Terça-feira, 1 de Novembro de 2011
por Rui C Pinto

A Europa está em choque com o facto de os gregos poderem pronunciar-se quanto ao seu futuro. E isto, aquilo, aqueloutro e estoutro são notícias vexatórias para todos nós. O governo grego, a braços com um país mergulhado num caos económico e social, decide, e bem, vincular o povo a uma solução por forma a criar condições políticas para a saída da crise. Consequentemente Paris, Berlim e Roma estremecem com o enorme estrondo das bolsas e dos juros da dívida dos periféricos. 

O milionésimo plano de salvação do euro está ameaçado, imagine-se, pela soberania do povo grego. A postura de Merkel que tem sido a de uma total impotência perante a opinião pública alemã, parece não respeitar do mesmo modo a opinião pública dos gregos. Volto a repetir o que escrevi há um mês e que é hoje mais que evidente: enquanto o plano de salvação do Euro não incluir os gregos nas suas negociações não há salvação possível. São os gregos que estão ao leme da Europa. Os franceses e os alemães vão no cesto da gávea.


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16 comentários:
De Rui C Pinto a 1 de Novembro de 2011 às 22:34
Percebo. Mas não pode eliminar da equação o facto de a Europa andar há quase dois anos a arrastar com a barriga uma solução para a Grécia.

Já há muito que sabemos que a Grécia não tem como pagar a dívida, andou a arrastar-se a decisão pelo perdão de 50% da dívida que se sabe também não ser suficiente para resolver o problema...

Os gregos serão naturalmente, e em última análise, as maiores vítimas das suas decisões. Mas, neste caso, são também vítimas de não se ter feito o que se devia no seu devido tempo ao nível europeu.


De Ricardo Vicente a 1 de Novembro de 2011 às 22:44
Como já escrevi várias vezes, o default ordenado deveria ter começado pelo menos a partir do momento em que se decidiu ajudar, na minha opinião especulaticamente, com 109 mil milhões de euros. Isto é, há cerca de ano e meio.

As últimas decisões são, como escrevi no meu último post, insuficientes. Mas são melhores do que nada. Se os gregos votarem não no referendo, é nada que eles vão escolher. Mas quem escolhe o nada vai acabar por perder muito mais: vão perder a democracia, vão perder as poupanças nas contas bancárias e vão perder a sua pertença a um espaço maior chamado União Europeia. E, com a saída deles, esta União leva um rombo político, militar, económico e de credibilidade tremendo.


De Pedro Correia a 1 de Novembro de 2011 às 22:58
De acordo, Ricardo.


De Rui C Pinto a 1 de Novembro de 2011 às 23:23
Ora bem. Os sucessivos planos foram adiando a solução e foram consumindo politicamente o governo grego. A União já levou um rombo político ao demorar tanto na resolução do problema.

O referendo é um wake up call à União. Não me parece que um não no referendo grego signifique necessariamente a saída do Euro. Parece-me, aliás, que um eventual Sim é mais relevante no curto e médio prazo que um Não. O Não precipitará eleições e a negociação de um novo pacote (possivelmente mais ambicioso e mais eficaz). O Sim manterá o actual governo e dar-lhe-à a autoridade que precisa para por ordem nas ruas e (aparantemente) nas forças armadas.


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