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Forte Apache

A aposta na exportação

José Meireles Graça, 30.11.12

Habituei-me há muito a ouvir dizer, à esquerda e à direita, que é preciso investir na Educação: não há países desenvolvidos sem um sistema educativo "avançado", o progresso material não é possível sem legiões de educandos a permanecerem longos anos nos bancos das escolas e universidades, é o melhor investimento que se pode fazer - vejam os brilhantes e numerosos casos de sucesso, como os países nórdicos em geral e a Finlândia em particular...

 

Há provas abundantes desta correlação. E como quem decide gastar já não é responsável aquando das consequências do gasto; os professores são uma classe profissional numerosa e aguerrida; e defender a ignorância não é ... defensável: vá de concordar sempre com despejar dinheiro na educação, e aplaudir os apaixonados pela dita, como este senhor, que, apesar de reconhecer humildemente que não foi um governante absolutamente perfeito, aproveita uma visita ao rincão para declarar: "Independentemente de tudo o resto que é preciso fazer, é a educação a base de todas as condições que podem permitir a um país como o nosso ultrapassar as presentes dificuldades".

 

Lamento mas a Educação não "provoca" desenvolvimento. Se provocasse, os países comunistas, campeões da aposta na Educação, ter-se-iam alguma vez distinguido pelo seu fulgurante crescimento. E suponho que não seja preciso fazer um inquérito, aliás impossível, para saber qual a opção que um médico ou engenheiro cubanos fariam, se pudessem escolher entre as suas profissões em Cuba e as de trabalhadores menos qualificados num país capitalista desenvolvido.

 

É claro que para desempenhar certas tarefas é preciso conhecimento; a formação profissional não substitui a educação formal; sem investigação científica não há evolução nem do conhecimento nem tecnológica; e se o aparelho da Educação não fornecer em quantidade suficiente gente habilitada em todas as áreas do Saber a economia ou importa formados noutras paragens ou estiola.

 

Agora, acreditar que multiplicar universidades, cursos, estabelecimentos, rebentar com milhões no Parque Escolar ou nas Novas Oportunidades, alargar a escolaridade obrigatória, "investir" porque o investimento na educação não pode estar errado, dá

 

nisto.

Portanto . . .

Maurício Barra, 30.11.12

Portanto, agora já sabemos: o PC, o BE, alguns estivadores e Mário Soares “com sus 77 muchachos” (*) querem que o governo se demita.

O PS diz que sim mas que também, ou seja, já começa a perceber que não tem os cobres da nação para pagar o Estado a que isto chegou.

A continuar assim, por deficiência própria, “entrega” as eleições de 2014  à coligação do actual Governo.

Eis uma novidade: a oposição desgasta-se mais na oposição do que o Governo a governar.

 

(*) muchachos na atitude, porque alguns dos signatários, que respeito, não quiseram pensar o que estavam a assinar, atingindo a grau zero da política em democracia. Ou antes, agora nem assinam: Vítor Ramalho telefona a toque de caixa  e diz que assina por ele  e pelos outros.

Quando o Estado deve ser Estado!

jfd, 29.11.12

O Conselho de Ministros aprovou um diploma relativo à redução dos prazos de pagamento aos produtores e fornecedores no sector alimentar. Quando o credor for uma micro ou pequena empresa de bens alimentares exclusivamente destinados ao consumo humano o prazo é reduzido para 30 dias. Este regime é também aplicável às médias empresas do sector da produção e transformação do pescado, atendendo à sua especificidade.

Considerando que os prazos de pagamento se repercutem a montante, é alargado o âmbito do diploma a todos os produtos alimentares que sejam produtos finais, destinados à transformação ou matérias-primas, abrangendo, deste modo, os agricultores, os pescadores, as indústrias alimentares e a distribuição.

Por último, é incentivado o papel da autorregulação, reconhecendo-se expressamente, no diploma agora aprovado, a possibilidade de celebração de códigos de boas práticas comerciais que envolvam as estruturas representativas da distribuição, da indústria e da produção.

Violência doméstica

José Meireles Graça, 29.11.12

Ontem foi dia de entrevista do PM. Deixemos de lado a patente mediocridade dos entrevistadores, agravada no caso de Judite de Sousa por não perceber que as pessoas nem querem um debate (para isso é necessária igualdade de estatutos, não uma distribuição de papéis em que um pergunta e o outro responde), nem querem saber o que realmente pensa o entrevistador (Judite, se pensa alguma coisa, não vai muito acima da versão ¡Hola! do jogo político), nem querem subserviência - o que não é a mesma coisa que adoptar um comportamento impertinente, interrompendo a despropósito o entrevistado e impedindo-o de completar raciocínios.

 

Deixemos de lado também a maior parte do que disse Pedro Passos Coelho. Quem vê estas coisas também acompanha a vida política, e Passos não acrescentou praticamente nada ao que já se sabia.

 

Porém, questionado sobre quem é o seu número dois, respondeu rápido: “É o ministro das Finanças”. Isto parece um fait-divers: face à dimensão dramática dos tempos que vivemos, que interessa lá a hierarquia formal do Governo? Acaso os ministros dão ordens uns aos outros? Portas, que pelos vistos é o nº 3, acaso pode dizer ao número quatro - faz isto e aquilo?

 

Lamento, mas o formalismo e os símbolos contam: a nossa bandeira é um pano, mas com ela não se limpa a louça; o nosso País pode estar sob diktat dos credores, mas suponho que não recebemos instruções sobre como votar na ONU.

 

Ora, o Governo foi formado por dois partidos com um certo peso eleitoral e maneiras diferentes de ver o interesse nacional, mas com um grau suficiente de convergência para assegurar, face à esquerda radical e à esquerda irresponsável, ambas no Parlamento, um mínimo de estabilidade. E dos votos que conferem legitimidade ao Governo os primeiros e principais depositários são Pedro Passos Coelho e Paulo Portas - por esta ordem.

 

Vítor Gaspar foi nomeado por quem tinha competência para o nomear mas não foi eleito. E mesmo que o tivesse sido cabe perguntar se o esforço que é preciso fazer para que cada qual abafe a sua maneira própria de ver as coisas, e nessa medida se comprometa com decisões que não tomaria se estivesse só, é compatível com uma permanente abdicação de um lado, e uma permanente sobranceria do outro: Gaspar até poderia ser o homem certo no lugar certo, coisa em que, incidentalmente, cada vez menos gente acredita; e até pode ser o homem forte do Governo, coisa de que muita gente suspeita. Mas não é com ele que o Primeiro-Ministro tem que negociar: ele pode ser substituído sem cair o Governo; Portas não, salvo a hipótese de sair voluntariamente. De resto, negoceia-se com um parceiro, não com um número três - a menos que a coligação tivesse não dois mas três partidos.

 

Um fait-divers, decerto: daqueles que minam os casamentos. E mesmo não estando, como não estou, ao corrente dos problemas do casal, quer-me parecer que um dos cônjuges deve imaginar que o medo das consequências é um cimento que permite todos os abusos. 

Importa-se de repetir? (XX)

Sérgio Azevedo, 29.11.12

Ao que parece Mário Soares lidera um movimento que assinou uma carta aberta ao Primeiro Ministro para que o Governo mude de política ou então se demita. A contestação, em democracia é normal e até saudável. Até ai tudo bem. Mas quando é o "bem posto" da vida democrática, Mário Soares, a liderar um movimento contra seja o que for, é sinal que está tudo explicado. Se houve personalidade que sempre se aproveitou e tirou partido de qualquer regime foi este senhor. Agora, é só tirar as ilações...

 

Entrevista de Passos Coelho após aprovação do OE2013

Carlos Faria, 29.11.12

Num momento difícil da ação governativa, quando o Governo é dardejado como culpado dos espinhos da correção da herança de um Portugal por 25 anos a crescer mais nos gastos do que no PIB (crescimento económico suportado num consumo maior que a produção é uma falácia) e imediatamente após a aprovação de  um oçamento onde as dores do tratamento atingem um novo máximo, Passos Coelho sujeitou-se a uma entrevista na TVI para explicar a sua governação.

Colhi duas ideias base:

- o tratamento é difícil mas é necessário para curar o País e implica dores, mas não há modo de escapar a estas e está determinado neste trabalho. Compreende os sofrimentos do Povo, mas espera conseguir salvar Portugal.

- 2013 corresponde ao ano onde implementará as mudanças necessárias à gestão do Estado para se reduzir nas despesas e daí poder-se passar a diminuir a carga fiscal. Planeia um debate nacional público nesta reforma.

Apesar de tudo, o caminho trilhado e a percorrer tem riscos, mas é a solução segundo Passos Coelho.

O Primeiro-ministro parecia cansado, os jornalistas praticamente não o deixavam acabar um raciocínio para o questionar, o contradizer ou o levar a comentar terceiros – uma técnica que é considerada boa em Portugal, pois quem está no poder parece que não é entrevistado para esclarecer o País, mas para se defender -, contudo, julgo que estas as ideias Passos Coelho conseguiu passar e agora todos os opositores tentarão desmontá-las para criar um cenário diferente que sirva às suas estratégias políticas.

Eu compreendo a ideia do Primeiro-ministro, mas lamento que Passos não tenha começado logo em 2011 a reformar o Estado, quando ainda os Portugueses não desconfiavam tanto deste governo e atribuíam, corretamente, ao passado as culpas da situação do País. Agora pode ser um pouco tarde e os riscos de sucesso reduziram-se drasticamente.

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