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Forte Apache

Social Nacionalismo

Maurício Barra, 02.05.12

Enquanto por cá anda a flanar uma espécie de expectativa revanchista jacobina, alimentada pela crença provinciana de que, com Hollande no poder, a Holanda a patinar e as eleições que podem pôr todos gregos na Grécia, convencendo-se de que “os tipos vão ter que abrir os cordões à bolsa” e “vão voltar paletes” de euros, para contentamento da nomenklatura que ficou obesa nos últimos anos à mesa do Estado, a Europa que decide já está a preparar o novo ciclo de política económica europeia.

Não exclusivamente por causa da austeridade. Não exclusivamente por causa do crescimento económico e criação de emprego.

Mas apesar disso.

O ressurgimento da extrema direita e da extrema esquerda nas eleições francesas e gregas (e não sabemos se também na Holanda) é um aviso demasiado importante para ser negligenciado. É necessário retirar-lhes o tapete debaixo dos pés. O equilíbrio da União Europeia é baseado em sistemas democráticos fortes que, em conjunto, para resumir, aceitam compatibilidade jurídica nas suas constituições e um sistema comum de defesa e de segurança internacional. E que, economicamente, querem construir um sistema financeiro que, através da uniformidade monetária, lhes garante um lugar prevalecente na ordem económica mundial (que, grosso modo, são as dores de parto que actualmente estamos a sofrer, particularmente aqueles que estavam convencidos que podiam pertencer ao clube sem respeitar o equilíbrio orçamental comum, sem  o qual a unidade monetária não poderá ser construída).

O ressurgimento de argumentos sociais misturados com ressentimentos nacionais (ambos comuns aos partidos antidemocráticos de direita e de esquerda) são o caldo que gerou a destruição da Europa, através da implosão social e da militarização nacionalista. Estando agora completamente posto de parte qualquer tipo de fronda militar nos países europeus enquadrados pela Nato, é na frente social que se deve actuar. De uma forma organizada, com objectivos claros, estratégia adequada e capacidade de execução. A curto, médio e longo prazo.

Para retirar oxigénio à bolha antidemocrática que se está a formar, e obrigatoriamente associados à contínua observância da estabilidade orçamental, irão ser implementados programas de crescimento e emprego, direccionados à coesão social da classe média que se está a pauperizar, fazendo do sector privado o principal agente de recuperação económica.

Agenda para o crescimento e emprego. Com certeza. Mas não aquela de anabolizantes estatizantes de que Seguro está à espera.

Será uma agenda para esmagar o ovo da serpente enquanto está no ninho.

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