Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Não concordo com leis que tornem ilegal ou mesmo crime ter esta ou aquela opinião. Isto quando as opiniões podem ser discutidas, refutadas e, até, testadas com métodos científicos. E discordo ainda mais nos casos em que as opiniões não são falsificáveis (por exemplo, a religião). Dito isto, Erdogan e muitos turcos têm dificuldades em aceitar a sua própria História e isso é muito mau. E tendo dito isto, também me parece que o momento escolhido para esta iniciativa francesa é tudo menos inocente.

 

É interessante observar que à medida que a Turquia vai ganhando preponderância geográfica, política e militar alguns países da Europa vão tomando um maior número de medidas cuja consequência é alienar ainda mais a Turquia do convívio com a Europa. Esses países europeus parecem ter optado por fabricar um inimigo, quando poderiam há já muito tempo ter ganho um aliado fortíssimo. Triste velha Europa.

 

Também é triste comparar as políticas francesas (e alemãs) de apaziguamento em relação à Rússia com a atitude de humilhação e, quase, de acossamento dirigida à Turquia. Mais uma vez, países há que parecem demonstrar uma confusão muito grande na distribuição das simpatias internacionais. E, mais uma vez, é evidente que na União Europeia não existe qualquer homogeneidade quanto às amizades e inimizades com países de fora da União. Aí está o que já escrevi da outra vez: a economia não chega para uma união política.


tiro de Ricardo Vicente
tiro único | gosto pois!

De Pedro Freire a 25 de Dezembro de 2011 às 00:48
De acordo. Sobre o assunto, escrevi no meu blog "Será que os anjos tê sexo?".
«Sei o que é um genocídio, mas não sei bem qual é a definição oficial, se é que há uma. A guerra - por enquanto só diplomática e de palavras - entre a França e a Turquia parece-me ridícula. Não sei se a matança de arménios pelos otomanos em 1915 foi um genocídio ou não. Milhão e meio de mortos é muito, mas não é só o número que interessa para saber se se tratou ou não de um genocídio. Acho que é trabalho para os historiadores e não para os políticos. Se houver várias opiniões diferentes entre os historiadores que estudarem o assunto, não vem por isso mal ao mundo, penso eu. Por isso, não compreendo como um país democrático como a França decide impor penas duras de prisão e/ou multa a quem defenda que a matança dos arménios em 1915 não foi um genocídio. Por outro, lado também se compreende mal que na Turquia, herdeira do Império Otomano, seja exactamente o contrário que é proibido. Para quem defende a liberdade de pensamento e de expressão de opinião, ambas as proibições parecem condenáveis. Mais condenável ainda me parece ser decretado que determinado acto histórico foi um genocídio em retaliação por outra decisão de outro país, como fez a Turquia, depois de ter ameaçado, denunciando que a França procedeu a genocídio na Argélia. Quer dizer, se a França não tem proclamado o genocídio arménio, a Turquia calava-se com o alegado genocídio na Argélia, sendo portanto a denúncia apenas uma vingança e não uma consideração de uma verdade histórica. »


De Ricardo Vicente a 25 de Dezembro de 2011 às 20:55
Muito obrigado pelo seu contributo!


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