Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Forte Apache

Cleo & Johnny:

Fernando Moreira de Sá, 08.09.11

O momento em que Cleo, banhada em lágrimas, se despede do pai é profundamente perturbador. Naquele instante senti o estômago colar e medo. O verdadeiro medo de algum dia passar por semelhante calvário.

 

Somewhere, de Sofia Coppola, entrou directamente e a exemplo de “Lost in Translation” para a galeria dos grandes filmes da minha vida. Este filme é um retrato fiel destes tempos que, no fundo, pouco diferem dos anteriores excepto na forma livre como hoje tudo pode mudar. Um filme sem preconceitos nem lições de moral para o espectador. Um retrato. Um espelho de muitas vidas e outras tantas relações interrompidas com os filhos apeados no meio do caminho.

 

Somewhere é um filme perturbador. Pelo menos para mim. Perturbou-me. É isso que espero do cinema, que me surpreenda, que me conte uma história, que me deixe a pensar ou a sonhar. Senti, ao visionar Somewhere, o mesmo que sentira antes com “Breaking the Waves” de Lars Von Trier, ou “Simplesmente Genial” de Scott Hicks ou o mítico “Cinema Paraíso” de Giuseppe Tornatore.

 

Quando Johnny pára no meio de nenhures, com o seu magnífico Ferrari e parte, deixando tudo para trás, fiquei, literalmente, como um pugilista depois de uma valente esquerda: pendurado nas cordas inanimado.

 

Levantei-me, peguei no marlboro e no copo numa só mão enquanto com a outra puxei a minha mulher e fomos até à varanda fumar um cigarro olhando para a madrugado do nosso Douro. Saboreando o filme acabado de ver, não trocamos uma única palavra durante alguns minutos. Nada havia a dizer. A Sofia Coppola já tinha dito tudo. Em Somewhere, um filme apaixonante. Como a vida.

3 comentários

Comentar post