Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011
por jfd

Sou um trabalhador com um CIT. Celebrado entre mim e a minha empresa. Já lá vão quase 16 anos. Durante estes anos assisti ao fim do monopólio, vivi-o na pele, fui cedido a várias empresas do grupo. Trabalhei numas outras que desapareceram, mas sempre sobre o guarda-chuva da casa-mãe. Ali por volta de 2000/2001 temi pelo meu trabalho, pelo meu sustento. Vieram os rolos de papel higiénico de folha simples, a concentração dos edifícios, a limpeza de efectivos, o puxar ainda mais pela produtividade, a restruturação orgânica... Como nos dizia ontem o CEO; há muito que estamos em austeridade. Daí dizer de boca cheia e com orgulho que estou em crise desde 2000. Desde esse ano que cada vez mais temos de puxar pela criatividade para criar e manter mercado. Fomos lá fora procurar outras aventuras. Umas resultaram, outras não. A bem ou mal, à nossa escala, somos um exemplo caraças. E que exemplo.

Agora estamos todos no mesmo barco. Quase que pelas mesmas razões. Pelo exagero, falta de tino e de pensamento estratégico num futuro que pensamos sempre ser depois da marca da nossa preocupação.

Falo com pessoas que estão muito desanimadas. Falo com pessoas que estão lamentadas com a vida que têm. Todos nós em 1º ou 2º grau temos uma história triste, aterradora ou simplesmente desanimadora que ilustra os tempos que correm.

Vejo um Governo que com coragem nos quer levar para um caminho jamais trilhado. Tenho esperança. Aliás, já tinha. Sempre tive.

E depois leio isto:

Miguel Reis, do intitulado Movimento de Médicos com CIT, disse à Agência Lusa que a indignação está a crescer de dia para dia, como provam os 800 médicos que já fazem parte de um grupo criado numa rede social.

Em causa está um artigo da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2012, segundo o qual "os níveis retributivos, incluindo suplementos remuneratórios, dos trabalhadores com contrato de trabalho no âmbito dos estabelecimentos ou serviços do SNS com a natureza de entidade pública empresarial não podem ser superiores aos dos correspondentes trabalhadores com contrato de trabalho em funções públicas inseridos em carreiras gerais ou especiais".

Segundo Miguel Reis, são cerca de 6 mil os médicos com CIT que, graças a esta modalidade contratual, auferem vencimentos mais elevados do que os trabalhadores da função pública.

Que juntei ao que já tinha ouvido:

(...)O bastonário alerta para os riscos desta troca: "A substituição de um genérico por outro genérico induz um índice de variabilidade que é inaceitável e potencialmente prejudicial ao doente".

A tudo ainda se acumula a linda estória da Associação da Consciência Pesada pela Situação no SNS que agora foi criada com o intuito de salvar a saúde em Portugal.

E eu penso para comigo mesmo... Serei assim tão privilegiado por estar num local ex-monopolista, ex-público, que já passou as passas do Algarve e em que aprendi o que é lutar? Ou serei simplesmente alucinado e desfasado da realidade ao não entender esta, e muita outra boa gente?


tiro de jfd
tiro único | comentar | gosto pois!

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds