Quinta-feira, 25 de Julho de 2013
por Luís Naves

Dois excertos de um texto mais desenvolvido sobre o Império Galáctico, publicado aqui.

 

No início dos anos 50, o escritor americano Isaac Asimov (1920-1992) publicou três romances de ficção científica, a que chamou a série Fundação. A obra, com enorme impacto na cultura popular, começou na forma de oito contos publicados numa revista especializada, sendo mais tarde desenvolvido um conceito que pretendia criar todo um universo com cronologia coerente. Na ideia base, que influenciou muitos jovens do seu tempo, estava a “psico-história”, uma ciência nova, desenvolvida pelo matemático Hari Seldon, e que pretendia prever os desenvolvimentos sociais e a evolução histórica.
(...)

Na verdade, o futuro do império não é diferente daquele que espera um pequeno país disfuncional. A evolução parece andar ao contrário: quem esteve com os vencedores, perde; quem apostou nos perdedores, ganha, sendo inelutável a lei de que os interesses resistirão à necessidade de reformas. Enfim, o império apodrece, mas todos dizem que se revigora, e dizem com mais força quando ele apodrece com maior intensidade. Há demasiadas emoções à solta e mesmo assim as equações funcionam. As personagens não controlam o seu destino, mesmo que o poder dê a permanente ilusão da mudança, que é mais um sintoma da doença da ruptura, embora pareça resistência activa a essa ruptura. Temos neste império imaginário um curioso beco-sem-saída: se não mudar, cai; mas se mudar, acelera a queda. O estertor está iminente quando deixa de existir honra, quando a lealdade se torna um perigo para o poder (como demonstra o general Riose, naquele que para mim é o melhor episódio da trilogia).


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