Sábado, 3 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

 

Será possível que Sarkozy e Merkel sejam incapazes de perceber que a única maneira de dar credibilidade ao euro, tornando sustentáveis as finanças de boa parte dos países da zona, é resolver de imediato o problema da dívida de Portugal, Grécia, Irlanda e Itália? E será que eles não percebem que o modo de resolver esse problema é promovendo o crescimento nestes países? E que o único caminho para o crescimento no Sul da Europa é através de um default parcial, minimizando o risco de contágio, pois só com uma remissão de boa parte da dívida é possível relaxar as políticas de austeridade, dando folga à sociedade e criando expectativas que favoreçam novamente o investimento?

 

Sem expectativas positivas de crescimento económico não há investimento. Se o crédito não se expande não é por falta de dinheiro (a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%), é porque as expectativas estão em baixo. Injectar dinheiro só produzirá inflação. A raíz dos problemas na Europa não é monetária mas económica e financeira. E não há cura que não passe pelo default parcial das dívidas.

 

Mas eu acredito que Sarkozy e Merkel até percebem este encadeado económico. O problema está nos respectivos eleitorados, que castigarão aqueles dois caso eles consintam na reestruturação das dívidas. Mas não seria possível por uma vez ter líderes políticos que estejam acima da incompreensão económica das massas e façam o que é preciso ser feito? Sarkozy e Merkel ainda podem salvar a Europa. Se o fizerem, o mais certo é perderem as próximas eleições. Mas terão o consenso da História de que tomaram a melhor decisão.


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2 comentários:
De Nuno a 3 de Dezembro de 2011 às 21:47
Já acordaram um incomprimento parcial da Grécia e não me parece que isso esteja a ajudar muito. Parece-me que a melhor solução sería tentar diminuir os défices o mais rapidamente possível, mantendo a ajuda da UE e FMI, e então fazer o default necessário quando os orçamentos já estivessem equilibrados. De qualquer maneira, teremos que contar com vários anos a viver mal.


De Ricardo Vicente a 3 de Dezembro de 2011 às 22:43
O incumprimento acordado recentemente é insuficiente, o objectivo é a Grécia ter um stock de dívida de "apenas" 120% do PIB em 2020. Já tinha escrito sobre isso e repito (o óbvio): é insuficiente, significa que a Grécia estará à mesma na bancarrota daqui a 8 ano. O incumprimento parcial tem efeitos desde que seja suficiente. Desde que se previnam os riscos de contágio, o default deve ir até que as finanças públicas gregas seja dinamicamente sustentáveis (talvez ficar com um stock não superior a 50% do PIB).

Concordo que os défices primários devam andar sempre próximos do zero. Já o défice total é muito difícil de fechar também por causa do serviço da dívida. É por isso que me parece que o default parcial deve ser feito o mais cedo possível.

Se se realizarem as reformas necessárias e se o país for poupado ao pagamento de um serviço da dívida exagerado, então é possível crescimento ainda nesta década.

Mas sem default e com a obrigação de pagar todo o serviço da dívida (mais de 34 mil milhões segundo o próprio governo), Portugal não crescerá nos próximos quinze anos.


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