Um erro
Para esclarecimento dos leitores de Forte Apache, tenho de referir aqui que dei uma informação errada neste post e que isso altera bastante o raciocínio incluído no texto. Pelo erro, peço desculpa.
As contas estão erradas porque não se aplica a regra do Tratado de Lisboa na formação de maiorias, mas as do Tratado de Nice, que se mantêm até 2014 e talvez até 2017, devido a um compromisso (Ioaninna) arrancado pelos polacos. Em resumo, para definir as maiorias aplicam-se as contas de Nice, pelo que Alemanha e França têm mais dificuldade em dominar a votação que se aproxima, com aspectos a exigirem unanimidade.
Mantenho apesar de tudo a ideia de que a Alemanha e a França não estão isoladas e que as alterações ao Tratado não resultam de uma imposição, mas de uma negociação em que participam vários países.
Se bem compreendo as notícias ainda vagas, há fortes divergências a três dias da cimeira, com pelo menos duas teses que a presidência e a comissão tentam conciliar numa proposta comum. De um lado, está a Alemanha, que quer um pacto de estabilidade mais duro e uma redistribuição dos direitos de voto no eurogrupo; do outro, a França, que aceita eurobonds e quer uma abordagem intergovernamental. A união orçamental está a esfumar-se e exigirá um novo Tratado. Para os interesses nacionais, a vitória da proposta francesa parece ser a melhor, ainda por cima com menos alterações aos Tratados, não exigindo ratificações complicadas ou referendo na Irlanda.
Mas, enfim, a negociação entra na fase decisiva, vamos ver o que acontece nos próximos dias. Como o Ricardo Vicente escreveu mais abaixo, o super-pacto de estabilidade parece ser um disparate. E os pedidos de referendo são política nacional. Todos sabem que isso é impossível e não passa de populismo. Não se faz uma pergunta onde uma das duas hipóteses equivale a suicídio colectivo.
