Domingo, 27 de Novembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

 

Ao segundo golo, o V. (benfiquista) levantou-se e foi comer. Ao meu lado, H. (adepto do Braga) lançou um palavrão enquanto eu gritava como um doido ao ver as redes balançar. Quando Hulk fez o passe para o terceiro golo explodi de alívio para tristeza dos meus dois companheiros/camaradas. 

 

Um bracarense, um benfiquista e um portista foram ao Dragão ver o Porto-Braga. As nossas diferentes paixões não foram nem são motivo para deixar de ir, num frio final de tarde, juntos, assistir a um jogo de futebol. Foi, independentemente do resultado, um final de tarde bem passado. O futebol é isto. Devia ser sempre assim. Infelizmente, como se viu, ontem, na Luz, não é assim.

 

Eu não aceito ter de ir para dentro de uma "jaula" para assistir a um jogo de futebol. Nem aceito que, para ir ver um jogo do meu Porto a um qualquer estádio de futebol, tenha de esconder o meu fervor, a minha paixão pelo meu clube. Por isso mesmo, levo sempre o meu cascol e como não entendo estas coisas de forma diferente, preferi deixar de ir a certos estádios. Quem ficou a perder? A receita de bilheteira do outro clube (deixando de vender, no mínimo e à minha conta, dois bilhetes).

 

O que aconteceu na Luz, e noutros dias em tantos outros estádios, é uma vergonha e uma desgraça para o futuro do futebol. Quando vou assistir ao vivo a um jogo vou para me divertir, para assistir a um espectáculo. Não vou para agredir nem para ser agredido. Nem para me meterem numa qualquer jaula ou para incendiar cadeiras. Não.

 

Hoje, fui com o V. e o que me ri com as suas bocas de lampião. Fui com o H. e o que me diverti com as suas bocas de "guerreiro do Minho". Eles foram comigo e o que se riram com o que está escrito no meu cascol. Diversão, paixão e amizade. Futebol, portanto. O contrário não é digno de "estar" no futebol. 

 

E no próximo jogo da Champions, lá estaremos. Juntos. O do costume a sofrer com o Porto e os outros dois a rirem-se e, lá no fundo, no fundo, sempre foram do Zenit desde pequeninos :)

 

(estava a ver que no fim me dava uma coisinha má!)


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8 comentários:
De Ângela Guedes a 28 de Novembro de 2011 às 00:15
Grande texto Fernando. No fundo, acho que a grande parte das pessoas que vão aos estádios vão para se divertirem e passarem hora e meia a descarregar o stress de uma semana de trabalho e esquecer a crise gritando com a equipa e o árbitro. É hora e meia de terapia sem pagar por isso a um psicólogo. Quem vai por outro motivo simplesmente não gosta de futebol. Para esses não é uma jaula, deviam mesmo ser erradicados dos estádios.
[também estive lá, gritei, insultei e vibrei por três vezes, voltando a insultar nos minutos finais, mas no final continuamos em primeiro ;-)]


De Fernando Moreira de Sá a 28 de Novembro de 2011 às 00:24
E o futebol, como sabes, são onze contra onze e no final ganha o Porto :))))))))



De inquieto a 28 de Novembro de 2011 às 13:56
Caro Fernando,
Só um reparo. Para a próxima não tens boleia :).
Futebol tem de ser isto, um local onde independentemente do clubismo as pessoas se possam divertir e ontem diverti-me muito.


De Fernando Moreira de Sá a 28 de Novembro de 2011 às 18:45
Um abraço!


De Eduardo Louro a 28 de Novembro de 2011 às 16:44
Fernando, sou benfiquista e, naturalmente, estive no sábado na Luz. Nas bancadas estavam milhares de sportinguistas. Na “minha” bancada, e à minha volta, perto de 20% eram sportinguistas que comigo partilharam um jogo vibrante, exultando com o que saía bem aos seus exactamente como eu, com o que saía bem aos meus. Aplaudindo, misturando cachecóis e trocando olhares e comentários. Sem constrangimentos. Famílias inteiras – ao contrário do que por aí se diz vai-se ao futebol em família (cada vez mais famílias multicor) - grupos de amigos que nem a paixão clubista divide ou simplesmente circunstanciais vizinhos de cadeira que, no fim, se despedem com um cumprimento … Como dei conta num post no meu blog depois do jogo. É lamentável que não haja mais gente a dar testemunho desta realidade. Mas é assim, só dão as más notícias! Quanto pior, melhor!
O que se passou, e o que se passa em todo o lado, nos espaços – “jaulas” ou não - ocupados pelas claques é outra coisa. Eu também não gosto de “jaulas” mas tenho enorme dificuldade em ver aquela fauna fora de espaços próprios e com segurança apropriada. Não é já enjaulados que eles chegam aos estádios? Não é como manadas de animais (pouco domésticos) devidamente encabrestados que eles fazem o percurso até ao estádio, qualquer que seja?
Pode discutir-se o timing, mas a caixa de segurança para as claques faz, a meu ver, todo o sentido. O que não faz sentido nenhum é o rastilho que dela fizeram…
Eu vou a qualquer estádio e compro bilhete para o local que mais me agradar, sem qualquer reserva que não seja o dinheiro que esteja disposto a gastar. Mas seria incapaz de assistir a um jogo de futebol no meio de uma claque do meu clube, onde quer que fosse.


De Fernando Moreira de Sá a 28 de Novembro de 2011 às 18:56
Caro Eduardo Louro,

Posso até concordar com boa parte do que diz. Porém, eu bem sei o que já passei, nalguns estádios, só por estar identificado com o meu clube.

O problema, talvez, seja mesmo esse: a forma como as claques são tratadas, no bom e no mau. Entendo que existe espaço para claques organizadas e defendo a sua existência. Ao mesmo tempo, defendo que quem não se sabe comportar deve ser banido do futebol.

Ora, se um grupo organizado se desloca a um estádio e provoca desacatos pelo caminho e/ou dentro do recinto desportivo, deve ser tratado como tal pelas forças de segurança: detido, presente a tribunal e devidamente punido com proibição durante determinado período de regressar a um estádio e, se repetir a façanha, banido de uma vez por todas - a exemplo do que se fez em Inglaterra.

Os grupos organizados de apoio a um clube, quando dentro da Lei, são uma mais-valia para o espectáculo. Sendo, como se vê em tantos estádios por esse mundo fora, um verdadeiro espectáculo dentro do espectáculo. As coreografias, os cânticos e a forma como motivam a sua equipa são, penso eu, fantásticos. Quem é o benfiquista que não fica arrepiado com determinado cântico da sua claque? Quem é o sportinguista que não se emociona com o "só eu sei...." ou o portista que não fica em transe com o "nós somos a tua voz...".

Em suma, é uma questão de cumprir as regras e de as fazer cumprir.

Um forte abraço e obrigado pelo seu comentário.


De weber a 28 de Novembro de 2011 às 21:51
O meu caro andava um pedaço arredado destas coisas da bola, do FCP.
Duas vitórias seguidas...ajudam a animar.
Parabéns pelos 2-0 aos da Ukrânia.
E espero que lhes corra bem contra os russos do Zenith do Danny e do Bruno Alves.
O seu prosear agradou-me.
Contudo, passou ao lado dos insultos do Presidente do FCP a um jornalista da TVI no final do jogo. Parece que terá mesmo sido agredido.
A ser verdade....
Eu acho que quase TODOS os presidentes de clubes (Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa, Godinho Lopes, António Salvador...) deveriam estar "presos".
Estes são os verdadeiros responsáveis pelas arruaças, os desvarios, os dislates dos "adeptos", que nem gostam de futebol.
Aproveitam-se (isto é verdade para o Porto, para o Benfica e para o Sporting e começa a ser verdade para o Guimarães e para o Braga...) das supostas "claques" (todas infiltradas por proxenetas, dealers de droga, meliantes de baixo e alto coturno, neo-nazis no caso do Sporting...) para, supostamente, "animarem" os seus atletas.
Treta e caldos de galinha. É o que é.
Os verdadeiros adeptos são o meu amigo e os seus parceiros, o do Braga e o do Benfica, que, gostando dos seus clubes...gostam, claramente, é de futebol e de boa amizade.
Espero que a nova FPF, a sua nova Direcção erradique as "claques" organizadas, para podermos voltar a confraternizar com "adversários", mas que gostam de futebol.
Eu sou benfiquista médio-baixo, com dois filhos sportinguistas, mais a mulher, que foi atleta do SCP e, o meu melhor amigo, é portista dos 25 costados.
Eu gosto de futebol.
Eu gosto de ir ao Estádio, mas já desisti. Só lá retornarei, depois de uma limpeza profunda, como o fizeram na Inglaterra.
Abraço.


De Dylan a 30 de Novembro de 2011 às 00:02
O amigo só vai ser "enjaulado" [expressão feia, essa] se quiser. Sente-se no meio daqueles que só vão ao futebol para admirar o espectáculo. Acredite que ninguém vai dar por si nem pela cor do seu cachecol.


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