Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
por José Adelino Maltez

Adorei ver um habitual comentador, de há quase trinta anos, denunciar as nomeações do poder bancoburocrático do velho Sindicato das Arcadas, de há trinta anos, ou mais. Um problema de osmose entre as duas faces dos donos do poder do situacionismo. Estão uns para os outros. E até tratam os políticos da partidocracia como seus feitores, para manterem as maravilhas politiqueiras do rotativismo, onde vira o disco, mas fica o mesmo. Ainda ninguém reparou que, aqui e sempre, o estadão, o capitalismo e o capitaleirismo são irmãos gémeos? A diferença que vai da economia privada sem economia de mercado, a nossa, ao capitalismo monopolista de Estado com estabilidade de partido único é um mero choque eléctrico, com moinhos de vento. A faceta catrogueira deste ciclo de regime é das estórias onde qualquer coincidência com a realidade não passa de ficção das almas maldosas da antinação. Mas tem uma vantagem, a da caricatura. Estadão é coisa que acontece sempre que o Estado já não somos nós e passam a ser Eles. E quando Eles nos ocupam a república, através dos aparelhos de poder, depressa perdem a vergonha e tratam de tratar o Estado como se ele fosse a própria casa, isto é, em economia doméstica. Os gregos chamavam déspotas aos ditos. Os romanos, donos. Por enquanto só lhes chamamos nomeados, com muitos elogios dos que pensam ser subnomeados e lhes oferecem a iluminação e o esclarecimento dos intelectuais orgânicos. O problema não é quantitativo, mas qualitativo. A manutenção do mau paradigma do "spoil system". Aliás, Guterres quando se descaiu com os "jobs for the boys" estava a proclamar "no jobs for the boys". Acabou por ser rotina, à esquerda e à direita, outra coisa pior: a avidez dos "boys", das "girls", dos de meia-idade e dos gerontes. Papam tudo. Até o nada de que são feitos. Ao Estado o que é do Estado e aos césares do devorismo o que é das nomeações, mesmo quando são outros a formalizá-las. Pena que, aos subcésares do negocismo, pertença tudo. Incluindo o pão e circo com que domesticam as multidões que os cesarizam. As agências de comunicação até facturam mais, com estas chicotadas psicológicas do "agenda setting".


tiro de José Adelino Maltez
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1 comentário:
De IT a 17 de Janeiro de 2012 às 19:03
Ui!
Concordo plenamente!


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