Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
por Rui C Pinto

No final deste mês, a população mundial ultrapassará a barreira dos 7 biliões de humanos. É um marco notável para a espécie, porém, assustador. Em 1930 a população mundial contava com 2 biliões de humanos. 80 anos depois mais do que triplicámos a população da espécie. Este crescimento acelerado provoca um evidente e insustentável stress no ecossistema. Estima-se que a população atinga 9 biliões de humanos em 2045. No meu entender a estimativa é demasiado conservadora. Ela baseia-se, desde logo, na contracção do crescimento populacional na China promovida pelo stress de recursos. Ora, parece-me evidente que a competição por recursos não se limita às fronteiras de um país, e a China tem feito uma aposta política e económica muito evidente em África, nomeadamente na África subsariana que tem muita terra fértil com potencial de exploração. Depois, a estimativa negligencia o potencial crescimento da população africana. Apesar de considerar as previsões demasiado optimistas, elas não deixam de perspectivar metas importantes. 9 biliões de humanos é um número temível. 

 

 

A competição por recursos tende, evidentemente, a aumentar. E não estou a falar dos recursos por que actualmente o mundo se move, minerais e hidrocarbonetos. Estou a falar dos recursos mais básicos: água e alimentos. Parece evidente que a pressão de tanta boca para alimentar vai levar ao brutal aumento de preços, e não tenho dúvidas que mais tarde ou mais cedo começaremos a gerir com poupança água e alimentos. Acima de tudo, o que me parece fundamental é que a pressão do aumento do número de habitantes no planeta constitui, também, desafios políticos. Um planeta aproximando-se dos 10 biliões de humanos terá de repensar o equílibrio na distribuição de recursos, desde logo de água potável, sob pena de comprometermos a segurança de todos... 


tiro de Rui C Pinto
tiro único | gosto pois!

De Marco a 27 de Outubro de 2011 às 11:57
O título engasgou-me logo: bilião <> milhar de milhão. Em Portugal usa-se a escala longa, logo, milhar de milhão = 10^9, bilião = 10^12.


De Rui C Pinto a 27 de Outubro de 2011 às 13:13
Tem toda a razão. Mas não se agarre ao detalhe.


De Marco a 27 de Outubro de 2011 às 13:54
Não é um detalhe, muito pelo contrário. Um erro destes num tópico sobre estimativas...

O resto são considerações vagas e alarmistas. A água potável não está em causa - a tecnologia de dessalinização tem décadas, e é activamente usada em muitos países; visto que quase 3/4 do planeta são cobertos por água salgada, não há aí grande risco.

Depois, espero ainda ser vivo para assistir à massificação da cultura hidropónica (tecnologia do séc. XVIII), mas não acalento grandes sonhos de longevidade para ver a sintetização alimentar de forma massificada.

E custo energético para isto tudo? Mais uma vez, espero viver o suficiente para ver as primeiras centrais de fusão nuclear. A energia do campo ponto zero, infelizmente, parece-me estar a bem mais de um século de distância. Já para não falar em estações solares em órbita.

Desafios políticos? Sem dúvida, mas não no sentido que aponta. É preciso força e visão política para manietar o lobby dos hidrocarbonetos, e reforçar a investigação no campo energético. Sem esse, nada feito.


De Rui C Pinto a 27 de Outubro de 2011 às 14:51
É um detalhe que infelizmente persiste. Em Portugal sempre se utilizou a nomenclatura 3n, para os grandes números. Apenas em 1948 adoptámos a nomenclatura 6n (à data era a norma utilizada no Reino Unido). Hoje, somos dos poucos países onde esta nomenclatura é utilizada, até o Reino Unido já usa o bilion, pelo que seria muito útil que voltássemos a adoptar a nomenclatura 3n. Eu, como no execicio da minha profissão uso a nomenclatura 3n, mantenho-me fiel a ela.

Quanto às considerações vagas e alarmistas:
A tecnologia de dessalinização é caríssima, por isso só é utilizada praticamente pelos israelitas pelos motivos óbvios de necessidade de auto-abastecimento. Ainda assim, para conseguirem manter o preço de água minimamente sustentável para as finanças públicas apenas incorporam cerca de 10% de água dessalinizada na rede.

O custo energético poderá ser colmatado com as centrais de fusão nuclear, de facto. Resta saber se a fusão é viável economicamente.

Todas as soluções tecnológicas são possíveis. A questão está no equilíbrio entre os avanços tecnológicos e o aumento da população. E esse equilíbrio não depende do lóbi dos hidrocarbonetos! Esse equilíbrio depende de os chineses começarem a fazer uma (apenas uma!) refeição diária com carne.


De Joao Andre a 27 de Outubro de 2011 às 19:37
A tecnologia de dessalinizacao nao e assim tao cara. Os principais custos sao energeticos, mas o problema e muito mais complicado do que simplesmente dizer que se usa agua do mar dessalinizada para suplementar a agua potavel natural. Esta esta em franca diminuicao por causa da poluicao e e preciso recorrer a tecnologias de... dessalinizacao para a limpar. Isso ja e actualmente muito feito.

A questao da agua e a sua associada - energia - e cada vez mais o maior desafio do seculo XXI. E nao se aplica so a Israel. A India recorre a ela, o Brasil idem, a California segue por esse caminho e Singapura ja produz uma parcela muito substancial da sua agua potavel dessa forma.

Israel podera ter uma quantidade de agua dessalinizada vinda do mar relativamente pequena, mas apenas e so porque pratica a reutilizacao de agua de forma intensiva. E esta usa tambem tecnologias de dessalinizacao.


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