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Forte Apache

E o Governo não agradece?

Judite França, 02.04.12

Num dia em que o Eurostat revela que a taxa de desemprego atingiu os 15% em Portugal durante o mês de fevereiro, um novo máximo histórico que nos coloca no pódio dos campeões do desemprego - só Espanha e Grécia conseguem ultrapassar a marca -, os noticiários da rádio, os fóruns dos canais televisivos, optam por priorizar a guerrilha partidária no PS, com Seguro e Costa de mão no coldre, declarações disto e daquilo, e Rebelo de Sousa a incendiar os ânimos. E nem um obrigado do Governo? Passos não podia ligar para o Largo do Rato e, tal qual prenda de aniversário, dizer algo do género: «Obrigado, pá, era mesmo isto que eu queria».

Um autocarro, dois autocarros, três autocarros...

jfd, 02.04.12

O BE chamou-lhe moção de censura ao Governo e à troika. O PCP falou em condenação ao Governo numa das maiores manifestações sociais que já assistiu (talvez seja melhor o PCP deixar de fazer o outsorcing da sua luta à CGTP ou vice-versa... ainda não entendi muito bem). A ANAFRE congratulou-se pelos 200 mil portugueses que vieram e estavam em Lisboa "(...)São os que nos estendem a mão que apertamos, os que nos contam os seus problemas, que partilhamos e gente anónima para outros, mas a quem chamamos pelos nomes(...)"

 

Saber da reacção do BE e do PCP tem realmente muito que se lhe diga.

Foi uma linda manifestação do que é a cultura da freguesia, do que é o interior e a identidade do país, não deixaram de nos fazer esquecer ao longo do dia. Até os verdadeiros manifestantes que subiam o Chiado ficaram para segundo plano perante a grande festa que se passou com início no Marquês de Pombal.

 

Foi bonito.

Este Governo quer romper com o passado. A batalha agora tomada é das mais complicadas, como se pôde ver. E das que mais desinformação vão gerar. Ora pensemos muito simplesmente; quantas pessoas vieram dar um passeio a Lisboa no sábado? Quantas vieram-se manifestar e do quê? Quantas sabem o que se passou na AR no dia anterior?

E já agora, quanto e a quem custou isto tudo?

 

 

Vejamos:

600 autocarros. 600€ em média cada um. Dá 360.000€. Dinheiro de quem?

A Transdev alugou cerca de 40 a Juntas de Freguesia de Coimbra e Aveiro

Cerca de 100 na Zona do Grande Porto.

Matosinhos também tem alugueres que são uma coisa doida.

 

Afinal isto é dinheiro de quem?

Do contribuinte?

Alguém tem de dar explicações!

 

Não sou a favor do incentivo da iniciativa privada com os dinheiros públicos. Compreendo a alegria das empresas, das concessionárias das auto-estradas e até das gasolineiras. Mas não para isto, nem a mexer no bolso dos portugueses.

Chez Prieto #13

Francisca Prieto, 02.04.12

7.45 da manhã. Mãe e filho defronte do espelho da casa de banho. Ele escova os dentes, ela dá um retoque final de brilho nos lábios. “Tcharaaam. Vá, diz lá que a tua mãe está linda”. Filho revira as órbitas oculares e encolhe os ombros com impaciência. Mãe resolve tomar medidas: “Ó homem, não me digas que não sabes que eu sou a mulher mais importante da tua vida. Nunca ouviste falar no Freud?”.

E assim, passo a passo, se vai assegurando toda uma idade adulta de psicoterapia.

Conselho Nacional do CDS, graças a Deus.

João Gomes de Almeida, 02.04.12

Em Portugal existem duas direitas: a do passado e a do futuro. A primeira conservadora no "mau sentido" da palavra, tacanha, retrógrada e com laivos de catolicismo reaccionário do tempo da outra senhora. A segunda marcadamente liberal, economicamente e no campo dos costumes.

A diferença entre uma e outra, é que a segunda acha que o estado não deve interferir e regular a vida privada das pessoas. Defender valores não é necessariamente obrigar as outras pessoas, através do poder coercivo do estado, a segui-los. O CDS este fim-de-semana, felizmente, deu a prova de estar cada vez mais próximo da segunda opção e mais longe da primeira. É caso para dizer: graças a Deus.

De olhos bem fechados

Maurício Barra, 02.04.12

 

  

A actual direcção pink - rouge do Público já nos habituou a que a informação, no jornal, não tem compromissos com a verdade, tem obrigações com a particular visão de quem , em vez de dirigir a informação, dirige políticamente a informação. E, por causa desta atitude, já passaram vergonhas públicas.

Ontem, a desonestidade intectual esteve no seu melhor : em sete páginas completas sobre os últimos dias do anterior governo, tiveram a arte de não referir, uma única vez, a incompetente e irresponsável gestão económica desse governo desde 2009 até 2011, a sua evolução económica e financeira para o abismo e a ocultação da realidade aos portugueses. Para o Público, a bancarrota nasceu espontaneamente, nas últimas semanas do consulado de Sócrates.

Eis o criacionismo aplicado à análise política.

Presente com Passado

Maurício Barra, 02.04.12

« É um prazer raro ver a alarvidade de José Lello, o biquismo-dos-pés de Isabel Moreira, o fracturantismo de Sérgio Sousa Pinto contorcerem-se tanto por quererem, por um lado, continuar a incensar o mentor e a obra que tanto amam, e, por outro lado, quererem rejeitar Memorandos e legislação que só a obra do mesmo mentor tornou possíveis e obrigatórios. É um prazer ainda maior ver os três causar embaraços e perdas ao partido em que militam ou os alberga, e de cuja ideologia e prática se proclamam agora únicos e legítimos campeões e representantes.» 

José Mendonça da Cruz in Corta Fitas

 

Uma deputada quer a demissão do porta-voz.

O porta-voz manda calar o partido em jeito de desabafo.

Um líder parlamentar diz que não se demite.

Esse líder é acusado por outro deputado de esquizofrenia.

Para ajudar à festa vem um ex-candidato a líder dizer que estão a tentar(!) demonizar os Governos do ex-líder.

JFD in Forte Apache

 

« Enquanto o PS  não assumir o passado não  tem futuro . O PS tem de assumir de uma forma saudável e responsável toda a sua história e tem de ter a capacidade de produzir um discurso sobre o futuro.»

 António Costa

 

« Estou contra lógicas de refundação interna do PS e de fractura face ao passado.»

Paulo Pedroso

 

«PS está unido»

 António José Seguro

Crime, dizem eles

José Meireles Graça, 02.04.12

Não sou cidadão americano e por isso não tinha nada que votar. Mas o texto não reservava o voto a Americanos e, realmente, não há 36 maneiras de entender o assunto.


É lá coisa de gringos, uma gente notoriamente obcecada com crime e castigo. Mas a perseguição aos fumadores, a obsessão com a saúde, a proibição do que antes era livre, a multa demente para sublinhar a proibição, a sanção penal para sublinhar a multa, as polícias que não garantem a segurança mas garantem uma extensa lista de outras coisas, umas inúteis, outras estúpidas - já cá está tudo.


Eu sei: the law of the land, entre nós, é mais a bandalheira; o charro está, e estará, tranquilo; e o Estado está mais interessado em crivar os cidadãos de multas terroristas do que em gastar com eles o dinheiro que não tem.


Mas o Código Penal tem mais ou menos artigos do que no passado? É o que se pergunta.

Consultório do Doutor Benji (I)

Luís Naves, 01.04.12

Estive um dia internada no hospital veterinário e quando regressei a casa a minha irmã Trikas bufou-me. Como explica esse comportamento e que devo fazer?
Bikinhas, Lisboa

 

O comportamento da sua irmã é normal. Como sabe, somos de direita, ao contrário dos cães, que são tipicamente de esquerda. Nós, os gatos, somos individualistas, elogiamos a ordem mas sonhamos secretamente com a anarquia. O nosso modelo é o mercado, onde cada um vale por si e no fim ganha o mais forte. O mercado alimenta-se do caos e da crise, nós também. Já os cães são animais que apreciam a ordem, embora se entusiasmem com mudanças e revoluções, desde que estas deixem tudo na mesma. No fundo, eles querem ser iguais aos donos. Já os gatos são diferentes, querem dominar os donos, suplantá-los: descansamos, mas não tomamos como garantida a comida subsidiada; dormimos, mas sempre com um olho bem aberto, atento e desconfiado; ronronamos, mas só se recebermos festinhas. E nunca pedimos, só sabemos receber. Nem sequer gostamos da solidariedade: temos horror aos débeis, aos hospitalizados e aos intrusos. Somos, portanto, territoriais, proprietários e pequeno-burgueses no bom sentido da palavra. A sua irmã bufou-lhe? Pois fez muito bem, dada a sua condição de enferma. Existe uma solução? Claro, deixe as pieguices para o Sérgio Lavos e reponha a ordem social. Dê uma patada à sua irmã e restabeleça o antigo domínio.

 

Pelo andar da carroça, ainda teremos de sair do país. Que destinos recomenda?
Gatão, Cascais

Se for caso de exílio, recomendo Paris, onde poderá retomar os estudos, ou iniciá-los se nunca os fez anteriormente. Há também o excelente destino de Frankfurt, de onde poderá continuar a fazer afirmações financeiras que prejudiquem o país. Mas, claro, o melhor será mesmo ficar perto da conta bancária, na Suíça. Se for para trabalhar, a emigração tem fama de complicada. Escrevo isto teoricamente, pois nunca trabalhei na vida, embora digam que é coisa difícil e trabalhosa. Se for para gozar a vida ou ter um tacho compatível, mudar de país compensa; sem garantias, tem risco. Será difícil encontrar um macaco disponível para lhe encher o prato e o clima também não favorece, sobretudo na Europa do Norte, onde ser sem abrigo fia mais fino. Os do norte são mais ariscos do que nós, às vezes ajudam, mas só até certo ponto; no fundo, fazem pela vida deles, que é uma ideia simples para um gato. Resumindo: melhor é ficar por cá e aguentar-se à bronca; enquanto o pau vai e vem, folgam as costas, e um gato tem sete vidas e consegue sempre passar entre as gotas da chuva.

 

Já tenho dois anos e ainda sou virgem. Sou normal?
Lulu, Lisboa

Não, minha querida, o seu caso merece denúncia na Sociedade Protectora dos Animais. Os nossos donos transferem para as vidas dos gatos todos os pruridos, puritanismos, inquietações e cautelas das suas tristes vidas sexuais. Acho que eles pensam demasiado em sexo, a ponto de ficarem paralisados com tanto pensamento. Este é um tema em que não se deve pensar muito, mas deixar que o instinto funcione. Liberte-se dessa opressão. Já lhe disse que dou consultas ao domicílio? Se me deixar o telemóvel…

 

legenda da imagem: gata lisboeta à espera da consulta ao domicílio 

Comportamento das exportações

José Meireles Graça, 01.04.12

É já mais ou menos consensual que Portugal irá continuar a precisar de apoio para o regresso aos mercados financeiros.

Vítor Constâncio, porém, interrompendo um longo jejum de declarações, "não descartou hoje a possibilidade de Portugal vir a precisar de um segundo programa de ajustamento económico."

Isto são excelentes notícias: Vítor celebrizou-se justamente por, sempre que faz previsões, a realidade as infirmar.

E as boas notícias não ficam por aqui: há fundadas razões para acreditar que se Constâncio estiver, como de costume, a asneirar, isso poderá dar um novo élan à sua carreira, não sendo de excluir a hipótese de chegar a Governador do BCE.

Portugal viria assim a confirmar a tendência para a diversificação das suas exportações pela inclusão de itens de alto valor acrescentado: a par dos sapatos com design e dos têxteis científicos figura agora com destaque a posição pautal dos políticos que se distinguiram por níveis excepcionais de parlapatice.

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