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Forte Apache

...indústria...

Ricardo Vicente, 07.12.11

...é verdade que as massas e as elites passam a vida com a "narrativa da modernidade" de que a indústria é coisa do passado, a indústria deslocaliza-se, o futuro e a modernidade estão nos serviços. Mas, que eu saiba, e reconhecendo todos os processos de deslocalização em curso, nenhuma das grandes economias do mundo e praticamente nenhuma das pequenas que mais têm crescido se desenvolve sem indústria. Qual é a estrutura produtiva de uma Alemanha, França e Itália? Quantas marcas de carros é que há numa Coreia do Sul? Sabem eles qual é a contribuição para a economia portuguesa de uma (uma só) Auto-Europa? E a produção automóvel na Áustria e Turquia e Espanha?

Esse mito de que a indústria é coisa do passado e que um país cresce exclusivamente com serviços, internet, turismo e golfe é das piores e mais cancerígenas mentiras que nos têm sido impostas por Bruxelas, políticos, socialistas e  alguma gente das elites do pensamento...

3 comentários

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    Ricardo Vicente 07.12.2011

    A dívida japonesa tem de ser refinanciada e ninguém pode garantir que o mercado interno de aforradores não se retraia e o governo consiga colocar dívida nova sempre a taxas de juro baixas. Veja por exemplo a Itália: boa parte dessa dívida é detida por nacionais e, no entanto, os juros têm subido.

    As razões para o Japão não levar com uma tróica em cima são (1) ter moeda própria e (2) ter uma estrutura de produção forte, o que significa que ninguém espera alguma vez que o Japão sofra um colapso económico. É o que escrevi no post: o Japão tem indústria, agricultura e exporta: a sua riqueza tem bases sólidas, daí não haver tróica nenhuma.

    Já Portugal e a Grécia: sem agricultura e pescas, sem indústria, com o crescimento distante e em grande medida baseado no sector Estado (que se endividou) o colapso económico é possível. A Grécia até a indústria náutica perdeu.
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    NanBanJin 08.12.2011

    Caro R.V.:

    Precisamente. O Japão por razões que se prendem com a idiossincrasia local chegou a ser — não estou certo que o seja ainda — o maior mercado de aforro privado do mundo, com o Nippon Yūsei — o Serviço Nacional de Correios — a carregar em mãos cerca de 140 triliões de ¥enes (1/5 da dívida pública nacional, mais coisa menos coisa) em poupanças de particulares há uns dez anos atrás — uma das razões para a obsessão do Governo Koizumi com a questão da privatização dos serviços postais, que lá conseguiu levar avante em 2005, ao fazer cair a câmara dos representantes à Dieta em Agosto desse ano e convocar eleições legislativas, que o próprio Koizumi disse constituírem "um referendo à privatização dos correios" — as últimas, aliás, que o LDP ganhou na sua longa história de hegemonia político-partidária no Japão. Entretanto a confiança das famílias e investidores privados, e sobretudo desde a crise financeira aberta em 2008, sofreu uma fortíssima contracção, como seria de esperar, o que veio agravar a questão da dívida interna, que permanece como o pior nó górdio governativo deste país.

    Tudo o resto é exactamente como, acima, o R.V. afirma: valha-nos um sistema produtivo sólido e sustentável a longo termo, 14 indústrias automotoras próprias, líder absoluto dos mercados da electrónica, óptica e equipamento fotográfico, robótica e tecnologia industrial de ponta, entre outros — ou seja indústria, o tal sector secundário que põe bens de uso e consumo em estantes e montras, e há ainda, como bem diz, quem se dê ao luxo de o menosprezar.
    A força produtiva deste grande país, uma referência, ainda, e apesar de todas as dificuldades que vem vivendo e que são conhecidas, enquanto dinâmica económica ao serviço de verdadeiros desígnios nacionais de desenvolvimento sustentável e afirmação da sua identidade no Mundo, e isto em condições de soberania plena — onde a moeda própria é uma arma a nunca subestimar.


    Melhores cumprimentos e bem-haja pelo 'feed-back',

    L.F. Afonso, Japão

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