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Forte Apache

Tracção animal

José Meireles Graça, 01.03.13

Mais um dinâmico cientista social que tem coisas para vender. Chama-se Olivier Lourdel e quer incentivos para os clientes e desincentivos para os refractários. A empresa chama-se Altermove, e distribui bicicletas, trotinetas e, pelos vistos, tretas.

 

E como as pessoas, na sua insondável ignorância, não sabem o que lhes convém e persistem em não andar à chuva nem suarem como cavalos para ir daqui ali, vamos todos, a golpes de multas e proibições, contribuir para a melhoria do ambiente, dado que "os níveis de CO2 nas cidades estão a atingir níveis insuportáveis".

 

Mas o Francês não se fica a rir. Nós por cá também temos especialistas da mesma extracção: "Se queremos construir cidades e ordenamento das zonas urbanas, temos de fiscalizar e garantir que todas as regras de estacionamento sejam implementadas a bem do cidadão, embora muitas vezes haja contestação", afirmou Luís Garcia, da Zetes Burótica, uma empresa de soluções de mobilidade.

 

Estou certo que António Bámoláver Costa encara com bons olhos estas madurezas: é moderno, cria postos de trabalho no ramo dos fiscais, forma os cidadãos recalcitrantes no são espírito das regras e proibições, além de aumentar a receita do município via multas. Tudo isto, que não é nada pouco, sem a maçada da melhoria dos transportes colectivos, ou a promoção da construção de parques de estacionamento.

 

Só benefícios, sem esquecer o nível dos níveis de CO2, que está a ficar "insuportável".

 

Abençoada desertificação: que para os meus lados, tirante a ocasional rotunda e o respectivo estropício escultórico, a ideia das bicicletas compulsivas ainda não mostra o seu nariz progressista.

 

E daí, não sei: não me tenho inteirado do nível dos níveis de CO2, seja lá essa merda o que for. 

Em Sintra

Maurício Barra, 01.03.13

 

 

Suponho que quem não é de Sintra não se apercebeu de um movimento avassalador que une grande parte dos sintrenses em relação às próximas eleições autárquicas. Contrariando os mesmos critérios que usaram de escolha de candidato para as outros municípios do distrito de Lisboa, o facto do  PSD distrital não ter dado seguimento à escolha que em Sintra os sociais democratas fizeram para próximo Presidente da Câmara - Marco Almeida, um sintrense, vice-presidente há oito anos, com um trabalho excepcional na área social e um grande apoio na área empresarial, um autarca no qual os sintrenses sempre encontraram apoio " para as coisas correctas aparecerem feitas e a tempo" – gerou um movimento que une sociais-democratas, socialistas, democratas cristãos e independentes em torno desta candidatura, "um dos nossos ", depois de sistematicamente Sintra ter sido tratada por todos os grandes partidos como depósito de candidatos coloridos que de Sintra só conheciam as queijadas.

Este movimento tem a curiosidade - e aqui algo de novo está a acontecer e que poderá ser precursor para outras situações similares - de não ser contra os partidos ( é comum encontrar simultaneamente apoiantes do governo de Passos Coelho a nível nacional e de Marco Almeida a nível municipal ) , nem contra os eleitores dos três partidos democráticos, mas sim de afirmação positiva pela escolha que no Concelho foi feita.

Quando se fala da falta de representatividade dos partidos não temos, a maior parte das vezes, exemplos claros de onde essa representatividade falha e pode ser transformada. Suponho que Sintra vai dar uma lição aos que pensam que quem nos representa tem que continuar a ser escolhido ao "estilo soviético", de cima para baixo, não respeitando a escolha que emerge a partir das próprias comunidades. Chegou o momento, pelo menos em Sintra, de a democracia ser respeitada.  

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