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Forte Apache

Chez Prieto #14

Francisca Prieto, 27.04.12

Ontem à noite, após ecos de pancadaria, Rodrigo Prieto entra-me pelo quarto que nem um tornado e grita: “o Manel que vá viver para Espanha, isso é que era um alívio”. Não percebi de imediato o que tinha motivado esta súbita vontade de exportar o irmão para o país vizinho. Porém, hoje de manhã dei-me conta de que o primogénito tinha andado a rejubilar com a vitória do Bilbao. Indignada pela falta de patriotismo, agarrei-o por um braço e lancei a estocada fatal: “a partir de hoje tu, para mim, serás o Manolo”.

Olé!

Sérgio Azevedo, 26.04.12

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, deu hoje Portugal como exemplo de um país que tem “agarrado o touro pelos cornos”, referindo-se ao combate à crise e à implementação de reformas estruturais. É caso para dizer, Olé!

O panfleto

José Meireles Graça, 26.04.12

Documentário disponível em todos os blogues de esquerda perto de si? Nada, nada, também se arranja de melhores proveniências - foi que o encontrei.


Mas não é um documentário. É uma peça de propaganda: Eugénio Rosa, economista comunista, com perdão da cacofonia e da contradição nos termos, e Fernando Rosas, um historiador neo-marxista pós-moderno, ilustram a explicação de como no Portugal do séc. XIX até hoje a upper class viveu e medrou com a promiscuidade com o Estado.


Não explicam se, sem o condicionamento industrial e o proteccionismo, teria sido possível criar uma base industrial; se as relações familiares dentro da pequena tribo de plutocratas eram uma originalidade portuguesa; por que razão a enormidade de recursos concentrada nas mãos de poucas famílias foi adjuvante para o atraso do País, ao contrário do que sucedeu noutras paragens; e se as taxas de crescimento de Portugal nos anos 60 (não obstante uma guerra colonial que chegou a consumir 40% do orçamento do Estado, sem aumento significativo do endividamento público) se explicam por obra e graça do Espírito Santo (o da trilogia, não um prócer da família homónima).


Não explicam isto nem uma quantidade de outras coisas. Mas dão a entender que o relativo atraso de Portugal poderia ser anulado se se acabasse com a promiscuidade através do expediente de eliminar os grupos económicos privados.

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Simples, não é? Foi experimentado noutros lados e nunca resultou. Mas aqui poderia - quem sabe? - resultar. É uma questão de fé, e isso não discuto. Agora, panfletos em formato de documentário, lá isso - discuto.

A Apologia da Lavagem ao Cérebro:

Fernando Moreira de Sá, 26.04.12

Não posso deixar de rir a bom rir ao ler, no Jornal de Notícias, esta pérola!

 

A Inspecção Geral de Educação acaba de decidir a favor da lavagem cerebral da pequenada. Reparem no argumento da escola: "Do agrupamento, o pai da menina, que frequenta o jardim de infância de Santo Isidoro, recebeu como resposta que a maioria das crianças é do clube: de um total de 13 crianças da sala, apenas duas não são benfiquistas".

 

Muito bom. Sim senhor, um argumento do "catano". Olhem, sempre se pode mudar a letra para: "atirei o pau ao preto" ou "ao cigano" ou "ao árabe" ou, quiçá, "ao capitalista", basta que os filhos dos respectivos estejam em minoria na sala de aula. Bonito.

 

Assim sendo, fica já lançado o desafio aos professores das diferentes escolas do Norte: logo pela manhã, no arranque das aulas, é obrigar a pequenada a cantar o hino do FC Porto. Além de ser bem bonito, não manda atirar o pau a ninguém e muito menos a animais. Se quiserem uma coisa mais, sei lá, animada, podem sempre usar qualquer coisa dos Super Dragões, eu sei lá...ora vamos pensar..."e quem não salta, é lampião". Tudo menos aquela de Lisboa a arder. Essa não, fica muito caro...

 

Ora vamos lá, todos juntos, meninos e meninas: "Ó meu Porto...".

 

 

(igualmente publicado AQUI, um blog perfeitamente isento...)

A Entrevista

Maurício Barra, 26.04.12

 

 

Trinta e oito anos depois do 25 de Abril, finalmente entrevistaram Ramalho Eanes (RTP 1), um dos actores principais em todos os acontecimentos que, em dois momentos (1974 e 1975), nos garantiu a liberdade. É impressionante o black out que a imprensa decretou ao ex-presidente. Black out  garantido sobretudo pelas células e compagnons de route que o PC tem nas redacções, e pela versão soarista/socialista da história que domina todo o grupo Impresa (Expresso, Visão, SiC, SICN)

Destaco três afirmações:

«No 25 de Novembro o PCP estava envolvido com a extrema-esquerda na tentativa de golpe. Se ganhasse liderava a tomada do poder, se perdesse, afastava-se, encobrindo a sua participação» (*). «Não tínhamos confiança em Costa Gomes, no 25 de Novembro ficou perante um facto consumado».

«Tenho respeito pelo Mário Soares combatente da liberdade, não tenho estima pelo político. Depois de ler o livro de Rui Mateus compreendo que não podia ter estima por ele» (**)

«O meu desentendimento com Sá Carneiro vem do facto de que ele queria fazer uma revisão constitucional sem respeitar os prazos definidos pela própria Constituição. Tinha uma pressa que eu não podia apoiar» (***)

 

(*) ainda hoje acho obsceno o aproveitamento que o PC faz, todos os anos, do 25 de Abril, supostamente o Dia da Liberdade, ele que foi o principal agente da sua destruição até ao 25 de Novembro.

(**) eu, que tive a felicidade de ler o livro (foi retirado da circulação como primeiro livro proibido na democracia) compreendo perfeitamente a afirmação de Ramalho Eanes. O político Mário Soares é o manipulador político sem escrúpulos que ainda é hoje.

(***) hoje entendemos porque Sá Carneiro tinha pressa: sem revisão da Constituição o reformismo que ele preconizava ficaria asfixiado, como ficou até hoje.