Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Não concordo com leis que tornem ilegal ou mesmo crime ter esta ou aquela opinião. Isto quando as opiniões podem ser discutidas, refutadas e, até, testadas com métodos científicos. E discordo ainda mais nos casos em que as opiniões não são falsificáveis (por exemplo, a religião). Dito isto, Erdogan e muitos turcos têm dificuldades em aceitar a sua própria História e isso é muito mau. E tendo dito isto, também me parece que o momento escolhido para esta iniciativa francesa é tudo menos inocente.

 

É interessante observar que à medida que a Turquia vai ganhando preponderância geográfica, política e militar alguns países da Europa vão tomando um maior número de medidas cuja consequência é alienar ainda mais a Turquia do convívio com a Europa. Esses países europeus parecem ter optado por fabricar um inimigo, quando poderiam há já muito tempo ter ganho um aliado fortíssimo. Triste velha Europa.

 

Também é triste comparar as políticas francesas (e alemãs) de apaziguamento em relação à Rússia com a atitude de humilhação e, quase, de acossamento dirigida à Turquia. Mais uma vez, países há que parecem demonstrar uma confusão muito grande na distribuição das simpatias internacionais. E, mais uma vez, é evidente que na União Europeia não existe qualquer homogeneidade quanto às amizades e inimizades com países de fora da União. Aí está o que já escrevi da outra vez: a economia não chega para uma união política.


tiro de Ricardo Vicente
tiro único | gosto pois!

De Anónimo a 23 de Dezembro de 2011 às 19:10
O que quer dizer com opinião não falsificável no caso da religião? Não digo isto sarcasticamente, estou mesmo a perguntar a que se refere, por curiosidade. Se diz que não é falsificável no sentido em que uma pessoa não pode fingir que tem uma certa opinião religiosa, ou seja, a opinião religiosa reflecte sempre o que a pessoa verdadeiramente acredita, então discordo. Se bem que isso nunca funciona contra o que defende. As pessoas tendem a fingir uma religião que não é censurada, por razões bastante óbvias (pense-se judeus na Inquisição), e não uma censurada, logo a censura nunca incidiria sobre falsos crentes. Contudo, não posso deixar de sentir uma certa ingenuidade em tal interpetação. Há quem beneficie muito com uma crença "útil". Note-se que não o estou a "atacar", gostaria só de esclarecer esse ponto.


De Ricardo Vicente a 24 de Dezembro de 2011 às 09:39
Não, não é nesse nesse sentido. O que quero dizer com "não falsificável" é o seguinte. Em religião, é fácil encontrar ideias que nem pode ser provadas como verdadeiras nem sequer podem ser provadas como falsas (isto é, não são "falsificáveis"). Estou a aplicar o termo "falsificável" no sentido utilizado por Karl Popper.


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