Sábado, 12 de Novembro de 2011
por Luís Naves

Silvio Berlusconi colocou a Itália à beira da falência, mas parece que o processo democrático foi interrompido.

Na Grécia, um governo irresponsável criou uma situação que pode levar o país a um recuo sem precedentes, mas a democracia também foi interrompida.

Nestes dois países, os partidos políticos entenderam-se, substituindo governos frágeis por outros tecnocráticos, chamados de salvação nacional e com apoio parlamentar abrangente, com a missão de aplicarem programas de austeridade e cumprirem compromissos internacionais (que os anteriores executivos não conseguiam aplicar), além de prepararem eleições. Mas, para este autor, estamos perante uma interrupção da democracia. As instituições funcionaram, vai haver eleições, mas isto não é democrático; e a culpa é da Europa, essa entidade mítica. Sim: a Europa interrompeu a democracia na Itália e na Grécia, duas vítimas cuja pujante política interna ameaçava provocar um afundamento geral.

Seria bem melhor que tudo ficasse como estava.

 

Lemos os editoriais de publicações internacionais sérias e os textos são unânimes em elogiar as decisões agora tomadas pelos políticos italianos e gregos. As populações vão pronunciar-se em eleições num prazo de dois ou três meses. Acabou um impasse perigoso para todos, mas Pacheco Pereira conclui que a Europa não é democrática.

Que razão obscura levará uma pessoa inteligente a escrever um texto tão demagógico (dos pés à cabeça), cheio de conclusões erradas e que não resiste a 30 segundo de análise de um taxista ucraniano que não saiba nada de política?

Talvez seja melhor lermos autores lúcidos, como Viriato Soromenho-Marques.

E concordo com Isabel Moreira, em Aspirina B, vale a pena ouvir isto e comparar com o que a esquerda afirma em Portugal.

A Grécia precisa de um plano Marshall (chamem-lhe o que quiserem) e as regras do BCE têm de mudar, o que exige alterações urgentes nos tratados, mas no vídeo há outras afirmações interessantes.


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2 comentários:
De Ricardo Vicente a 16 de Novembro de 2011 às 10:03
Interrupção da democracia? Mas aqueles dois países são regimes parlamentares! Os parlamentos, coadjuvados por um chefe de estado, têm legitimidade para formar novos governos sem necessidade de recorrer a novas eleições. Pode ser desejável, mas não é necessário. E haverá eleições nos dois países. Na prática, os eleitores votam nos governos. Mas em termos formais, os eleitores votam em parlamentos e estes nomeiam governos. E as formas também são importantes em democracia.


De Ricardo Vicente a 16 de Novembro de 2011 às 10:41
"Mas, para este autor, estamos perante uma interrupção da democracia."

Já percebi: falta um link na frase para o tal autor.


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