Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
por Pedro Correia
 

O PS vai sair deste congresso de Braga com o mesmo dilema estratégico que tinha no início: ao contrário do PSD, permanece sem um parceiro natural de coligação.

Não é uma questão de somenos. Desfeitos os sonhos antigos da "unidade de esquerda", as possibilidades de cooperação entre o partido liderado por António José Seguro e as restantes forças políticas que se reclamam do socialismo são hoje tão remotas como eram nas legislaturas em que António Guterres e José Sócrates governaram sem maioria absoluta ou nos anos - mais remotos - em que Mário Soares se viu forçado a coligar-se, à vez, com o PSD e o CDS.

Fustigado simultaneamente à esquerda e à direita, sem efectivas pontes de entendimento com bloquistas e comunistas, o PS continua condenado à solidão política. Não se trata de um problema conjuntural: é uma questão de fundo para as diversas correntes da esquerda portuguesa.

É certo que Seguro tem a seu favor o factor tempo: não está pressionado por nenhum calendário eleitoral. O secretário-geral dos socialistas deixou, aliás, isso bem patente no longo discurso desta noite aos congressistas: "Faltam 48 meses" para as próximas legislativas e "esta é uma corrida de fundo e não um somatório de corridas de 100 metros", sublinhou, procurando refrear alguns entusiasmos condenados a esgotar-se no curto prazo.

Quarenta e oito meses, 1461 dias: resta saber se é tempo suficiente para que as diversas esquerdas ponham o diálogo à frente das divergências, aparentemente insanáveis. Todos os indícios sugerem que não.


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