Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
por João Gomes de Almeida

 

Percebo que estamos no grau zero, compreendo que foram feitas muitas asneiras e que durante vários anos andámos a viver à custa de empréstimos que agora não temos hipótese de pagar. Sei que os tempos são maus e que todos vamos ter que colaborar, sei que a austeridade tem que ser um designo nacional, percebo que a crise nos obriga a cortes e que a maneira mais fácil que temos para conseguirmos equilibrar as contas públicas, no curto prazo, é através do aumento dos impostos.


Sei também que este governo parece estar empenhado em cortar nas chamadas gorduras do Estado, sei que existe uma vontade expressa de pôr fim às regalias dos titulares de órgãos públicos e acredito que exista um programa estratégico que passe por retirar peso ao sector público na economia.


No entanto, também sei que nada disto é suficiente a longo prazo. Daqui a dois anos podemos estar com as contas do país equilibradas, mas se mantivermos esta carga fiscal sobre as famílias, estaremos também, certamente, todos a comer pão com manteiga e a beber cerveja cristal às refeições. Em suma, teremos um estado saudável, mas uma economia moribunda e uma classe média mártir e completamente empobrecida.

 

Desculpem, mas não é este o país que eu quero. Desejo esta força e vontade em equilibrar as contas públicas, mas ao mesmo tempo quero ver uma estratégia a longo prazo para a nossa economia. Quero poder trabalhar todos os dias e pensar que daqui a alguns anos estaremos melhor do que estamos hoje – quero acreditar que o nosso país pode ter um rumo.


Quero ter dinheiro para poder sobreviver, quero que a minha geração possa casar, viver condignamente e ter filhos. Quero que o mérito seja reconhecido a quem o tem e que o estado me deixe de obrigar a pagar a saúde dos outros, a educação dos filhos dos outros e os problemas dos pais dos outros.


Senhores governantes, sou de uma nova geração: que prefere uma economia forte a um estado forte.


Não quero ir ao hospital de graça, não quero ficar em casa a receber sem trabalhar, não quero meter os meus filhos na escola de borla, não quero ajuda de ninguém para comprar casa, não quero que me ofereçam um Magalhães, não quero que me paguem o curso e não quero que me dêem trabalho na função pública. Quero apenas que me deixem de ir ao bolso, que criem emprego e riqueza para o meu país. Do resto trato eu, quando o meu orçamento deixar de ser do Estado.


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7 comentários:
De Carlos Faria a 25 de Outubro de 2011 às 11:47
Não sei se não será um pouco tarde para voltarmos a ter uma economia forte... os insatisfeitos com a situação atual deixaram as coisas ir talvez longe de mais.


De maria pires a 25 de Outubro de 2011 às 20:17
Vim aqui ter por causa de uma citação na qual eu nem queria acreditar !
Mas agora percebi que este 'regimento' é do faroeste... Uma questão arrumada.


De Cobarde a 25 de Outubro de 2011 às 21:40
Se não é este Portugal que queres, então vai-te embora.
Não fazes cá falta.


De piopardo a 25 de Outubro de 2011 às 21:49
Uma coisa não percebi. Se não quer ser funcionário público, que raio tem o estado a ver com o reconhecimento do mérito de quem trabalha no privado?


De faroeste a 26 de Outubro de 2011 às 12:21
Amigo, aqui vai, curto e grosso, como gostas: quando te der um badagaio, não te autorizo, nem ninguém da tua familia, a ligar para o 112 para pedir uma ambulância para te levar para urgências de um hospital público. Sou objector de consciência fiscal em relação ao João Gomes de Almeida. Estás á vontade para fazer o mesmo em relação a mim. Não quero ter nada a ver contigo. Queres assim? Se a hipocrisia pagasse imposto, eramos um estado com superavit.
Há familias que não têm meios para ir ao privado tratar da saúde e ensinar os filhos. Muitas familias não têm sequer comida na mesa, se não for o Estado a ajudá-los, cobrando impostos para isso. Não queres que o estado te obrigue a contribuir para que essas pessoas tenham pelo menos a dignidade de sobreviver? E tens tu a lata de dizer que queres que a tua geração viva condignamente.


De André a 26 de Outubro de 2011 às 12:25
Não queres ou não precisas? Grande lambão!


De paula a 26 de Outubro de 2011 às 14:17
Que tal, então, ir com os seus viver para uma gruta? é que o que você não quer é viver numa sociedade democrática.


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