por outras que suspiro de alívio sempre que põem os meus filhos a fazerem de operários, de chineses ou de homens do povo. Afinal, nos tempos que correm, sempre torna este carnaval muito mais realista.

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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

“...então, o Lobo Mau vestiu as roupas da avózinha e prendeu-a no armário” (...blá, blá, blá...) “depois, o Caçador entrou, o Lobo fugiu a correr de camisa de noite, e o Capuchinho destrancou o armário onde estava a avó sozinha, triste, cansada....(intervém Rita Prieto de olhos esbugalhados)...E NUA”.


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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

Rita Prieto, zangadíssima: "Eu nunca, mas nunca mais falo com a mãe. NUNCA MAIS. Nem uma palavrinha". Ó meu Deus, quem me dera que cumprisse a ameaça pelo menos por um par de dias.


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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

Rodrigo Prieto viu um anão no Pingo Doce e ficou fascinado pelo tema. Ando há dois dias a responder a perguntas absurdas sobre anões e, apesar de não estar particularmente informada sobre a problemática, ontem à noite pude assegurar-lhe que um anão recém-nascido não é do tamanho de um Playmobil. Help, please.


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Domingo, 9 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

 

O poeta municipal

discute com o poeta estadual

qual deles é capaz de bater o poeta federal.

 

Enquanto isso o poeta federal

Tira ouro do nariz.

 

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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto
 

 

Por alturas do Ciclo Preparatório abracei a ginástica desportiva com grande entusiasmo num clube aqui da zona. Nadia Comaneci tinha arrecadado uma data de medalhas nos Jogos Olímpicos de Moscovo e eu tinha a certeza de que, com três treinos semanais, conseguiria tranquilamente equiparar o feito.

De maneira que se seguiram vários verões a fazer pinos e rodas na praia sem nunca ter chegado a tirar um mísero flic-flac da cartola.

 

Nessa altura ainda não sabia que, tal como me veio a acontecer quando resolvi ter aulas de viola, não tinha qualquer talento para a actividade e foram precisos vários treinos para me dissuadir de chegar à glória olímpica (ou à Orquestra Filarmónica de Lisboa, no segundo caso).

 

Há um par de anos lembrei-me que seria giro fazer um pino contra a parede para mostrar aos meus filhos de que raça a mãe era feita. Foi quando se deu um fenómeno inesperado. Por mais que puxasse pela cabeça, não conseguia perceber que raio de ordem o cérebro tinha de dar ao corpo para efectivamente atirar os braços ao chão e as pernas para detrás das costas sem incorrer em danos hospitalares.

 

Lembrei-me disto a propósito de, este ano, a ala masculina ter resolvido organizar um torneio futebolístico na praia. Pais, tios, filhos e sobrinhos a correrem de um lado para o outro, pelo meio do areal, com pares de chinelos a definirem a área das balizas. Dia após dia.

 

No primeiro, solteiros e casados, o que significa que havia uma equipa constituída por quarentões e, outra, por miúdos abaixo dos dez anos, reforçada por um sobrinho de dezasseis. Parece que ganharam os casados mas, dizem os minorcas, com muita batota, já que a partir do meio do jogo a equipa de anciões começou a ficar pelos bofes e já só davam corridinhas no meio campo de lá. Segundo a criançada (e passo a citar) “só ganharam porque ocupavam tanto espaço que tapavam a baliza”. Em sua defesa, os adversários, foram peremptórios em afirmar que os tinham “esmagado” (embora todos soubéssemos que a única coisa que ficou esmagada foi a hérnia discal do tio João e a coxa do tio António que teve de ser socorrido com sacos de gelo provenientes directamente da Camping Gás)

 

No dia seguinte resolveram misturar as tropas, e assim se seguiu um rol de jogos equilibrados por mais uma jornada. Só que, a meio do campeonato, as lesões começaram-se a agravar até se tornar claro que, para não haver mortos, era melhor acabar com o saudável desporto vespertino.

Inclui-se no saldo um dedo mindinho deslocado, um tio que confessava chegar a casa e não conseguir calçar sapatos por ter a sola dos pés queimada e um outro que pontapeou várias vezes a areia, sem nunca conseguir tocar na bola.

 

A criançada ficou desiludida mas, depois de participar no miserável espectáculo de encarar um adulto em agonia, com o pé enfiado numa manga de refrescar garrafas, não teve outro remédio senão acatar as desistências. Os casados suspiraram de alivio mas, como são homens, acharam só que estavam em baixo de forma. Nunca admitiram que talvez já não sejam o que eram. 

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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012
por Francisca Prieto

Manelito Prieto tem o grave defeito de ser um rapaz com uma grande falta de modéstia. Ele é o melhor a jogar ténis, o rei das ondas nos mares mais revoltos e o campeão dos cavalinhos de bicicleta.

Um destes dias, o irmão, farto de tanta fanfarronice, gritou-lhe: "sabes o que é que tu és, sabes? És um C-O-N-V-E-N-C-I-D-O". E apressou-se a acrescentar: "aposto que se eu escrevesse a palavra convencido no youtube iam aparecer moooontes de vídeos teus".

 


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Terça-feira, 31 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

Hoje, na farmácia: "Uma caixa de Valdispert, por favor". "250 ou 400?". "Dê-me o de 400. É que vou de férias com a família".


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Domingo, 29 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

«Não tive tempo de escrever uma carta curta, por isso tive de escrever uma carta comprida.»

Richard Yates em Onze Tipos de Solidão.


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