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Forte Apache

a crónica dos entalados

Rodrigo Saraiva, 25.01.13

 

António José Seguro está entalado desde que assumiu a liderança do PS. Começou entalado entre a escolha de cumprir o memorando e a pressão das tropas ditas socráticas que desde inicio não lhe facilitaram a vida. Ao invés de fazer um caminho de ruptura com estes, decidiu a ruptura com o memorando. E Seguro chega ao final de Janeiro de 2013, lá está, entalado. Mas desta vez entalado entre notícias positivas para o Governo, que não fez rupturas com quem nos emprestou dinheiro, e as tais tropas (ditas) socráticas que na verdade nunca fizeram um período de nojo, passaram meses a afiar garras e facas e agora aí estão eles prontos para o ataque.

 

Mas analisemos bem o cenário actual e tentemos perceber se pelas bandas socialistas é só Seguro que está entalado. Vamos directos ao assunto, directos a quem se fala: António Costa.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa tem que decidir, se já não o fez, várias coisas rapidamente. E estão todas interligadas.

Será recandidato a Lisboa? Será candidato ao PS? Há quem pergunte se será candidato a Belém …

António Costa deixou condicionar-se pela sua ambição. Tem pouca margem de manobra para sair bem no cenário, pois é tanta a encenação. Se havia dúvidas que nunca se sentiu confortável no papel de autarca e apenas olhava para a autarquia lisboeta como um trampolim, mesmo que assuma recandidatura, fica claro que assim foi e é.

A somar à ambição está o facto de António Costa não conseguir esconder que não gosta de Seguro (e percebe-se que o sentimento é recíproco) e não lhe reconhece capacidades. Sente-se melhor que Seguro, sente que é ele o “escolhido”. E uma turba de saudosistas dá-lhe gás, que se confunde com nevoeiro, criando um ambiente de sebastianismo.

 

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Calvin and Hobbes

Joana Nave, 25.01.13

Por esta ordem de ideias uma pessoa com 70 anos teria cerca de doze páginas para escrever com a sua autobiografia. A verdade é que uma vida se mede em fases e não em anos: a infância, a juventude e a idade adulta, e dentro desta o início, o auge e a decadência. Há ainda períodos da nossa vida que estão repletos de acontecimentos que vale a pena recordar, outros que não sendo bons definem quem somos, mas há aqueles em que nada acontece, esses sim, vazios, inertes, amorfos, em que seis anos se resumem numa página!

O tema do Momento?

Diogo Agostinho, 25.01.13

A oposição estava errada

Rui C Pinto, 24.01.13

A oposição sempre criticou a estratégia europeia de austeridade financeira delineada por Merkel. 

 

Todos os países cujos juros da dívida dispararam nos últimos dois anos aplicaram pacotes de austeridade de acordo com essa estratégia europeia. 

 

Os juros da dívida baixaram em todos esses países (permitindo, no caso português, a antecipação do regresso aos mercados). 

 

A oposição rejeita que a recente emissão de dívida portuguesa seja lida como um sucesso do governo português lembrando que os juros dos restantes países europeus também baixaram. 

 

Ora, parece-me evidente que a oposição deu um monumental tiro no pé. É a própria oposição que salienta o facto de os juros da Irlanda, Itália, Grécia e Espanha terem baixando nos últimos meses. A oposição reconhece, portanto, que a estratégia de austeridade promoveu, em toda a Europa, a acalmia dos mercados permitindo o financiamento a juros mais baixos. Os resultados estão à vista: a estratégia europeia a que até Hollande (o paladino socialista do crescimento) se converteu está a dar frutos provando que a oposição estava errada. 

Genial

Pedro Correia, 24.01.13

«O problema [em Portugal] são as camadas mais ricas. Impostos sobre o património: são pequenos. Imposto sobre sucessões: acabou em Portugal, ninguém propõe que seja retomado e devia ser. Impostos sobre bens e consumos de luxo: já os viu subir? Sobre aviões particulares, carros de alta cilindrada, motos de alta cilindrada, barcos, uísques caríssimos nas discotecas de sexta e sábado à noite. Daí podia-se ir buscar muito dinheiro. Se se fizesse isso não era preciso cortar nem um milhão de euros na despesa.»

Freitas do Amaral, hoje

Dois sucessos não asseguram a vitória final da batalha de Portugal

Carlos Faria, 24.01.13

Esta semana o Governo de Passos Coelho teve duas boas notícias: a venda de dívida nos mercados a juros baixos (ou pelo menos bem inferiores à última antes da troika ainda no tempo de Sócrates) e o défice público de caixa inferior aos 5% acordados com a troika (muito inferior aos mais de 10% herdados do tempo de Sócrates e que nos aceleraram para a bancarrota).

Gosto de receber boas notícias e depois de uma série de más, sobretudo, de um conjunto de previsões pessimistas, marteladas pelos opositores até à exaustão e replicadas com toda a força pelos OCS, sabe bem respirar um pouco casos de sucesso.

Todavia nada de euforias!

Nunca escondi que sou mais defensor de reformas nas despesas do Estado do que pela austeridade, mas nunca exclui a necessidade desta última. Na minha opinião, o Governo não só se atrasou demasiado nas primeiras, como exagerou na segunda. Apesar de tudo, reformar o Estado vai merecer a mesma intensa oposição que mereceu a austeridade, vinda de interesses instalados, das sanguessugas do setor público, dos oportunistas políticos e das esquerdas mais radicais. Hoje viu-se como procuram, sem qualquer benefício para Portugal, retirar méritos ao Executivo, desvalorizar e desacreditar os sucessos desta semana, como se não precisássemos destes para conforto psicológico e, sobretudo, para criar um clima e perspetivas económicas favoráveis ao investimento. Eles que se diziam pelo crescimento, tudo têm feito para ver se desmoralizam a sociedade e, consequentemente, o investidor

O Governo agora tem dois casos de sucesso para argumentar que não está tão errado na sua estratégia quanto muitos diziam, espero que os saiba utilizar a favor do País, mas ainda acontecerão coisas menos boas, veremos mais previsões pessimistas e ainda há um risco de uma entidade a não aceitar determinados valores do défice por critérios estatísticos que não são saldos de caixa e o risco de falhanço não desapareceu.

Acendeu-se uma luz no fundo do túnel, mas ainda muitos vão tentar abater o teto deste para que não haja sucesso para Portugal, pois há, uns por ideologia e outros por interesses pessoais, quem queira mesmo que Portugal não se reforme neste sentido ou faça força para que tudo fique na mesma e o País não ultrapasse os problemas que está a atravessar.

Cama feita

Francisco Castelo Branco, 24.01.13

António Costa garante que vai ao congresso. A reunião magna não está marcada mas o actual Presidente da Câmara de Lisboa já disse que vai estar presente. Na qualidade de Presidente da maior Câmara do pais ou como futuro candidato a secretário-geral do PS? E o que pensa o actual secretário-geral do PS de uma eventual recandidatura de António Costa a Lisboa? Dará o seu apoio?

Seguro já não tem margem para fugir à realidade. Se conseguir vencer os adversários internos pode ser que ainda tenha uma esperança de vir a ser Primeiro-Ministro, no entanto eu duvido porque a cama há muito que está feita.