Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

Em toda esta novela da privatização da RTP existe uma coisa que ainda não compreendi.

 

Eu tenho uma empresa que se dedica a um determinado negócio. O meu vizinho lançou uma empresa no mesmo ramo de negócio. O mercado passou a ser dividido por dois. Entretanto, outro vizinho decidiu dedicar-se ao mesmo negócio e criou uma empresa. E assim sucessivamente. Hoje, como ontem, no meu ramo de negócio existem inúmeras empresas e o mercado não cresceu, infelizmente, na mesma proporção.

 

Nunca me passou pela cabeça pressionar este, ou qualquer outro Governo a criar leis de limitação do meu mercado. Por acaso era bestial! Sempre tinha o mercado na mão e podia dedicar-me, sei lá, ao golfe.

 

Por isso, alguém me sabe responder de que se queixa o Dr. Balsemão? Do mercado livre? Da concorrência?

 

Principalmente, o Dr. Balsemão. Reparem, a Impresa é uma excelente empresa de comunicação social. No mercado dos semanários é imbatível. Porquê? Por ter o semanário largamente preferido dos portugueses. Existe concorrência? Existe. O mercado é livre? É. Então, o que aconteceu? Simples, o Expresso é o preferido e, por isso mesmo, já viu morrer o Semanário, o Independente, o Liberal, entre outros e até o Sol não conseguiu nem consegue fazer grande mossa ao Expresso. A SIC Notícias é quase imbatível. Motivos? Os mesmos. Já a Visão continua a liderar mesmo com a concorrência forte da Sábado (a Focus não faz grande mossa). Existem mais exemplos.

 

Sinceramente, não consigo compreender o medo do Dr. Balsemão. Será que não acredita na sua SIC e nos seus profissionais? Ou será que é, apenas e tão só, uma questão pessoal. Tão pessoal que até está a cegar aquele que é, de longe, a grande figura empresarial da Comunicação Social portuguesa dos últimos 40 anos?


tiro de Fernando Moreira de Sá
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10 comentários:
De a.marques a 27 de Outubro de 2011 às 19:58
Se o Senhor tivesse um quintal lá para o meu Trás-os-Montes ia querer que o sulco da água para rega escorresse só para a sua plantação? Deixem-se de querer praticar homicídio no vizinho com iguais direitos brandindo sacholadas mentais.


De Ricardo Vicente a 28 de Outubro de 2011 às 07:25
Ninguém gosta de concorrência: dá muito trabalho ter de tentar ser melhor que os outros todos os dias. A opinião de Balsemão ou outros sobre a concorrência não me espanta nada, ainda têm o condicionamento industrial na cabeça - e nas leis.

O que me espanta é ver CONSUMIDORES a não darem valor à concorrência. E espanta-me ainda mais quando quem o faz são bloggers da direita, que adoram dizer que a evolução de preços da gasolina é culpa da tributação (como se os impostos nessa área mudassem todas as semanas) e passam a vida a bater palminhas à privatização de monopólios e privatização de não-monopólios que passam a monopólios em consequência da privatização.

-> A quantas empresas DIFERENTES e INDEPENDENTES umas das outras é que vão ser vendidos os aeroportos?

-> Está o governo ciente do erro que é vender a RTP à PT?

-> Porque é que ninguém no Governo parece perceber que LIBERALIZAR é mais importante do que privatizar e é, aliás, um passo ANTERIOR à privatização?

-> Privatizar em época de crise económica é um erro. Não seria possível cumprir o défice para este ano e o próximo sem recorrer a privatizações desesperadas?


De a.marques a 28 de Outubro de 2011 às 11:24
Não terei deixado claro que Senhor a que faço referência é Pinto Balsemão.


De weber a 28 de Outubro de 2011 às 10:26
Este tiro nem parece seu.
Creio que colabora com o Porto Canal, o que lhe dá competências seguras quanto ao negócio da TV.
A RTP, no modelo actual tem condicionamentos, e não são poucos, que decorre do contrato que tem com o Estado, para prestar, em permanência, serviço público.
Isto reflete-se, entre outras coisas, na publicidade que pode angariar. Está diminuida em relação aos outros operadores.
O seu modelo de financiamento é discutível, tem um histórico cómico...mas é o modelo.
O que diz Balsemão e Paes do Amaral é, se o governo vai alienar um dos Canais (não se sabe ao certo qual deles e qual o modelo de alienação...e de compensação para os outros operadores) eles vão poder "abocanhar" quota do mercado da publicidade, actualmente, a encolher e muito depreciado.
Lembra-se do malfadado concurso promovido pelo governo de Sócrtaes para um 4º Canal em sinal aberto?
Foi boicotado pelos grande operadores e, dizem, terá custado um guerram que o derroptou, com o grupo Impresa.
No que concerne à Televisão, em Portugal, é um problema complicado.
Agora, também se sabe, que o PSD, esta actual liderança prometeu "privatizar" a RTP e "prometeu" à Cofina (que detém, entre outros o Correio da Manhã...) um Canal de TV.
Isto mais parece a "quadratura do circulo", não o programa da SICnoticias, mas o insolúvel problema de geometria.


De Fernando Moreira de Sá a 28 de Outubro de 2011 às 11:54
A minha questão é esta: de que se queixa o accionista maioritário da Impresa?

Não estou a discutir modelo de privatização nem a questão do serviço público. Estou a discutir "o negócio" comunicação social vs os outros negócios.

Um abraço.


De Ricardo Vicente a 28 de Outubro de 2011 às 12:29
A "tese" é que a comunicação social é um "negócio diferente". Todos os negócios são "diferentes" quando o objectivo é impedir que uma barreira qualquer à concorrência seja demolida.

Um caso exemplar do "negócio diferente" é o mercado de medicamentos e o mercado de serviços médicos.


De Rui C Pinto a 28 de Outubro de 2011 às 10:35
Eu confesso que também não percebo o Senhor Pinto Balsemão.

Acima de tudo por ter crescido admirando um homem que era tomado como uma referência enquanto empreendedor e visionário. Um homem que teria arriscado para construir um império na comunicação social. Agora vejo, que afinal apenas aproveitou um sector onde não havia concorrência para se estabelecer e, agora, para proteger activamente...


De Ricardo Vicente a 28 de Outubro de 2011 às 12:00
Os empreendedores e visionários são quase todos iguais:

-> o projecto SIC, de Balsemão, consistiu em substituir-se à RTP1, capturando o exclusivo das novelas da Globo, o futebol da primeira divisão, os melhores jornalistas, o Herman José. As únicas inovações da SIC que perduraram foi o "jornalismo popular" em que o jornalista não sabe nada de um acontecimento e vai-se pôr a perguntar às pessoas se sabem de alguma coisa; os espectáculos populares chunga (antes do Big Show SIC, a moderação era a regra: lembram-se dos programas do Júlio Isidro?);

-> Bill Gates: depois de criar o primeiro micro-sistema operativo, passou o resto da carreira a tentar destruir os concorrentes através de uma miríade de truques anti-competitivos. O Office só tem piorado desde 2003; o Internet Explorer este desactualizado durante 10 anos (não tinha multi-tabbing); o Windows tem tido mais baixos do que altos.

-> Steve Jobs: o gajo que percebeu que os adolescentes e os jovens adultos que gostam de ser diferentes têm rios de dinheiro para gastar; é o rei da obsolescência-programada: cria produtos cujo prazo de vida é propositadamente curto e em que os acessórios necessários para prolongar a vida dos aparelhos têm standards exclusivos e custam fortunas. Aliás, Steve Jobs é também o campeão da não-compatibilidade: nem o raio da saída USB de um iPod é universal!


De Grande Chefe Barata Gorda a 9 de Novembro de 2011 às 12:50
Nao poderia estar mais de acordo: "Os empreendedores e visionários são quase todos iguais".

Aquilo de que Balsemao aparentemente se queixa é de ter de continuar a sê-lo. A SIC impôs-se fundamentalmente pela informaçao. Foi de facto uma pedrada no charco, mas o que a manteve anos a fio como líder foi a informaçao, quiçá passando para a televisao o que eram/sao o Público e o Expresso enquanto jornais.

Todos os exemplos de liderança apresentados no artigo revelam o que faz de FPB "uma referência enquanto empreendedor e visionário": a Visao (passe o trocadilho fácil com a revista referida).

A revolta do Rui é um bocado incompreendida: FPB é um defensor daquilo a que eu chamo por brincadeira "mercado livre à portuguesa". Nao porque os portugueses sejam particulares adeptos da coisa, nisso sao iguais aos outros, mas porque em poucos lados como aqui se chama a mercado (quasi) monopolista "mercado livre".


De Ricardo Vicente a 11 de Novembro de 2011 às 10:25
Em Portugal não existe praticamente liberalismo nenhum. Todos - trabalhadores, empresários, políticos - preferem ser protegidos da concorrência. Em tal "capitalismo pouco competitivo" ou, como diz, "mercado livre à portuguesa" não se pode pois esperar nem grande empreendedorismo nem grande inovação.


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