Domingo, 15 de Janeiro de 2012
por José Adelino Maltez

Antes de haver Estado, constituição, parlamentos e governos, o indivíduo já tinha coisas tão básicas, como o direito à liberdade de andar, o primeiro dos direitos, ao livre pensamento e até à propriedade. Mas cuidado, sou um perigoso liberal, favorável à libertação do terrorismo, incluindo o velho terrorismo de Estado.

 

Foi em nome da liberdade de andar que se foi erguendo a minha pátria, a pátria da língua portuguesa, a que se libertou do feitiço da soberania e abraçou o mundo pelo sonho do paraíso na terra. Na república dos portugueses que restam ficaram muitos dos enjoados que tinham medo do navegar é preciso.

 

Felizmente, os enjoados nem conseguiram exportar hierarquicamamente a sua flor do dito santo ofício. A maioria dos portugueses à solta preferiu levar as misericórdias e os concelhos. E eles se semearam pelo exemplo.

 

Desde quando é que eu tenho de agradecer a um qualquer membro de um órgão de soberania a mercê que ele pensa dar-me ao dizer que me deixa exercer os meus direitos fundamentais? Os direitos naturais e originários são coisa do indivíduo e não da concessão estadualizante de qualquer funil de direitos civis. Pelo menos, para mim, que sou mais por Locke do que Robespierre ou pela Constituição de 1933 que, desde que entrou formalmente em vigor, logo suspendeu de forma provisoriamente definitiva os direitos que hipocritamente discriminou.

 

"Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas" (Mouzinho da Silveira em 13 de Dezembro de 1832, depois de se demitir de ministro da fazenda, não aceitando ceder à ilegalidade de uma extorsão fiscal, em conselho ao sucessor).

 

"Em Portugal, não temos liberais, mas libertinos, demagogos e ultramontanos de todas as cores..." (António Alçada Baptista, em 1972).


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