«Pensei que se poderia dar prioridade à consolidação orçamental e à estabilização financeira sem uma transformação estrutural profunda das administrações públicas. Neste momento, é claro que um esforço muito mais concentrado, desde o primeiro dia, na transformação das administrações públicas teria sido mais apropriado», explicou Vítor Gaspar.
"Investir em Portugal tem sido um verdadeiro pesadelo. O que tem sido feito é criar mais impedimentos ao investimento. Queremos agilizar o investimento [porque] é inaceitável que um empresário fique cinco, seis ou sete anos para licenciar um investimento.”, disse o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira.
Salgueiro Maia, antes de sair de Santarém na madrugada do 25 de Abril para liderar o golpe de Estado que nos deu a democracia, disse aos soldados formados na parada que “há Estados para todos os gostos, mas o que eles tinham de resolver era o Estado a que isto chegou”.
Infelizmente, “ O Estado a que isto chegou” continuou, desde então, a ser uma síndroma nacional permanente. Após 1975, com as nacionalizações selvagens de um Conselho da Revolução controlado pelo PC em Março desse ano, posteriormente ratificado com uma Constituição que garantia direitos e privilégios leoninos ao sector público e aos trabalhadores do Estado em detrimento do sector privado, transformando as suas empresas e a maioria dos seus trabalhadores em portugueses de segunda, algemando a sua iniciativa.
O Estado sobredimensionado é o resultado desta disfuncionalidade, com uma nomenklatura sustentada por um projecto ideológico , paga pelo bolso dos portugueses, que nos trouxe ao “ Estado em que acabámos por ficar agora “, a bancarrota.
Bancarrota, que acabou por não o ser sentida até às últimas consequências pelos portugueses, porque entidades financeiras europeias e internacionais subsidiam a nossa recuperação, o que proporcionou a oportunidade de, consolidando o deficit orçamental, reformar o Estado, reduzindo-o para a dimensão apropriada, ou seja, para uma dimensão que, cumprindo a sua função social, respeitasse a carga de impostos que os portugueses poderiam pagar.
Mas, infelizmente, tal como confirmam os Ministros, nada de substancial no deficit estrutural e no investimento foi feito. Este Governo limitou.se a governar as circunstâncias, mas não reestruturou. Secaram as famílias, as empresas e a economia portuguesa dos seus recursos e da sua liquidez com uma dose brutal de impostos, e o Estado sobredimensionado, esse, ficou incólume para continuar a esmagar-nos.
E vai continuar, se o PS antigo, o que andou tantas vezes a toque de caixa da coacção ideológica do PC, BE e da sua esquerda marxista, voltar ao poder. Agravando decisivamente e definitivamente a situação económica e financeira portuguesa. Porque este PS que Mário Soares quer aliado com os partidos antidemocráticos, por motivos ideológicos, prefere o caos ( sair do euro e/ou sair da Europa ) a perder a estrutura de poder que o alimenta e se alimenta da sociedade portuguesa para a controlar.
A reforma do Estado, o corte indispensável na estrutura da despesa pública é o “break even point” do nosso próximo futuro: é o Cabo das Tormentas para os que querem ficar no passado burocratizante, asfixiante e clientelar a caminho da perdição; ou será o Cabo da Boa Esperança para os que querem continuar no Euro, na Europa e com a garantia de que viveremos numa democracia que ofereça estabilidade política, social e de segurança cívica aos seus cidadãos.