Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
por Pedro Correia

 

«Apanhámo-los, rapazes! Vamos acabar com eles e depois voltamos para o nosso forte.» Segundo a tradição, estas terão sido as últimas palavras pronunciadas pelo coronel George Armstrong Custer ao mandar avançar a sua cavalaria contra os índios Sioux, liderados pelos chefes Touro Sentado e Cavalo Louco. Nunca é de mais lembrar este episódio culminante da batalha de Little Big Horn para se avaliar até que ponto as aparências iludem. O voluntarismo é mau conselheiro, na guerra como na política: impede os seus cultores de perceber até que ponto o chão lhes foge debaixo dos pés. Há quem imagine que cerca quando está cercado, há quem suponha que ataca quando a única solução que lhe resta é defender-se. John Ford, que sabia tanto de cinema como sabia da vida, deixou-nos esta batalha imortalizada num dos seus melhores filmes. Forte Apache, precisamente.

À primeira vista, parece um épico. Mas cuidado com as aparências: é um dos melhores retratos jamais feitos do reverso do sonho americano. Uma longa-metragem que devia ser (re)vista por políticos de todas as latitudes e de todos os quadrantes. Para assimilarem a milenar sabedoria de Sun Tzu: "A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar."

Imagem: fotograma de Forte Apache (1948)


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