Terça-feira, 18 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Graças a Deus que a evolução tecnológica e a dos costumes enxeridos ainda não foram a pontos de permitir que se me veja a imagem enquanto laboriosamente redijo este post. É que hoje venho falar-vos, com licença, de merda. E não retoricamente, assim como quem acha que os sindicatos a puseram na ventoinha, ou se lembra do Euro ou do último discurso de Durão Barroso, mas merda propriamente dita. E daí que a minha tez naturalmente pálida se encontre por esta maré tingida de algum rubor, devido ao acanhamento.

 

Mas que não faço eu pela divulgação científica? E o caso é que a resistência que algumas bactérias, nomeadamente a clostridium difficile, adquiriram aos antibióticos, tem vindo a ser combatida eficazmente, parece, com transplantes de matéria fecal de indivíduos sãos.

 

Porém, a FDA, que é, creio, uma espécie de Infarmed, em mais sofisticado, nos EUA, meteu-se ao barulho e a milagrosa e imaginativa solução que alguns espíritos engenhosos encontraram para o problema encravou: A FDA não vê com bons olhos a variabilidade do produto, razão pela qual a certificação da merda e o estabelecimento dos adequados protocolos de transplante se afigura difícil. Vai daí, há médicos a desistir.

 

A história está contada aqui e, à boa maneira americana, já se lobriga no horizonte merda artificial devidamente etiquetada. Mas ainda estamos longe, e este hiato cria, de toda a evidência, uma oportunidade no âmbito do turismo de saúde, que é uma área de negócio que se tem vindo a expandir entre nós. Técnicos não faltam, instalações também não, e julgo desnecessário salientar a natural abundância de matéria-prima, em que a nossa terra é pródiga. Creio mesmo que não é excessivamente aventureiro supor que se a mecânica funciona no domínio intestinal com aquele difícil clostridium, talvez possa também funcionar com bactérias meníngicas, desde que para o efeito se utilize merda de origem cerebral. E desta há igualmente ricos depósitos - nem é preciso sair da blogosfera.

 

Fica o alerta.


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