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Forte Apache

Porque não fiz greve...

Carlos Faria, 27.06.13

Compreendo a irritação de quem adere a esta greve, solidarizo-me com aqueles que votaram na reforma do Estado para pôr fim ao aumento continuado dos impostos e na não desvalorização do trabalho e agora veem que tal não veio a acontecer. Mas tenho de reconhecer que estes motivos, que são a razão do meu principal descontentamento, só seriam compensados mediante propostas alternativas credíveis sustentáveis que me justificassem lutar por elas, se estas não estão em cima da mesa, aderir a uma greve apenas para protestar e sem ser por nenhuma solução em vista para mim é pouco.

Se não resolve a sério o que gostaria que ficasse resolvido: a sustentabilidade económica de Portugal feita de um modo minimamente justo…; não contem comigo!

Assumptos do dia (10) Rituais

Luís Naves, 27.06.13

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Em tempos de crise, as pessoas gostam de rituais, tais como greves gerais e procissões para fazer chover. Eles ajudam a tranquilizar as consciências, embora por si não tragam qualquer mudança na crueldade da penúria.
Sendo para mim impossível fazer greve, tenho dificuldade em compreender as afirmações piedosas daqueles para quem o protesto se destina a defender o emprego.
Também não compreendo as indignações com o escrutínio dos sindicatos. Esta é uma polémica lateral, mas reveladora: uma recente pergunta de deputados social-democratas sobre o eventual financiamento público dos sindicatos de professores gerou uma tempestade de críticas. Habituámo-nos a ter agentes políticos que ninguém questiona. Não apenas sindicatos, mas associações patronais, de facto todos os parceiros sociais. Quem são, quem representam, quem os paga? Perguntas proibidas. Qual a legitimidade destas organizações ou a sua transparência interna? E qual a razão de serem tão escutadas? Perguntas impossíveis, num País onde muitos comentadores afirmam, sem contraditório, que o próprio Governo eleito perdeu a legitimidade.

 

Ipsis verbis

Pedro Correia, 27.06.13

«Os economistas atribuem a si próprios uma tarefa demasiadamente fácil e igualmente inútil se, nos períodos de tormenta, apenas nos podem dizer que, quando a tempestade tiver passado há muito, o oceano ficará calmo de novo.»

John Maynard Keynes

As vacas leiteiras

José Meireles Graça, 26.06.13

No actual Governo, tal como em todos os anteriores, não há gente que represente os interesses das PMEs, e isto tem tido, e continuará a ter, consequências.

 

Entendamo-nos: na classe dirigente lisboeta (incluindo os importados do resto do País) não há falta de economistas nem de gestores, e uns e outros às vezes não são completamente idiotas. E acontece chegarem ao Parlamento, ao Governo, à banca, às associações patronais, aos jornais, à televisão, pessoas que intuem alguma coisa sobre o funcionamento da nossa economia, e que têm algumas noções sobre a realidade, e de como esta persiste em desmentir pressupostos, insistindo ela, a realidade, no facto de ter razão, como não a tem quase nunca a teoria livresca com que a querem vestir para futuro.

 

Cabe perguntar então, antes de mais, porque não há pequenos empresários, mesmo de sucesso, senão dentro das suas chafaricas, dos quais se tem notícia apenas em artigos raros, para ilustrar fantasiosas bondades da política x ou y, ou em publicações de especialistas que nisso têm interesse profissional, ou em panegíricos para evidenciar que no nosso desgraçado País há gente de sucesso que faz coisas do arco-da-velha.

 

As razões são várias:

 

A um político exige-se que tenha concepções globais sobre o funcionamento do Estado (ou ao menos de uma autarquia, benza-o Deus), experiência ou intuição sobre o jogo político e as inclinações do eleitorado, e capacidade para articular e expôr, num todo convincente. Mas, desgraçadamente, as qualidades que se requerem para a carreira política não são as mesmas que fundam o sucesso empresarial: o torrencial palavreado de um troca-tintas notório, como o malogrado Sócrates, poderia ser aproveitado para dar um bom vendedor, mas dificilmente chegaria para pôr de pé uma fabriqueta.

 

Depois, a menos que estejamos a falar de um empreendimento na área das novas tecnologias, ou outra que requeira conhecimentos técnicos específicos, os quais façam germinar na cabeça do estudioso a ideia de um novo processo, um novo produto, uma nova técnica que este queira, possa e saiba converter numa organização para ganhar dinheiro, o tempo alocado a estudar formalmente é quase sempre, para este efeito, perdido. Ao contrário da ingénua crença nas virtudes da educação para aumentar o empreendedorismo, o que o pode promover são condições culturais para tentar e falhar, de facilidade regulamentar e financeira para nascer, de viabilidade por satisfazer uma necessidade, e fiscais para sobreviver e atrair. A educação interessa, apenas, como condição adjuvante - e muitas vezes nem isso. Essa gente que se queixa da "falta de formação dos nossos empresários" anda a nanar: a PME nasce quase sempre da circunstância, da ambição e do tipo que vê o que os outros não veem, e isso não se ensina. Ora, isto que vale para o empreendedorismo não vale para a carreira política: o canudo é indispensável (temos disso patéticas provas) e o político, mesmo que nunca tenha lido um livro e se limite a ler as trincas e mincas da comunicação social, precisa de saber afectar que leu e sabe.

 

Mas há mais: Os próprios empresários, se conhecidos e inquiridos sobre questões de ordenamento da nossa vida colectiva, dão respostas que com frequência fazem rir ou chorar - depende do feitio e dos preconceitos de quem ouve. E, decerto por ser assim, não se lhes pergunta nada e qualquer rapazinho que ainda há pouco se livrou do acne que lhe atazanou a adolescência, ou qualquer prestigiado professor de economia suficientemente imbecil para imaginar que sabe de ciência certa alguma coisa, são perfeitamente capazes, quando chegam ao Poder, de causar danos sérios às PMEs, de cuja realidade e vidas têm uma noção muitas vezes colhida noutras realidades e com frequência romântica.

 

Finalmente, o empresário tem mais que fazer: a pequena empresa é uma amante totalitária. Quando algum aparece no espaço público a opinar e fazer lobbying com assiduidade, ou já não é pequeno, ou não é empresário, ou não vai longe, ou tem algum esquema. E com a aceleração da concorrência, os condottieri empresariais de hoje ou estão ocupados a subir a ladeira do sucesso, ou assoberbados a evitar - ou adiar - o escorregão da falência.

 

O Governo socialista era, por definição, inimigo das empresas: estas precisam de tribunais que funcionem, leis de trabalho que permitam despedir, contas públicas equilibradas, impostos baixos e muitas outras coisas; mas não precisam de ajudas - a própria noção de ajudar umas empresas e não outras é em si deletéria; e, na medida em que todos os governos, incluindo o actual, acrescentaram sempre novas obrigações para as empresas, pode dizer-se que a maior ajuda que o governo actual pode dar é não fazer nada, a não ser reverter parte do asneirol que tem vindo a ser diligentemente construído há décadas.

 

É nesta linha - fazer marcha-atrás - que vejo com olhos benevolentes estas declarações. Mas - lá está - se me perguntassem se isto servirá realmente para alguma coisa, diria que mal não fará, mas se é para atrair investimento seria bom que pensassem em alguma coisa de revolucionário, algures entre 10 e 15% de IRC. Se ficar, como suponho, muito longe disso, e for portanto apenas uma poupança significativa para grandes empresas, trocava por outras medidas: que tal o Estado pagar as suas dívidas vencidas às empresas, permitir a conta/corrente fiscal, eliminar adiantamentos compulsivos, ao menos no âmbito do IRC, instituir o IVA de caixa para empresas maiores do que um vão de escada, reformar o funcionamento da máquina fiscal, acabando com a ideia daninha que se instalou nos serviços e na legislação de que os resultados é que contam, os meios para lá chegar não ... isso é que era.

 

Não vai suceder, é claro, nem nada de parecido: estas e muitas outras são coisas pequenas, miúdas, não têm originalidade nem panache.  Mesmo assim, chapeau a Frasquilho: não acha que as empresas sejam vacas leiteiras que possam dar cada vez mais leite, comendo cada vez menos. A maior parte dos colegas, do partido, dos outros partidos e da profissão, nem isso sabe.

A verdade a que temos direito

Maurício Barra, 26.06.13

Com a imprensa que temos, é nos blogs que podemos ser correctamente informados sobre o que possa beneficiar a actividade do actual Governo.

 

Destaques do Boletim Estatístico BdP:

Componentes da balança de pagamentos (saldo):

- Balança Corrente = + € 162 milhões (era negativo de € 22 milhões, no 1º trim);

- Balança de Bens+Serviços = + € 432 milhões;

- Balança Corrente+Capital = + € 868 milhões;

Recuperação do ritmo das exportações de mercadorias, que até Março estavam a crescer apenas 0,5% e que no final de Abril exibem uma taxa de crescimento de 4%, resultante de uma forte expansão (superior a 17%) nesse último mês.