Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
por José Adelino Maltez

 

Para os devidos efeitos, confesso que, por não poder ter partido, com estes a que chegámos, estou condenado a ser comentador político, embora não divida o mundo entre os que são adeptos de Mendes Bota e os que foram à Festa do Avante, porque tanto não tenho tolerância zero face ao presente governamentalismo, como também não visiono a política como luta entre amigos e inimigos.

 

Prefiro continuar a discutir os novos deuses, as velhas pátrias, as antigas constituições e os eternos impostos contra as famílias e os indivíduos. Se reconheço como excelentes os economistas que nos presidencializam, primo-ministerializam e ministerializam, tenho dúvidas e até me costumo enganar. Daí que não goste de ser enrolado pelos que fingem que há previsões e cenários sobre o princípio do fim, quando ainda estamos no mero fim do princípio e continua a faltar que, nos princípios, estejam os verdadeiros fins!

 

Problemas económicos e financeiros como os desta encruzilhada só se resolvem com medidas económicas e financeiras. Mas não apenas com as medidas económicas e financeiras de um memorando negociado por Sócrates, face à coacção das circunstâncias e com algumas reservas por parte dos que assinaram o texto. Tenho a ilusão de acreditar que, a partir de segunda-feira, o novo líder do PS pós-socrático poderá ter várias reuniões com o chefe do governo sem exigir a presença de testemunhas, para que não se reduza o consenso dos tais 85%, que são qualitativamente melhores que o absolutismo curto da mera aritmética parlamentar.

 

Daí detestar que alguns activistas da teatrocracia exagerem nos argumentos de rábula, os tais que podem gastar-se pelo mau uso e transformar-se em caricatura, quando for inevitável uma adequada maioria constitucional. Já conheci muitos desses excelentes que, depois de desusados, passam a prostituir-se pelo abuso do espectáculo.

 

Como sempre fui céptico face aos programas que estão na base deste governo, continuo entusiasta face aos velhos princípios liberais, que estão à esquerda do PPE e à direita do socialismo europeu. Prefiro recordar que, para vencermos o Adamastor, sem morrermos na volta, é inevitável a geometria política e social de um acordo de regime, para que nenhum piloto do futuro tenha a amargura de poder tornar-se no coveiro do regime.


tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | gosto pois!

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds