Terça-feira, 9 de Julho de 2013
por Luís Naves

Este autor, Luís M. Jorge, em Declínio e Queda, confunde os seus desejos com a realidade e faz isso com tal assomo de fé que não consegue ver o lado positivo de uma notícia no El Pais, que não fala em segundo resgate, mas em ajuda preventiva.
A notícia, a ser confirmada, demonstra que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira se está a tornar mais parecido com o Fundo Monetário Internacional. O FMI ajuda países em dificuldades, aplicando programas de ajustamento que nem sempre resultam no regresso fácil aos mercados. Assim, há mecanismos adicionais (por exemplo, empréstimos stand-by) que esses países podem usar em caso de necessidade, mas que não implicam medidas pesadas, embora geralmente estejam associados à manutenção do rumo.


É isto que está em causa no mecanismo que o Eurogrupo pondera para Irlanda e Portugal. Sublinho: a tal ajuda não será apenas para nós, mas primeiro para os irlandeses, que estão seis meses à nossa frente.

Um dos problemas do programa de ajustamento é a possibilidade de um País fazer tudo o que lhe mandam fazer e, no final, não conseguir mesmo assim regressar aos mercados. Em causa, estará a sua capacidade de continuar a pagar a dívida ou as importações, isto apesar de ter cumprido os compromissos. O que está a ser preparado é um mecanismo que resolve esta dificuldade. É preciso não esquecer que a zona euro nunca viveu uma crise que obriga a tirar Estados membros da situação de afastamento do financiamento normal. A questão é nova e obriga a negociações difíceis.

 

O segundo resgate é diferente de ajuda preventiva, pois implica um novo programa. No caso da Grécia houve segundo resgate, quando este país não cumpriu os termos do ajustamento. Foi tudo renegociado, os prazos alargados, surgiu mais dinheiro e as medidas ficaram mais duras.
Um segundo resgate implica que a troika fica mais tempo e que o investimento externo terá maior dificuldade em surgir. É adiada a recuperação da soberania financeira. Equivale também ao falhanço do programa de ajustamento e à definição de novas medidas, sempre mais duras. Portugal ainda não escapou a esta possibilidade e, francamente, durante a crise política da semana passada pareceu próximo de cair nela.
Na notícia do El Pais estamos perante um novo mecanismo da zona euro, que garante o regresso mais tranquilo aos mercados. Luís M. Jorge vê aqui a demonstração de que o programa de ajustamento fracassou. A conclusão é apressada. Se forem aprovados estes créditos cautelares, isso será a demonstração de que o ajustamento está em vias de ser concluído. Chamem-lhe resgate brando, se quiserem. São simplificações jornalísticas. Também lhe podiam chamar luz ao fundo do túnel, mas isso, para Luís M. Jorge, seria certamente propaganda governamental.

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