Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
por José Meireles Graça

OXFAM não é, a despeito das aparências, o nome de um medicamento para correcção de algumas afecções do trato intestinal, ou para regular o exsudato nasal. E menos ainda para combater a influência deletéria dos fungos nos espaços interdigitais. Nada disso: O que a OXFAM combate é a fome e a injustiça no Mundo. E para tanto tem delegações na Nova Zelândia ou em Espanha, nos Estados Unidos, Hong Kong e em muitos outros lugares. No seu corpus de embaixadores arrola gente como Baaba Maal, que não sei quem seja, mas também Scarlett Johansson, Colin Firth e outras luminárias do espectáculo, cujos méritos ninguém desconhece. Aparentemente, não tem Portugueses nos seus quadros dirigentes, uma grande injustiça em relação a Jorge Sampaio, que dava um presidente de comité ou embaixador de primeiríssima água.

 

Como não podia deixar de ser, as alterações climáticas são uma preocupação central, quer porque quando a água falta as pessoas morrem à sede, quer porque correm o risco de morrer afogadas na ocorrência de inundações. E os poderes públicos, entregues a si próprios, nem promovem a instalação de canalizações nem se certificam de que as fábricas de canos se abstêm de poluir, donde estas grandes desgraças.

 

Pois a OXFAM garante que "taxar paraísos fiscais daria para acabar com pobreza extrema no mundo". Com efeito, "contas desta organização não-governamental dizem que há 14 biliões de euros escondidos, que representariam uma receita fiscal de 120 mil milhões de euros".

 

A notícia não esclarece de que forma é que se podem taxar paraísos fiscais sem acabar com a soberania do Luxemburgo, Andorra ou Malta, só na Europa, por exemplo, e criar controlos de circulação de capitais em todo o mundo sem prejudicar o comércio e o investimento; como é que essas receitas fiscais chegariam aos pobres sem ficar mais de metade pelo caminho, em agências internacionais, e boa parte do resto na mão das oligarquias dos países pobres; como se evitaria a destruição de incipientes economias locais, obrigadas a concorrer com produtos a custo zero; e como é que 120 mil milhões resolvem de vez o problema da pobreza extrema, dado que, uma vez pilhados, os evasores fiscais não poderão continuar a produzir evasão, por diminuição de recursos e por não serem masoquistas.

 

Mas a ideia é bonita, o internacionalismo simpático, a companhia agradável e - vamos lá a ver, todos precisamos de viver - as gratificações decentes.

 

Agora falta passar à prática. E não referi Jorge Sampaio por acaso: é de uma pessoa assim, com rasgo, imaginação e discursos grandiloquentes em bom Inglês, que a organização precisa.

 

Com a Scarlett Johansson de um lado, e Colin Firth do outro, ouvintes não haveriam de faltar. E não é impossível imaginar que um mínimo de três toneladas de alimentos sempre haveriam de chegar aos pretinhos do Darfur, juntamente com uma revista da OXFAM a explicar em banda desenhada os malefícios das alterações climáticas e do capitalismo desregulado.


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