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Forte Apache

"Brancas" jogam e perdem

Pedro Correia, 31.07.13

Nunca tive a menor dúvida sobre a orientação do Tribunal Constitucional relativamente à questão das candidaturas autárquicas. Para mim, portanto, a decisão dos juízes do Palácio Ratton - hoje anunciada - relativamente à candidatura de Fernando Seara em Lisboa não constituiu surpresa. Vem na sequência de várias outras, emanadas dos tribunais comuns. Já tinha ocorrido em Évora, Loures, Tavira, AveiroAlcácer do Sal, Beja  e  Guarda. Com derrotas claras do auto-proclamado Movimento Revolução Branca (que raio de nome...) encabeçado por um ex-mandatário de Narciso Miranda. Alguém que só ganhou alergia aos chamados "dinossauros" do poder local depois de ter sido ferrenho adepto do tiranossaurus rex de Matosinhos.

Como já referi aqui e aqui, não faz o menor sentido limitar direitos políticos consagrados na Constituição da República com interpretações extensivas da lei ordinária. A ausência da clarificação que a Assembleia da República deveria ter feito ao diploma que interdita mais de três mandatos consecutivos na mesma câmara municipal ou na mesma junta de freguesia foi um erro que não pode ser compensado com outro, de maior gravidade. A melhor doutrina jurídica ensina-nos que a compressão de um direito só é admissível com menção expressa na letra da lei, não invocando um seu putativo "espírito" à mercê de calendários políticos.

Os "revolucionários brancos" terão de arranjar muito em breve outra causa para se manterem à tona das ondas mediáticas. Esta tornou-se um "não-assunto", como bem lhe chamou Vital Moreira. 

O Esplendoroso Declínio (1)

Luís Naves, 31.07.13

Série de textos sobre a decadência da Europa, que também publico aqui.

 

1

Um historiador do futuro talvez considere que 1989 foi o ano em que a civilização europeia se tornou verdadeiramente global, mas para os europeus que viveram a transição, o colapso dos regimes comunistas é geralmente interpretado como o culminar da reunificação do continente.
Esse ponto de vista é estreito e pode tornar-se rapidamente anacrónico. A nova ordem que se desenha é acima de tudo financeira e planetária. Ela inclui democracias, oligarquias e ditaduras. Ela caracteriza-se por uma vasta e crescente circulação de produtos e capitais, mas também pela globalização dos media.


 

O carteiro invisível

José Meireles Graça, 31.07.13

Já redigi centenas de posts, e tenho esperança de que, tirando o facto de residir em Guimarães e trabalhar em Fafe, pouco tenha deixado entrever da minha intimidade.

 

Mas hoje não resisto a divulgar um facto familiar alarmante: suspeito que a minha Mulher dá sinais de loucura. E, pior, dá sinais de loucura por causa do novo carteiro.

 

Explico: À volta de um ano, mudou o carteiro. E, periodicamente, passei a ser inteirado de que o digno funcionário, quando houvesse cartas registadas, se abstinha de entrar no jardim ou esperar que viessem ao portão, antes deixando um aviso na caixa de correio, que obrigava a deslocações escusadas ao posto local, que dista uns quilómetros, implicando parcómetros, filas, esperas - a tralha do costume.

 

Isto originou uma reclamação, que a minha Mulher, porventura já abalada na plena posse das suas faculdades, apresentou por escrito. E a resposta veio, esclarecendo que o carteiro tocava sempre à campainha (o texto não esclarecia se duas vezes, que no serviço de reclamações não deve haver cinéfilos), deixando o aviso em caso de não haver resposta, pelo que a reclamação não teria fundamento.

 

Há meses, fui informado de que o carteiro veio entregar uma encomenda, tocou à campainha e entrou no jardim, colheu o recibo da entrega e, apesar de lhe ter sido pedido para se certificar, à saída, de que o portão ficava fechado, por causa do cachorro, saiu com o bicho trotando alegremente atrás da motoreta, o que foi testemunhado.

 

Como o animal foi avistado perto do antigo Hospital, preso por uma trela a um miúdo que o terá vendido a desconhecidos, estes infelizes sucessos causaram grande desgosto doméstico, e colocaram o carteiro na categoria de persona non grata naquela casa. Eu próprio registei mentalmente o incidente, para o efeito de, em cruzando-me com aquele servidor dos CTT, lhe revelar alguma impressão pessoal sobre o seu comportamento.

 

Sucede que as cartas registadas devolvidas continuaram. E como, segundo a tese possivelmente alucinada que minha Mulher adiantou, está sempre gente em casa, foi apresentada nova reclamação.

 

A resposta chegou hoje. E nela, com extrema amabilidade, somos novamente informados de que o carteiro afirma "passar aviso apenas quando não é atendido".

 

Soube, a propósito do negregado plano de privatização, que os CTT são uma organização prestigiada, lucrativa, eficiente e depositária inclusive de merecidos prémios internacionais. E a carta, acima referida, diz que "Os CTT-Correios de Portugal, estão empenhados em conferir Qualidade aos seus Produtos e Serviços, de forma a satisfazer todos os Clientes, pelo que nos esforçamos por evitar e corrigir todo o tipo de situações, que possam eventualmente comprometer os níveis de satisfação a que nos propomos".

 

Já a sucessão estranha dos factos alegados me deveria ter levantado suspeitas. Mas este texto, impressionante pela sua evidente sinceridade e pela abundância de maiúsculas, lançou esta dúvida excruciante no meu espírito: ou a minha Mulher sofre de momentâneas alucinações, ou esta organização tão gabada é um logro.

 

Na dúvida, vou apoiar a privatização. Não é que os privados não enviem cartas parvas aos clientes; é que têm menos quem os defenda.

True Colors - Rui Rio

jfd, 31.07.13

Rui Rio não quis ser oportunista. Nem hipócrita. Apenas foi aquilo que sempre foi. Umbiguista, com pouco sentido partidário e de estado. É um político e não um Político. Essa prerrogativa lhe assiste. Mas ontem mostrou (de novo) as suas verdadeiras cores. Fica para a história julgar. Vergonhoso, digo eu. Houve e continua um bom trabalho no Porto. Merece a cidade ver isso marcado por vinganças pessoais? Por necessidade de preparar o seu pós-executivo? Por se esquecer qual o desígnio do seu mandato, da sua filiação e da sua responsabilidade?

Isto não é uma brincadeira de crianças mas sim um assunto muito sério.

Não creio que os apoiantes de Rui Rio, e principalmente de Portugal, se revejam no triste discurso a que ontem assistimos na RTP.

 

Os sintomas da doença incógnita

José Meireles Graça, 30.07.13

Barreto, estou a imaginá-lo durante a entrevista: cenho franzido, duas fundas rugas cavadas por anos de meditação sobre os males da Pátria, os olhos angustiados e errantes, e o dedo fulminante apontando a sentença definitiva, profunda e límpida:

 

"... todos os políticos e gestores de empresas públicas que lesaram o Estado devem ser responsabilizados politicamente, e judicialmente só aqueles que cometeram verdadeiras ilegalidades".

 

É isto? Cáspite!, que a gente está mesmo ao lado da solução e não é que nos passa desapercebida?

 

Mas, espera: Há alguém que ignore estes nomes? Há alguém que não saiba acrescentar à lista muitos outros? Há quem desconheça, localmente, quem são os edis que começaram os seus mandatos a tinir e os acabaram com fartos cabedais? Há algum responsável político sobre cujos desmandos, reais ou imaginários, a Oposição do dia não se tenha cansado de chamar a atenção?

 

O regime precisa ser reformado, sim: o sistema eleitoral, a legislação criminal, incluindo o processo penal, as práticas e meios de investigação; como casar a investigação do enriquecimento ilícito com a preservação da privacidade e sem reforçar os poderes de uma administração fiscal enxerida e predatória; e uma longa lista de outras matérias.

 

Para tudo isto é preciso estudar muito, discutir muito, e com muita paciência. E não ter excessivas esperanças: que no meio de um eleitorado que não hesita em eleger homens sobre cuja venalidade há poucas dúvidas não irá nascer de um dia para o outro aquele espírito de exigência e censura que é a verdadeira garantia de uma vida pública sã.

 

Agora, os já clássicos discursos de motorista de táxi não melhoram se embrulhados numa retórica mais elaborada. Fosse Barreto um blogger anódino, como este Vosso criado e muitos, e não estaria mal. Mas quando se detém uma magistratura de influência convém não dizer apenas qual é o destino, mas também como lá chegar.

 

Barreto isso não fez. E é pena, que há uma relativa abundância de quem sabe muito; e escassez de quem diga como se faz melhor.

Brincar ao jet-set...

Fernando Moreira de Sá, 30.07.13

 

 

"É como brincar aos pobrezinhos", explicava Cristina Espírito Santo na revista do Expresso. Confesso que mal li a coisa, no sábado de manhã, virei-me para quem estava comigo e avisei: "isto vai dar confusão e da grossa".

 

Não é preciso ser bruxo para o saber. Toda a reportagem (excelentemente bem feita, por sinal) tinha tudo para gerar invejas, sobretudo nas redes sociais. Obviamente, a Espirito Santo do momento colocou-se a jeito. A facilidade com que alguns endinheirados deste país cometem o erro de falar para a imprensa como se fossem íntimos da maralha costuma dar asneira. Confundem entrevistas nos jornais/revistas com as conversas no Gigi entre flutes de Moet. Na nossa vizinha Espanha é natural esta ligação umbilical entre jornalistas e jet-set. Abundam as revistas e os programas de televisão que fazem qualquer português normal corar de vergonha. Confesso que, nestas matérias, me sinto como o tolo no meio da ponte. Acho um piadão ao estilo descontraído e meio doido espanhol e considero uma enorme hipocrisia a nossa forma de ser perante estas banalidades.

 

Quando era miúdo costumava ouvir a comparação entre um português e um americano perante o Ferrari do vizinho. O meu pai, procurando educar-nos para a matéria, repetia-a vezes sem conta: o americano olha para o ferrari do vizinho e diz: "Vou trabalhar tanto que vou conseguir ter um carro como o dele" enquanto o português preferia outro caminho: "vê-se logo que anda metido no tráfico de droga". Somos assim e não vale a pena andar a lamentar. Porém, somos assim por uma razão tão grave e séria que nem o 25 de Abril conseguiu alterar: um americano que se esforce, que trabalhe de sol a sol consegue. Um português na mesma situação acaba por desistir pois não o consegue - é mal pago, não é reconhecido e vê histórias como as do BPN/BPP a desencorajar o seu esforço.

 

Eu até posso perceber o que queria dizer a Espirito Santo. O que não entendo é como ela foi tão "inocente". No fundo, tenho de concluir que ela, a exemplo de tantos outros compatriotas, desconhece profundamente o país onde vive. É pena e é um mau sinal.

Erro cognitivo devidamente planeado.

Maurício Barra, 30.07.13

O sistema de contra-informação que Sócrates deixou instalado na imprensa portuguesa continua no seu melhor. Transformou o dolo público das swaps aprovados durante o seu consulado em. . . . .culpa de actual Ministra das Finanças, precisamente a responsável pela sua denúncia e negociação determinada da sua solução.

De uma penada, a Ministra arranjou um pacote de três inimigos: o propriamente dito, que quer reescrever a história, os bancos “benevolentes “, que pensaram que  “mamar o Estado” era a coisa mais natural do mundo e a imprensa “amiga” , hoje já tão previsível que se conhece com antecedência o road-map ( órgãos de informação e autores ) da cadência das campanhas de “ deformação “.

Alerta Laranja

Maurício Barra, 29.07.13

A transferência da energia para o Ambiente entusiasmou Mexia, porque permitirá que continue a mexer na co-geração à moda de Sócrates. Com os Portugueses a pagar, claro. E, para “épater les bourgeois”, eventualmente aparecerá  um descontozito de 3 a 5% na factura para a indústria pesada.

Transformar a conta energética em factor de aumento da competitividade da economia nacional, isso, está de regresso ao Canadá. 

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