Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
por João Gomes de Almeida

 

Decidi escrever-vos para falar do original tema Face Oculta, tão pouco na berra. Na verdade, ao ler tudo o que tem sido escrito sobre o julgamento, a única coisa que não me sai efectivamente da cabeça é o facto de Armando Vara ter confessado ter recebido "pão de ló e robalos" de Manuel Godinho - como alguém disse um dia: num país desenvolvido até a corrupção é um assunto sério de mais para ser tratado por sucateiros. 

Mas meus amigos, já que este é um blogue às direitas, permitam-me ser um bocadinho snob. Afinal quem é o tipo que aceita receber robalos? Ainda por cima sendo administrador de um banco? Eu próprio me sentiria incomodado se um estafeta me entrasse pelo escritório com 5 kg de robalos  - é que jantar com um tipo de bigode e gel na cabeça, vestimentas estranhas e sucateiro, pronto, tudo bem, agora aceitar robalos? É que nós portugueses temos aquele hábito de oferecer queijos, vá chouriças, vá no limite bacalhau no natal, agora, robalos? Onde raio é que o Armando Vara guardava os robalos no interior do banco? Será que os outros administradores quando iam à copa buscar um nespresso tinham que gramar com o fedor dos robalos?

Todo este caso me intriga bastante e não sei até que ponto a defesa de Armando Vara não deveria arrolar como testemunha um técnico de controlo alimentar, para provar que um tipo que aceita robalos vindos de Esmoriz, estando ele a 300 km, é na verdade inimputável por motivos de saúde mental, ou falta dela, entenda-se. Quanto à confissão de Armando Vara relativa ao pão de ló, não posso deixar de dizer que acho uma estratégia extremamente errada por parte da defesa de Ricardo Sá Fernandes. Então o Armando vai confessar a um colectivo de juízes de Aveiro (terra dos arqui-rivais ovos moles e tripas doces) que se deixou subornar por pão de ló de Ovar? Isso é o mesmo que dizer ao Eduardo Barroso que preciso que me arranje um transplante urgentemente a tempo de ver o Benfica campeão.

Meus amigos, tudo isto foi para vos dizer que o poder da influência é uma coisa séria, que deve ser tratada civilizadamente e legislada, tal como acontece nos países desenvolvidos. É que de hoje para amanhã o nosso país, com estas "elites", não passará de um aquário da Europa, afundado e bem afundado, por quem olha para nós de fora com desprezo, por termos ex-governantes a dizerem em tribunal que foram subornados em troca de robalos e pão de ló (sponge cake?!) - qual Grécia qual quê.


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2 comentários:
De Francisca Prieto a 9 de Novembro de 2011 às 23:30
Ê pá, o pão de ló ainda vai, agora os robalos?? Isso é o chamado presente envenenado: há que tirar-lhes as tripas, escamá-los, um horror.
Vê-se logo que é mentira.

É como quando um amigo meu caçador se apresenta cá em casa com meia dúzia de perdizes, todas por depenar. Eu cheia de nojo a pegar-lhes por uma ponta, com vergonha de dizer que não arranjo aquilo nem morta. Um verdadeiro petisco.

Nos tempos das vacas gordas, o Correio da Manhã tinha a tradição de mandar um perú ao pessoal das agências de publicidade, por alturas do Natal. Ainda hoje é célebre a história de uma colega nossa da Media que, por andar a tratar de milhentas coisas, se esqueceu do perú no frigorífico da agência durante a semana das festas. Quando foi finalmente resgatado, o animal estava com um aspecto desolado e impraticável para consumo.

E os Bolos Rei da RTC? Será que poderíamos considerar corrupção aceitar de bom grado a ginja cristalizada?
Isto dá que pensar, pá.


De maria a 10 de Novembro de 2011 às 12:33
faz lembrar aquelas consultas médicas, quando o paciente, regra geral pobre, pagava ao médico com batatas, ovos, galinhas, ou cabritos. como testemunhas são quinhentas, antevê-se um julgamento gatronómicamente rico...


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