Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

Estava reunido com um novo colaborador quando este me diz: "Sabes, fulano, continua no desemprego. Já são quase três anos assim".

 

Estamos a falar de um jornalista, um excelente jornalista aqui do Grande Porto detentor de uma das melhores agendas de contactos que se conhece. Estamos a falar de alguém que faz muita falta numa boa redacção. Estamos a falar de alguém que nunca me passou pela cabeça ver, ao fim de tantos e tantos meses, ainda no desemprego. Depois, lembrei-me de outro jornalista na mesma situação e que conheci recentemente. Fiquei pensativo. 

 

Ao contrário destes dois casos, cujos nomes não revelo por não lhes ter pedido permissão, ontem vi na TVI 24 outro grande jornalista que já não está a exercer. Como foi público, revelo o seu nome: Joaquim Letria. Um dos jornalistas que me habituei a ver e ler quando era mais novo. Foi um dos culpados pelo meu fascínio pelo jornalismo. O Joaquim Letria não está no desemprego. Fiquei a saber que é professor de Comunicação em Aveiro. E fiquei igualmente a perceber que o que ele queria era estar no jornalismo. Parece que não existe espaço, no actual jornalismo, para profissionais desta qualidade. Estranho. E que diferente da política portuguesa. E que diferente da agenda em vigor: sempre os mesmos entrevistados, as mesmas caras, as mesmas ideias e eternos projectos. É deitar os olhos ao actual programa do Herman José, sempre com os mesmos convidados desde finais dos anos oitenta...

 

Eu percebo a necessidade de renovação de quadros. Só não entendo que a mesma seja feita "descartando" os melhores, aqueles que podem ensinar os que chegam a trilhar caminhos de excelência. Olho para televisões e leio jornais da primeira linha de diferentes países onde se faz essa transição serena entre gerações. Aqui não é assim. Estranho.


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | comentar | gosto pois!

4 comentários:
De Eduardo Saraiva a 16 de Janeiro de 2012 às 22:26
Subscrevo o post


De raioverde a 17 de Janeiro de 2012 às 01:43
eu também.


De k. a 17 de Janeiro de 2012 às 10:20
Infelizmente, o estado fragilizado dos meios de comunicação, apenas dilui a sua qualidade, e afasta os melhores do jornalismo: Um jornal para sobreviver, cada vez mais tem de ou se sujeitar a poderes politicos/privados, ou a ser mesmo um "mercenário" de noticias pagas.
Para isto, não é necessário um bom jornalismo, nem bons jornalistas - recem licenciados que escrevem ainda pior que eu (o que é dificil) chegam.

Os editores.. bem que podem querer aumentar a qualidade dos seus jornais (e acredito piamento que há publico para a qualidade, e que é falso a noção que "o povo só quer lixo"), e ter os melhores a trabalhar consigo, mas isso custa dinheiro que eles não têm - as condições de mercado praticamente assim o ditam.

Como dar a volta a isto? Como ter jornais suficientemente ricos para serem independentes, e com isso, poderem arriscar a ser de qualidade?


PS: Poderei estar a ser demasiado economicista, é defeito de fabrico meu, my appologies


De Pedro Correia a 17 de Janeiro de 2012 às 22:51
Muito bem, Fernando. Da primeira à última linha.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds