Terça-feira, 13 de Setembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

Não sei o que é andar de comboio. Confesso o pecado. Talvez o Dario se tenha apoderado daquela minha parte do cérebro que toma as decisões e me tenha levado a esta escolha de última da hora: ir de comboio.

 

Aqui estou. Sentado. Confortável? Sim. Quer dizer, se o banco não fosse tão inclinado…se fosse permitido fumar…se o tipo engravatado sentado em frente tivesse as pernas mais curtas. Esperem um pouco, se faz favor, está a passar um funcionário da CP e aqui o caloiro da coisa vai perguntar como raio se coloca o banco em posição para gordos como eu, ou seja, um banco "à homem".

 

Já está, ufa. Nem imaginam a diferença. Só não gostei do ar do engravatado. Deve ter achado piada. Desconfio que é de esquerda. Daquela retinta que considera todos os condutores de veículos de quatro rodas como uns perigosos fascistas poluídores. Logo eu, pffff. O meu carro até está equipado com aquela coisa do filtro de partículas.

 

O que eu dada por um cigarrito, senhores. 

 

Engraçado, a duração da viagem é idêntica. O custo é bem menor. E sempre posso ir a escrever…CREDO….se eu fosse gato tinha acabado de perder uma das sete! Esta coisa de passar um comboio mesmo ao meu lado, sem aviso, é aterradora.

 

Estão na moda os fatos azul petróleo com camisa igual e gravata azul berrante. Tenho para mim que são meros casos de poluição visual. Por falar nisso, esta viagem é assustadora: da janela do comboio vejo as vísceras de um certo Portugal. Fábricas abandonadas, quintais horrendos e sucatas escondidas. Tanto tijolo vermelho de fora, tanta parede por pintar. Tanta pobreza a espreitar.

 

Que diferença. Quando era miúdo o comboio era uma das opções. A pior. Hoje, vale a pena. Mais económico que o automóvel. Confortável qb e com estas modernices todas (telemóvel, pc, mp3, etc.) não custa tanto passar o tempo e sempre se pode ir a escrever no blog ou, o que vou fazer agora, adiantar trabalho. Agora? Bem, agora vou é ver se existe algum local amigo do fumador...


tiro de Fernando Moreira de Sá
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3 comentários:
De Ricardo Vicente a 13 de Setembro de 2011 às 11:36
E as pessoas que mal se sentam tiram logo os sapatos? E os vídeos do Eládio Clímaco e da Isabel Angelino? VIVA PORTUGAL!!!


De Pedro M. a 13 de Setembro de 2011 às 17:34
Não faz mal se não for de esquerda, o comboio leva toda a gente, até os comunistas, fascistas, nudistas e budistas.

Mas tem razão- quem leva livros, mp3, geringonças, um bloco ou companhia desdobrou o seu tempo de percurso em dois.

E foi na maior segurança, com direito a "motorista".


De Dario Silva a 14 de Setembro de 2011 às 02:10
Aqui o passageiro experimentado agradece a deferência;
Em 2010 terei feito sobre carris ± 42,000 km. Uma boa colheita, portanto.

Discordo de um ou dois pontos do texto; quando eras pequeno o comboio não seria a pior das opções, para muita, muita gente era mesma a única porque há 30 anos tínhamos apenas uma amostra de rede de estradas "moderna".
Para mim, o comboio não é a última ou a pior escolha. É, quanto possível, a primeira opção. Não é uma imposição ou um remedeio, é uma solução inteligente para ir e voltar a sítios (poucos sítios, que o Cavaco não gosta de Fontes Pereira de Melo e tratou de eliminar quase 30% da rede ferroviária).

Ora, sem comboio, sem um caminho-de-ferro, iremos longe? Não, não vamos a nenhures.
Dos países ricos e prósperos do mundo actual, há a tirar a seguinte ilação: ou têm petróleo ou têm um bom caminho de ferro.
Não me ocorre nenhum país rico sem comboios e sem petróleo. A menos que jorre no Beato…


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