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Forte Apache

Resposta a duas críticas

Luís Naves, 15.07.13

Em Delito de Opinião, João André critica dois textos meus. O autor tem razão quando escreve que a democracia não se esgota em eleições ou na representação parlamentar. É evidente. Uma democracia implica muitos outros elementos, tais como mercado livre, imprensa plural, diversidade de opiniões, liberdade de manifestação, de participação cívica e de culto religioso. Uma democracia não será saudável com a discriminação de minorias étnicas ou de género, se existirem práticas de caciquismo ou forem comuns irregularidades que alterem a vontade do eleitorado. Uma democracia é incompatível com a corrupção, a ilegalidade e o mau funcionamento das instituições, por exemplo, dos tribunais ou das polícias.
Dito isto, repito que uma democracia saudável não tem manifestações dentro do parlamento, muito menos organizadas por representantes eleitos. A manifestação que critiquei no meu post foi uma tentativa anti-democrática de condicionar os trabalhos parlamentares. Tal como afirma João André, a avaliação do trabalho dos eleitos deve ser contínua, mas isso não pode levar-nos a defender o governo por sondagens. O que quer o povo? Faz-se uma sondagem. O Governo é impopular? Deve ir embora. E temos sempre a contagem de cabeças: se a manifestação contra tiver mais cabeças do que a manifestação a favor, cai o Governo.
Estou a caricaturar, naturalmente, mas julgo que defender a manifestação dentro do parlamento leva a conclusões populistas ou a situações do poder na rua. A democracia tem regras, uma das quais é o respeito pelo parlamento.

 

Em relação ao adiamento do pagamento dos juros, julgo que as vantagens são demasiado evidentes. Qualquer devedor sabe que é preferível pagar mais tarde do que pagar mais cedo, nem que seja pelo tempo que se ganha para reunir os recursos necessários. No caso, Portugal adiará o pagamento de 23 mil milhões de euros nos próximos dez anos, tempo mais do que suficiente para conseguirmos crescer um pouco, reduzindo assim a nossa elevadíssima dívida (pelo menos em proporção de PIB). A dívida em si não aumenta, mantém-se, mas poderá dentro de dez anos ter um peso menor na economia. Entretanto, os recursos podem ser usados, por exemplo, na redução de impostos. São dois mil milhões de euros anuais cujo pagamento é adiado com o apoio dos credores. Esta não é uma boa notícia, é uma excelente notícia.
Em relação à minha afirmação de que em 2023 a situação será provavelmente melhor, é óbvio que ninguém tem bola de cristal, mas esse é o raciocínio humano: o médio prazo é sempre acompanhado da esperança. 

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