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Forte Apache

Tapam Michelle e deixam o Óscar nu

Pedro Correia, 26.02.13

 

A fanática brigada antipecado que domina com mão de ferro o Irão - e tem bons amigos em Portugal - sentiu a pulsação muito acelerada ao vislumbrar o generoso decote de Michelle Obama na noite da distribuição dos Óscares. Como se já não lhes bastasse ver Argo - uma longa-metragem que denuncia sem pudores a ditadura islâmica - conquistar o Óscar de melhor filme.

Num país onde as mulheres continuam a ser severamente reprimidas a pretexto da manutenção da pureza islâmica, os censores de serviço não tardaram a obedecer aos ditames dos aiatolás, cobrindo a primeira dama norte-americana com tecido photoshopado, em prol dos bons costumes, como se pode perceber na imagem da direita - a que passou nos televisores de Teerão e arredores.

Mas podia ser pior: escapou ao rigor da teocracia iraniana o pecaminoso cabelo de Michelle, que noutros tempos só por lá surgiria abrigado sob um véu igualmente tecido pela censura.

Fica-me uma pequena dúvida: porque será que os censores se esqueceram também de cobrir com um pudico paninho o próprio Óscar, estatueta de um homem nu?

 

Também aqui

A democracia regressou à Itália

Carlos Faria, 26.02.13

Alguns gostam de interrupções da democracia para pôr os países em ordem e depois retomá-la já de casa arrumada à sua maneira, nem que para isso tenham de manter  a fachada de democracia e impôr Primeiros-ministros não eleitos que sejam da sua confiança estratégica. Fantoches manobrados de políticas impostas.

Por vezes esses mesmos amantes da democracia condicionada têm a sorte de um Estado eleger democraticamente um Primeiro-ministro da sua confiança  e então corre-se o risco de até esse Governo pensar que tem legitimidade para governar apenas pela cartilha desses amantes de  democracia com interruptores, que ora ligam, ora desligam.

Em democracia pode-se governar com medidas impopulares bem fundamentadas e com uma equipa técnica e moralmente credível, pois estas por vezes são até necessárias, mas não se pode governar sempre contra o povo apenas em benefício de uma credibilidade externa. Tanto num caso, como no outro, a curto ou médio-prazo a democracia tende a rejeitar aqueles amados só pelos que não os elegeram e, por norma, com grande ruído apostam no oposto da via que se seguia. O Cinco estrelas na Itália de hoje e o Syriza na Grécia de ontem são exemplos disto e deixam esta Europa atordoada, só espero que esta perceba antes que seja demasiado tarde.

A democracia regressou à Itália e como em democracia a política é o espelho do povo, os italianos votaram romaticamente no caos, contra uns sisudos e rijamente arrumados que lhe interromperam a democracia, só espero que estes sejam capazes de se adaptar à realidade e diversidade da Europa e permitam soluções equilibradas para todos, para bem de toda uma União Europeia e de todo o Velho Continente.

pré-pré-pré-campanha

Rui C Pinto, 25.02.13

Ao ler a reacção (no facebook) de José Arantes, director da RTP África e da RTP Internacional e ex-Secretário de Estado de Durão Barroso, às repetidas insinuações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a putativa candidatura de Durão Barroso à Presidência da República ocorreu-me que, a 3 anos das eleições presidenciais, já é tempo de olear as engrenagens...

 

O centro direita tem, até ao momento, dois potenciais candidatos: Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso. Ambos são suficientemente experimentados para saber que, no actual momento político, a percepção de uma intenção de candidatura lhes daria direito a Grândolas. O processo tem de ser gerido com pinças, mas já começou. Marcelo Rebelo de Sousa tem feito todos os possíveis para comprometer Durão Barroso com uma candidatura presidencial no seu comentário semanal. E Durão Barroso recebe Seguro em Bruxelas “completamente consciente dos sacrifícios que o povo português está a passar” e promete que “a Comissão fará tudo o que está ao seu alcance para apoiar Portugal”. As peças do tabuleiro já mexem. 

Custos de contexto I

José Meireles Graça, 25.02.13

"A grande maioria dos processos são interpostos por grandes escritórios de advogados, a maioria de Lisboa, que questionam a legalidade das acções praticadas pelos trabalhadores da Autoridade Tributária, por falta de competência e autoridade para actos que vão desde uma simples divergência sobre o imposto a pagar até inspecções mais complexas, como grandes crimes económicos e financeiros ou fugas e evasões fiscais."

 

O resto da notícia refere-se ao problema dos trabalhadores, e ao que diz o Sindicato, e como resolver o problema dos trabalhadores e contentar o Sindicato.

 

Por que razão a grande maioria dos processos são interpostos por grandes escritórios; porque estão os tribunais "entupidos"; qual é o tempo máximo, mínimo e médio dos processos até à sentença; qual a percentagem de sucesso dos reclamantes; qual tem sido a evolução do número de processos pendentes; e qual é a evolução previsível, face às últimas fornadas de legislação fiscal: isso não interessa nada.

 

Olha, jornalista das dúzias, assim também eu: detectas um problema, vais falar com o sindicalista de serviço, transcreves o que ele diz, e pumba - cá está a notícia fresquinha. Mas isso dava, quando muito, um parágrafo, e mesmo esse para o jornal da Intersindical. E o resto?

O melhor da Amadora são, sempre, as eleições

Filipe Miranda Ferreira, 25.02.13