Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

...é verdade que as massas e as elites passam a vida com a "narrativa da modernidade" de que a indústria é coisa do passado, a indústria deslocaliza-se, o futuro e a modernidade estão nos serviços. Mas, que eu saiba, e reconhecendo todos os processos de deslocalização em curso, nenhuma das grandes economias do mundo e praticamente nenhuma das pequenas que mais têm crescido se desenvolve sem indústria. Qual é a estrutura produtiva de uma Alemanha, França e Itália? Quantas marcas de carros é que há numa Coreia do Sul? Sabem eles qual é a contribuição para a economia portuguesa de uma (uma só) Auto-Europa? E a produção automóvel na Áustria e Turquia e Espanha?

Esse mito de que a indústria é coisa do passado e que um país cresce exclusivamente com serviços, internet, turismo e golfe é das piores e mais cancerígenas mentiras que nos têm sido impostas por Bruxelas, políticos, socialistas e  alguma gente das elites do pensamento...


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16 comentários:
De NanBanJin a 8 de Dezembro de 2011 às 03:02
Caro R.V.:

Precisamente. O Japão por razões que se prendem com a idiossincrasia local chegou a ser — não estou certo que o seja ainda — o maior mercado de aforro privado do mundo, com o Nippon Yūsei — o Serviço Nacional de Correios — a carregar em mãos cerca de 140 triliões de ¥enes (1/5 da dívida pública nacional, mais coisa menos coisa) em poupanças de particulares há uns dez anos atrás — uma das razões para a obsessão do Governo Koizumi com a questão da privatização dos serviços postais, que lá conseguiu levar avante em 2005, ao fazer cair a câmara dos representantes à Dieta em Agosto desse ano e convocar eleições legislativas, que o próprio Koizumi disse constituírem "um referendo à privatização dos correios" — as últimas, aliás, que o LDP ganhou na sua longa história de hegemonia político-partidária no Japão. Entretanto a confiança das famílias e investidores privados, e sobretudo desde a crise financeira aberta em 2008, sofreu uma fortíssima contracção, como seria de esperar, o que veio agravar a questão da dívida interna, que permanece como o pior nó górdio governativo deste país.

Tudo o resto é exactamente como, acima, o R.V. afirma: valha-nos um sistema produtivo sólido e sustentável a longo termo, 14 indústrias automotoras próprias, líder absoluto dos mercados da electrónica, óptica e equipamento fotográfico, robótica e tecnologia industrial de ponta, entre outros — ou seja indústria, o tal sector secundário que põe bens de uso e consumo em estantes e montras, e há ainda, como bem diz, quem se dê ao luxo de o menosprezar.
A força produtiva deste grande país, uma referência, ainda, e apesar de todas as dificuldades que vem vivendo e que são conhecidas, enquanto dinâmica económica ao serviço de verdadeiros desígnios nacionais de desenvolvimento sustentável e afirmação da sua identidade no Mundo, e isto em condições de soberania plena — onde a moeda própria é uma arma a nunca subestimar.


Melhores cumprimentos e bem-haja pelo 'feed-back',

L.F. Afonso, Japão



De Ricardo Vicente a 8 de Dezembro de 2011 às 11:10
Muito obrigado por este flash da história recente do Japão. Aqui na Europa também se vive o problema das baixas expectativas do sector privado, o que pode minar a eficácia de uma eventual expansão monetária (a taxa de juro de referência do Banco Central Europeu já está nos 1,25%...). Abraços!


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