Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Francisco Castelo Branco...

 

Os gregos forjaram as contas públicas para entrar no euro: não tinham condições económicas nem de honestidade que justificassem a sua entrada. Sarkozy tem razão.

Mais uma vez, recordo aquele texto de Vasco Pulido Valente sobre a importância dos aspectos formais da democracia. NÃO é democrático lançar um referendo quando o país está em guerra, em grave calamidade natural, estado de sítio ou de emergência. Referendos em tais circunstâncias é coisa para uma américa do sul, não é para uma democracia normal e estabilizada da Europa.

Papandreou serve-se da "democracia" como arma de arremesso/chantagem contra a Europa que lhe quer perdoar 50% da dívida. Este comportamento é absurdo, irracional, um suicídio colectivo forçado por um socialista maluco. O resultado é que a Grécia sairá do euro e da União Europeia, terá um empobrecimento imediato com a redução drástica e instantânea do valor dos depósitos bancários, ficará provavelmente governada por uma junta militar ou por um governo de salvação nacional tutelado pelos militares, ficará mais exposta ao avançar do predomínio turco cada vez mais veloz e determinado um pouco por todo o Mediterrâneo e, como é evidente, de fora da União fica também sem qualquer projecto de desenvolvimento económico. Ao dizer não no referendo abilita-se a já nem receber apoio do FMI. O resultado final vai ser uma mini-américa do sul na periferia da Europa.

 

Nem golpe de génio, nem esperteza, nem democracia, nem nada: o que Papandreou fez foi o acto de maior irresponsabilidade política alguma vez registada na União Europeia. Quem assim joga com a democracia, merece claramente perdê-la. Mas a Grécia perde muito mais do que isso: perde dinheiro, economia e quaisquer perspectivas de crescimento. Só lhe restará ir para a fila de espera do Banco Mundial, ao lado de tantos países africanos, e estender a mão por "ajuda ao desenvolvimento".


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24 comentários:
De Tiago Mateus a 2 de Novembro de 2011 às 16:17
É esse caminho que apelido de suicídio assistido.
Quanto as diferenças face à Grécia, penso que acabarão por se esbater quando formos "convidados" a sair do Euro.


De Ricardo Vicente a 2 de Novembro de 2011 às 16:26
Este caminho implica custos que não seriam necessários se entrássemos já em default. Isso são perdas cuja única razão de ser é puro eleitoralismo.

Mas também é verdade que este é o caminho para o melhoramento do país. O Estado, a administração pública, a educação, basicamente TUDO em que o Estado intervém (isto é, quase tudo da vida nacional) funciona mal e é preciso melhorar.

A parte triste desta história é que estas alterações estão a ser feitas na pior altura e, aparentemente, só por causa da crise. Passos Coelho está a fazer agora aquilo que Guterres deveria ter feito.


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