Estou a ver num 60 minutes uma entrevista a Adele, a mais recente revelação do mundo musical, vencedora de 450 Grammies e batedora de todos os records nos tops britânicos.
O entrevistador é Anderson Cooper, um rapaz pouco mais velho do que eu e, provavelmente, com o dobro da idade dela.
Chegamos à parte da peça em que Adele abre as portas da mansão desproporcionada que, numa tentativa de fugir à mira dos paparazzis, comprou recentemente num lugar recôndito. Ao percorrer os quilométricos corredores desertos, Cooper resolve armar-se em espirituoso e indaga, com um sorriso, “assumo que tenha visto o Shining”. Adele, sem pestanejar, responde-lhe que o trabalho não lhe deixa tempo para nada.
É quando me apercebo de que Adele não faz a mais pálida ideia do seja o Shining. E que, mesmo que se reforme aos vinte e cinco anos, é altamente improvável que alguma vez chegue a assistir à aterrorizante imagem de Jack Nicholson todo esgadelhado, de machado em punho, a perseguir a sua própria família na tentativa de a esventrar.
Shining estará para Adele como o Casablanca está para os meus filhos. E a mim resta-me consolar Anderson Cooper com um “never mind, she hasn’t found many people like us”.
Já escutei hoje mais de dez vezes a frase "sem surpresas" referente à distribuição dos Óscares. Se não há surpresa, não há notícia. Mas houve notícia. O cineasta galardoado com a estatueta de melhor realizador é francês (quantas vezes isso já sucedeu na história da Academia de Hollywood, ó jornalistas nada surpreendidos?). A película vencedora, O Artista, é uma produção franco-belga (lembram-se da última vez em que isto sucedeu ou se alguma vez ocorreu nestas oito décadas de distribuição dos Óscares, caros amigos?). O actor que recebeu o prémio para o melhor desempenho masculino, Jean Dujardin, é também francês (digam-me, por favor, qual foi o actor fancês que antes dele levou um Óscar para casa). E Christopher Plummer, veterano de longas-metragens que há muito fazem parte do imaginário universal, como Música no Coração, foi o mais velho actor de sempre a conquistar uma estatueta, neste caso destinada a premiar o melhor desempenho secundário.
Limitei-me a anotar algumas novidades em poucos minutos, ao correr da pena. Outras houve que poderia igualmente sublinhar aqui - do Óscar de melhor argumento original para Woody Allen por um filme de produção europeia até ao cineasta iraniano distinguido com o prémio para melhor filme de fala não-inglesa.
Mas reconheço que é muito mais fácil iniciar notícias com o chavão "não houve novidades". Marca de um certo jornalismo preguiçoso que permanece instalado entre nós.
Imagem: Jean Dujardin e Bérénice Bejo numa cena d' O Artista
A minha querida mãe, tendo-me visto ontem em estado cataclítico de volta dos meus quatro descendentes, hoje resolveu mandar-me alento por SMS. Escreveu: "Penso em ti. Forca!".
Ainda estou esperançada de que não passe de uma gralha.
as pessoas sabem que todos os anos são entregues prémios Nobel, certo?

DN - Durante o debate que assinalou cem dias de Governo, o primeiro-ministro não o conheceu. Perguntou mesmo se se chamava Jorge. O que acha dessa situação?
JLP - É verdade, não me conhece. Mas o primeiro-ministro também disse que penitenciava a cultura. E o facto de o primeiro-ministro não me conhecer é sinal da falta de atenção à cultura. Afinal de contas, ele não tem de me conhecer. Sou apenas um escritor português traduzido em 20 idiomas e com milhares de exemplares vendidos...
José Luís Peixoto, em entrevista do Diário de Notícias, depois de José Sócrates ignorar quem ele era.
Parece ser o que se passa, em termos de discurso político europeu, com a Grécia.
Agora, de um modo claro, foi o Ministro alemão do Interior que praticamente já deixou cair o Santo (neste caso, a Grécia). Mas a ladainha já tinha começado a ser entoada, de forma menos explícita, desde há uns tempos a esta parte. Quem estivesse atento ao discurso político das Instituições e, de um modo geral, de políticos com responsabilidades na UE, perceberia: independentemente das declarações de Barroso, jurando segurar a Grécia até ao limite, lá fomos ouvindo a própria Comissária Grega das Pescas dizer que, para a zona Euro, não seria nenhum drama se o seu país saísse da moeda única. Depois foi a Comissária Neelie Kroes (da “agenda digital”), a dizer a mesma coisa, de forma mais contudente (a própria União e o processo de integração não sofreriam com a queda da Grécia em default). Em paralelo, alguns políticos (sobretudo do eixo franco-alemão) começaram, de forma inusual e muito anti-diplomática, a dizer abertamente mal dos políticos gregos. Tudo isso eram (são) sinais de que, de facto, o objectivo, agora, já será deixar cair a Grécia controladamente. Como explica o José Manuel Fernandes, aqui, “na imprensa internacional tanto vozes eurocépticas (como Ambrose Evans-Pritchard, doThe Telegraph), como federalistas (caso de Wolfgang Münchau, do Financial Times) juntam-se a uma legião de economistas (de que um exemplo é Hans-Werner Sinn, responsável de um dos mais importantes think tanks económicos da Alemanha, em entrevista à Spiegel) que defendem o regresso da Grécia ao dracma. Sem dramatismos, apenas por realismo”.
Também, por outro lado, o acentuarem-se as diferenças entre o caso português e a Grécia, para que, de futuro e (ao contrário do que por cá, muitos dizem), se segure Portugal, o dizer-se abertamente que Portugal vai no bom caminho (implícita ou explicitamente, ao contrário da Grécia), faz parte dessa estratégia/objetivo de deixar suavemente cair a Grécia.
O problema é que por mais cálculos e paraquedas que se arranjem, as falências são sempre incontroláveis. Quer económica e socialmente, quer, também politicamente. E aí – quer se diga o contrário, quer não – haverá sempre riscos para o projeto europeu ….
Mantenho tudo, tudo, o que tenho dito de negativo sobre o treinador do meu clube. Os resultados internos de Porto e Benfica não beliscaram a minha visão acerca da intensa debilidade desse técnico. Também sei bem que todas as equipas treinadas por Jorge Jesus tendem a eclipsarem-se no último terço do campeonato - este ano começou mais cedo (vá-se lá saber porquê)... Como portista, fico muito feliz. Mas não gosto do modo como a equipa joga, do desaproveitamento das qualidades de quase todos os jogadores, do défice de rasgo e de vontade que tantas vezes exibiu. E nunca perdoarei as humilhações europeias que sofremos esta época. Na sexta-feira, se vencermos temos o campeonato nas mãos. Por mérito e/ou demérito, agora não importa, o que eu quero é que o meu Porto ganhe (carago!)!!!!!!
Bebido ontem ao almoço, este finíssimo Borgonha duriense – sponsored pelo meu tio P. – prova que às vezes vale a pena sonhar e cometer pequenas “loucuras” (palavras de Dirk Niepoort). Com uma frescura assinalável – e uma leveza incomum – este elegante Pinot Noir, vindimado em 2006 e engarrafado em 2008, encontra-se no seu ponto óptimo de consumo. Embora tenha porte para pedir meças a pratos de caça (aves), foi o parceiro ideal para um lombinho de porco assado no forno, com batatas à padeiro (assadas com pimentão, cebolas e cenouras e avivadas com uma malagueta de tamanho XL). O escorrupicho do copo (um elegante Schott) ainda acompanhou, com nível, um “tipo serra” de bom travo.
Feito exclusivamente com a casta rainha da Borgonha (sem tradição no nosso país) este vinho, elaborado com uvas nascidas e pisadas no Douro, reforça o meu niepoortismo militante e comprova que no mundo do vinho, como na vida, das mais improváveis combinações por vezes surgem as melhores surpresas. Será caso para dizer: sometimes wine imitates life.
Aos fins-de-semana o bruaá da blogosfera serena: a mesma paz, ou assim me parece, que reinou na terça-feira de Carnaval e que levou a que os Centros de Saúde, abertos por decisão governamental, ficassem desertos.
Não sou um desses bloggers preguiçosos - o fim-de-semana é apenas mais aborrecido que os dias úteis e, às horas do costume, vou aos sítios do costume. Hoje, tropecei por acaso nesta entrevista de há dias, e pasmei: Maria Filomena Mónica passa por ser uma intelectual iconoclasta, original no pensamento e nas obras, um tanto informal na linguagem e charmosa na imagem.
Dela li o "Bilhete de Identidade" in illo tempore e retive, por junto, a atmosfera, razoavelmente captada, de um certo meio lisboeta no ambiente sufocante da Velha Senhora, umas indiscrições, que se apresentavam como sendo vulgares na memorialística anglo-saxónica e raras no nosso acanhado meio, e um impressionante desprezo pelo Pai, uma sombra que perpassa no livro como um looser que deixou de cumprir a sua essencial função de propiciador de meios para a heroína da obra, tudo embrulhado num Português, digamos assim, esforçado.
Pois esta Senhora diz coisas espantosas, cada uma delas merecedora de um post autónomo que não vou fazer, todas à luz do "eu" recorrente com que começa muitas frases, e que se resumem no seguinte:
Devia ter nascido num país do Norte da Europa, onde as suas excelsas qualidades se casariam melhor com as culturas locais. Aqui entre nós está manifestamente deslocada, e, entre outras razões, concede-nos o benefício da sua presença por não desistir de nos melhorar e gostar do sol de Lisboa e da água das Pedras.
Exagero? Fazem favor de conferir:
"Mas a maneira de olhar o mundo, ou o pouco saber que eu adquiri, adquiri em Inglaterra."
"Em Portugal não há debate político. Eu não percebo nada do que eles estão a dizer. E eu não sou totalmente analfabeta...! Eles falam em códigos cifrados, para nós que estamos cá fora não percebermos."
"A BBC exigia que nós trabalhássemos sobre o nosso país, para bem e para mal, eu acho que para mal. Eu podia ter escrito uma História da Suécia, em vez de estar para ali a ler Portugal dos anos 30 e Salazar. Portanto Portugal não interessava a ninguém."
"A Alemanha é um país com uma capacidade de organização absolutamente espantosa."
"Eu estive em Berlim-Leste em 1980. Nunca fui comunista, mas tinha curiosidade, e fiquei estarrecida. Eu nem consegui ficar lá o dia inteiro. Eu até queria ir à ópera, e a ópera de Berlim-Leste provavelmente era óptima: mas pareceu-me tudo purpurina e uns bairros horrendos, e por isso vim-me logo embora."
"Que eles venham a dominar a Europa, eu não gostava. Se eu não gosto que mandem em mim, as autoridades do meu país, também não gosto que outro país, e é por isso que a Europa ainda não é Europa, determine o destino do meu país."
"A classe média vai viver pior, mas isso não me preocupa."
OS PASSOS EM VOLTA - PIZZA E GARRAFA DE VINHO

American society [...] not only sanctions gross and unfair relations among men, but it encourages them. Now, can that be denied? No. Rivalry, competition, envy, jealousy, all that is malignant in human character is nourished by the system. Possession, money, property--on such corrupt standards as these do you people measure happiness and success.
Philip Roth, Portnoy's Complaint
Nos últimos dias surgiu uma excitação desconcertante à volta de Mikhail Prokhorov, por razões que não merecem qualquer tipo de comentário. Para os leitores interessados em conhecer um pouco mais o perfil deste oligarca russo, o autor desta linhas relembra um texto escrito em Dezembro sobre aquele candidato presidencial e que, por acaso, é dono dos New Jersey Nets.
Vanessa Vanessa, como foste nessa de avacalhar esta música?
Se fosses cozinheira, farias uma omelette de coninhas de andorinha em vinho da Madeira e chamavas-lhe cozinha de autor; se fosses escultora enchias um armário com frascos de compotas e chamavas-lhe compotador; se fosses pintora punhas o teu gato a borrar uma tela com tintas e chamavas-lhe Regresso ao Futuro II; e se fosses escritora eliminavas a pontuação, a sintaxe e o senso para recobrir a vacuidade.
A modernidade, Vanessa, é aquilo que as gerações futuras reterão do nosso tempo; e isso não é o esterco.
Nice Weather For Ducks - 2012

La Universidad debiera insistirnos en lo antiguo y en lo ajeno. Si insiste en lo propio y lo contemporáneo, la Universidad es inútil, porque está ampliando una función que ya cumple la prensa.
Jorge Luís Borges
As multas de trânsito cresceram 80% no ano passado. No total, foram 85,3 milhões de euros que o Estado arrecadou aos portugueses devido ao seu excesso nas estradas, mas também às infracções cometidas pelos peões nas passadeiras. Se por cada maluco que se atira para a passadeira quando está sinal encarnado como se estivesse a mergulhar numa piscina fosse multado, tenho a certeza que o Estado já estaria rico e não devia ser preciso a troika vir para cá.
Apesar da crise, os portugueses continuam a teimar em infringir o código da estrada e por causa desse factor ficam mais pobres. De facto, se cada português nas contas que faz ao fim do mês contabilizasse o que gasta em multas de trânsito certamente que iria poupar uns euros.
Este relato serve apenas para dizer que nem em crise os portugueses usam a cabeça......
Que tal abrandar a velocidade?
Filho da Mãe - Encontrei os teus dentes

Os Portugueses têm algum medo de ser portugueses. Olhamos em nosso redor, para o nosso país e para os outros e, como aquilo que vemos pode doer, temos medo, ou vergonha, ou «culpa de sermos portugueses». Não queremos ser primos desta pobreza, madrinhas desta miséria, filhos desta fome, amigos desta amargura. Os Portugueses têm o defeito de querer pertencer ao maior e ao melhor país do mundo. Se lhes perguntarmos “Qual é actualmente o melhor e o maior país do mundo?”, não arranjam resposta. Nem dizem que é a União Soviética nem os Estados Unidos nem o Japão nem a França nem o Reino Unido nem a Alemanha. Dizem só, pesarosos como os kilogramas nos tempos em que tinham kapa: «Podia ter sido Portugal...» E isto que vai salvando os Portugueses: têm vergonha, culpa, nojo, medo de serem portugueses mas «também não vão ao ponto de quererem ser outra coisa».
Miguel Esteves Cardoso, "Os meus problemas"
Daniel Hannan lê os autores certos: aproveitando as oportunas considerações que teci sobre a iniciativa Durão para resolver o problema do desemprego dos jovens em Portugal, fez uma declaração no PE sobre os poderes demiúrgicos dos parlamentares para criarem empregos.
Já que estou com a mão na massa: Porquê os jovens? Com que direito se isola uma determinada camada etária para ser objecto de desvelo? Que têm os jovens que os torna mais dignos de atenção do que, por exemplo, pais e mães com família a cargo que perderam o emprego e o subsídio de desemprego, sem reunirem os requisitos para a reforma?
Têm sangue na guelra, é isso? Estão mais disponíveis para engrossar manifestações de indignados? Pois lembro que o desespero pode ser, e é, muito mais vezes silencioso do que estridente.
Não me revejo no post de Eurico de Barros sobre Zeca Afonso, mas este ataque de Sérgio Lavos vai além do tolerável. O Eurico enumera uma série de opções ideológicas do músico e não me parece que haja qualquer erro factual. Os elementos ali referidos fazem parte da história pessoal de Zeca Afonso, que ele nunca renegou (que eu saiba). Não sei se Zeca Afonso é eterno, mas durará certamente muito tempo. Gosto muito das suas músicas e sei que era excelente pessoa, mas isso não pode justificar o tom do post de Lavos, para mais não havendo nenhuma refutação do que é escrito. Lavos limita-se a insultar Eurico de Barros, vai referindo que ele escreve no blog falhado do passismo e no Diário de Notícias (como se alguém que escreve num jornal estivesse proibido de ter opiniões, ideia que tem vindo a fazer o seu caminho). Na realidade, Eurico de Barros tem uma redução qualquer nos seus direitos cívicos, sobretudo pelo facto de ser de direita.
Parece que não é nada como comigo, mas é comigo. Sinceramente, estou farto do clima de intolerância na blogosfera política e da forma como alguns autores conseguem gritar a sua superioridade moral. Não apenas à esquerda, mas também à direita.
Não vale a pena continuar. Como escrevo no "blogue falhado do passismo" os meus direitos cívicos são menores do que os de Sérgio Lavos, esse grande intelectual de esquerda que mete num chinelo o Eurico de Barros. Escrevo no blogue do passismo e por isso qualquer coisa que eu escreva jamais terá razão. Sou uma não entidade, um cidadão que mais vale ficar calado em questões de política. Não consigo ver a luz nem a revolução. Se apoio o governo sou de direita e não posso ser intelectual, aliás como o Eurico, que é uma não entidade, um "crítico de cinema" que "escreve com os pés".
A blogosfera política é isto. Não é racional e não vale a pena continuar.
Despeço-me dos leitores que me seguiram neste blogue, deixo aqui um grande abraço aos meus companheiros do Forte Apache.
Encontram-me por aqui. Espero que a minha diminuição de direitos não inclua a escrita de literatura.
Quadratura do Círculo, Sic-N, ontem:
Sobre os fait-divers da semana, Pacheco Pereira concorda no geral com o Governo, excepto pelo facto de discordar dos detalhes de todas as medidas e abominar as pessoas - não foram escolhidas por ele, pecado original; António Costa igual a si mesmo, defendendo com verve a inimputabilidade do PS e as medidinhas que tomaria para fingir que tudo poderia continuar na mesma; Lobo Xavier com a bonomia habitual; clima tradicional de crítica civilizada, a receita do programa que tem provado ao longo dos anos ser suficientemente atraente para me ter a mim, e a milhares como eu, a assistir.
De repente, já quase no fim, farto do dinâmico, empreendedor e oco discurso de Costa, Lobo Xavier lembra-nos que tem convicções e simpatias e que estas são as do realismo na economia, e da direita democrática e liberal nas orientações políticas. E a propósito da austeridade que há e do crescimento que não há, descreveu, num brilhante, sintético e rigoroso improviso, o que foram os últimos dez anos de crescimento induzido pelo Estado e as condições únicas que houve para que ele, o crescimento, tivesse existido, o que, sabemos, não aconteceu.
Não vou martelar a minha convicção de que, sem o pano de fundo do Euro, o desmando da governação nunca poderia ter sido tão daninho. Porque isso é o pano de fundo. O resto, que é muito, Xavier pendurou-o ao peito dos Costas que nos têm governado, por momentos pondo de parte a sua inclinação para se abster de ferir susceptibilidades.
Fez bem.
"O futuro a Deus pertence."
O problema: Portugal apresenta uma taxa de desemprego jovem de 31,5 por cento, sendo, no grupo dos Estados-membros abrangidos pelas equipas de acção, o terceiro pior, depois da Espanha (49,6) e Grécia (46,6 por cento).
Os recursos para resolver o problema: 14 por cento dos fundos atribuídos no quadro orçamental 2007-2013, que estão por atribuir e podem ser utilizados para ajudar as pequenas e médias empresas, responsáveis por 80 por cento dos postos de trabalho na União Europeia.
Os abrangidos: Eslováquia, Espanha, Itália, Irlanda, Grécia, Letónia, Lituânia e Portugal.
As soluções: A promoção de estágios profissionais em áreas "relevantes para o mercado de trabalho", o apoio ao auto-emprego, o desenvolvimento de estratégias para reduzir o abandono escolar precoce ou a reforma da legislação laboral.
Os promotores: O projecto das equipas de acção foi apresentado, a 30 de Janeiro, pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, aos líderes da UE, durante um Conselho Europeu informal.
Os beneficiários políticos: Durão e Relvas, que se "preocupam", tentam "soluções" e, com o cenho franzido e o coração a sangrar, acham "dramática" a situação dos jovens sem emprego.
Os beneficiários: Os funcionários dos "grupos de trabalho" que vão enquadrar a burocracia que vai administrar a trapalhada; as agências e indivíduos que vão escabichar regulamentos, aprender truques e alçapões e cultivar relações para apresentar "candidaturas"; os cidadãos e empresas que virem as suas candidaturas aprovadas.
Os prejudicados: Os cidadãos e empresas que, por ignorância ou falta de meios, não apresentarem candidaturas; os que as apresentarem sem sucesso; as empresas que vão ser objecto de concorrência desleal por parte das que se movimentarem melhor nos corredores do Poder; o contribuinte europeu e português, objecto de extorsões para financiar fantasias.
A solução que não se vai seguir? Devolver o dinheiro aos Estados, na proporção do que contribuíram, para estes abaterem ao endividamento.
Mas isso não sustentaria burocracias inúteis, não ficaria bem nos discursos nem desarmaria manifestações.
Jorge Cruz - Exausto


"Um ladrão é considerado um pouco mais perigoso do que um artista."
Rubem Fonseca, O caso Morel
... como se explica NESTA casa de bons costumes.
Aproveitando para provocar os homens e as mulheres deste forte que pupulam em certas catedrais e outros locais de fé :)
Estive quase, quase a concordar com este texto de Daniel Oliveira.
Primeiro porque o pano de fundo destas coisas deve ser que os abusos de liberdade de imprensa e de opinião são sempre menos perigosos do que os controles a priori de uma e outra; depois porque o excesso de zêlo de uma ignota funcionária que dá pelo nome de Maria Rui Fonseca me desperta o horror nato à autoridade prepotente; e finalmente porque o ministro Schaueble, não sendo um cidadão comum, deveria talvez olhar em volta antes de soltar a franga das conversas intempestivas.
Dar o dito por não dito seria para mim uma maçada: não estou habituado, porque não preciso de estar, mas já me aconteceu mudar de opinião, o que acontece a toda a gente, e reconhecê-lo, o que acontece a muito menos.
O próprio Daniel, porém, oferece-me a salvação, quando diz: "... E eles (os jornalistas) recolhem as boas e as más imagens, e não apenas aquelas que os políticos querem que os seus eleitores vejam".
Declarações no âmbito de conversas desejadas inocentemente como privadas, mesmo entre políticos, não são a mesma coisa que imagens, mesmo que estas sejam por vezes eloquentes: se amanhã o Daniel confidenciar a um dos seus colegas do Eixo do Mal alguma coisa que não diria publicamente, não se apercebendo que os microfones estavam ligados, acharia bem a divulgação?
Eu não.