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Forte Apache

Os liberais de pacote

Luís Naves, 03.01.12

Consigo perceber um capitalista que muda de país para pagar menos impostos. Sobretudo quando é dono de uma multinacional. O que não consigo compreender é a reacção pavloviana de Blasfémias ou este comentário de Pedro Pestana Bastos. Qual é a relação entre a mudança de domicílio fiscal do Pingo Doce e comprar gasolina em Badajoz? Isto só pode ser o começo de uma desconversa ou o autor do Cachimbo decidiu brincar com os seus leitores e não apanhei a ironia. Por outro lado, Francisco Louçã tem toda a razão. A evasão fiscal explica parte da situação financeira do país. Basta dar uma olhadela ao parque automóvel e aos modelos novinhos em folha que vejo por aí.

 

Percebo que o senhor Alexandre Soares dos Santos queira pagar menos impostos em Portugal. O dinheiro não tem Pátria. Já não percebo é o contentamento dos chamados "liberais": eles não parecem perceber que este tipo de acontecimento é o seu pesadelo.

Venha então a harmonização fiscal a nível europeu, para as empresas não andarem por aí a ver onde é que pagam menos.

Em Insurgente, Filipe Faria faz uma significativa confusão. A UE tem liberdade de circulação de capitais. O que a Jerónimo Martins fez é inteiramente legal. Mas, ao contrário do que afirma o autor, este caso demonstra o problema da competição fiscal e a razão pela qual ela vai acabar. O mercado único implica harmonização das taxas de IRC e o fim dos off-shore. É inevitável ou não haverá mercado único (como se vê pelo que fez a Jerónimo Martins, entre outras). Não vamos querer que alguns países, como a Holanda, vivam do trabalho dos outros.

 

Mas a questão tem também a ver com a hipocrisia. Ainda me lembro de ouvir Alexandre Soares dos Santos, num dos seus brilhantes diagnósticos sobre a situação portuguesa, dizer que "sem finanças sãs não há desenvolvimento" e depois alertar para a explosiva "questão social", que ameaçava ter graves consequências.

Eu, que pago os meus impostos e não compro gasolina em Badajoz, fico um bocadinho desanimado com a fibra destes doces "liberais" de pacotilha. No fundo, só pensam no deles. E da próxima vez que os ouvir a dar a táctica para o país, sei que vou mudar de canal.

5 comentários

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    Luís Naves 04.01.2012

    Estou a ver que as teses pseudo-liberais do autor citado fazem o seu caminho. Comparar EUA e Europa é um disparate, pois nenhum país europeu quer ser como o Kansas. A liberdade de capitais com concorrência fiscal e livre circulação de trabalhadores (perdão, de colaboradores) daria origem na Europa às diferenças que existem entre Kansas e Califórnia.
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    Miguel Noronha 04.01.2012

    "nenhum país europeu quer ser como o Kansas"
    Grandes certezas tem o Luís Naves. Como costuma auscultar a opinião dos "países"? A emitir opiniões do género só conheço pessoas. Embora haja quem tenha por hábito falar com plantas.
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    Luís Naves 05.01.2012

    Não vale a pena estar a discutir nestes termos. O senhor decidiu que não concorda comigo, independentemente dos meus argumentos. O que afirmo é uma evidência. Não é possível fazer comparações entre EUA e Europa porque os EUA têm um orçamento federal de 20% do PIB e o orçamento europeu é de 1% do PIB.
    Ninguém quer ser o Kansas no sentido de ser um estado sem população ou indústria e muito mais pobre do que a média, um estado que obtém uma proporção mais elevada das transferências federais.
    Isto, na Europa, não é possível. Ninguém quer ser o Kansas. É por isso que não haverá concorrência fiscal num ambiente de moeda única e mercado único. Se os leitores não compreendem este mínimo, leiam Blasfémias.
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    Miguel Noronha 05.01.2012

    É melhor mesmo. Pelo menos no Blasfémias falam com conhecimento de causa.
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