Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
por Alexandre Poço

No encontro da semana passada na Aula Magna, falou-se muito da substituição do poder económico - visto por quem lá se deslocou como o Satanás da sociedade - pelo poder político - a fonte de toda a regeneração. Ouvi dois ou três discursos dos solenes que usaram do púlpito e de imediato, lembrei-me do que Friedrich Hayek escreveu, em 1944, no célebre Caminho para a Servidão: "A substituição do poder económico pelo poder político, actualmente tão reinvidicada, significará necessariamente a substituição de um poder limitado por um outro a que ninguém se pode furtar. Aquilo a que se chama poder económico pode ser usado como instrumento de coerção, mas está nas mãos de particulares; nunca é um poder exclusivo nem completo, nunca é o poder sobre a vida de uma pessoa. Contudo, se for centralizado como instrumento do poder político, cria um grau de dependência que mal se distingue da escravatura.


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4 comentários:
De p D s a 3 de Junho de 2013 às 21:59
Como o Alexandre muito bem refere, Hayek escreveu isto em 1944.

E acredito que o Alexandre, assim como conhece e compreende Hayek...seguramente, e até com muito menor esforço tambem compreenderá que ...

...Hoje em dia, tanto o poder e as mecanicas Politicas, como o poder e as mecanicas Financeiras, são muito diferentes de 1944.

Se ainda assim não forem claras para si estas diferenças, pense por exemplo no evoluir dos Nacionalismos, e do proprio conceito de Estado-Nação. Que como muito bem tambem conhecerá, evolui muito, consolidou-se e está neste momento (...antes de...em 2013... e depois....) numa fase de diluição, não dos contornos geograficos mas de todo o conceito, praticas e objectivos.

Como estou certo que entende e reconhecerá até melhor que eu, isto que refiro...
...custa-me a perceber a candura com que faz a citação que apresenta neste post.


De Alexandre Poço a 4 de Junho de 2013 às 01:54
Obrigado pelo comentário. Percebo o que diz, mas mantenho o que disse, na medida em que entendo que ainda hoje o poder político é (ou tem possibilidade de ser) um instrumento de coerção mais perigoso que o poder económico. Já para não falar dos critérios - também abordados por Hayek - que levam à escolha dos objectivos e estratégias a seguir quando enveredamos por um caminho mais planeado em questões económicas (bem como, em todo o tipo de planeamento na sociedade), mas isso levar-nos-ia para outras discussões.

Um abraço,


De jo a 5 de Junho de 2013 às 00:56
Quando os governantes eleitos trabalhavam em bancos e em grandes empresas, e por sua vez governam de maneira a beneficiar essas empresas e bancos estamos a falar de poder político ou económico?
Imagine um país onde o primeiro ministro trabalhou em empresas privadas que tinham contratos com o estado e o ministro das finanças tem fortes ligações à banca. Quam manda nesse país é o poder político ou o poder económico?
Conseguem-se separar?
O Banco de Portugal é público. Mas dizem que é independente do poder polítco. Que poder representa?
E o BCE?
E o FMI?
Penso que poder é poder e a diferença está em poder democrático e poder que segue regras que ninguém conhece.


De Alexandre Poço a 6 de Junho de 2013 às 15:48
"Aquilo a que se chama poder económico pode ser usado como instrumento de coerção, mas está nas mãos de particulares; nunca é um poder exclusivo nem completo, nunca é o poder sobre a vida de uma pessoa."



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