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Forte Apache

Ir além da greve

Luís Naves, 24.11.11

Discordo totalmente de alguns posts anteriores neste blogue sobre a greve geral. Tenho muito respeito por grevistas e já participei numa greve difícil. (A propósito, como é que se faz uma greve sem piquetes?)

Os grevistas têm todo o direito de não trabalhar hoje e razões de sobra. As suas reclamações são justas e as dificuldades por que passam muitas famílias portuguesas devem recomendar em todos o respeito democrático por este tipo de opção. É preciso coragem e custa dinheiro.

Não farei greve, pois penso que esta é potencialmente prejudicial para a empresa onde trabalho e até para o país, tendo em conta a situação em que nos encontramos, com a soberania mitigada. Na minha opinião, a actual crise financeira reduziu a nossa liberdade e a greve geral não servirá para alterar em um milímetro decisões que escapam ao nosso controlo. Os próprios sindicatos sabem que nada irá mudar.

 

Aproveito para criticar outro mito na moda, segundo o qual este Governo "está a ir além da troika". Esta falácia é repetida mil vezes e de tal forma entrou na linguagem que começa a ser difícil de contrariar. Na realidade, o governo está a ir aquém da troika, como se esforçaram por demonstrar os representantes dos nossos credores. Eles disseram que o Governo está a cumprir os objectivos, mas que as reformas estruturais estão atrasadas e que uma delas, que consideravam importante, até tinha sido rejeitada (a redução da TSU).

Se forem atingidas as metas do défice de 5,9% este ano e de 4,5% no próximo, então o Governo estará a cumprir o memorando da troika. Se o Governo tivesse um défice de 5,8%, então sim, podíamos dizer que se tinha ido além da troika. 

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