Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

Na revista "Tabu" do Sol tropecei num trabalho de Ricardo Nabais sobre o Dakar 2012: "Sacanas sem Lei - as trapaças do Dakar".

 

Nesta "reportagem" são contados vários episódios desta mítica prova de aventura. Muitos deles nada abonatórios para a organização, os concorrentes e para a imagem do desporto. O jornalista não conta nada de novo para quem acompanha o Dakar. Não me esqueço de uma das maiores trapaças a que assisti, ao vivo e a cores, no Centro Cultural de Belém, com os franceses da organização a cancelar a prova por "motivos de segurança" e carecas de saber que o motivo era outro. Sem cuidar de atender às verdadeiras desgraças financeiras de muitos pilotos amadores, aos sonhos desfeitos de tantos outros e aos investimentos privados de tantos e tantos que viviam o Dakar.

 

Aquilo que aconteceu ao Paulo Gonçalves, a que a peça do Sol se refere e que aqui no Forte Apache fui escrevendo na altura, é apenas um dos exemplos da dualidade de critérios da organização e dos equívocos. Isso e uma campanha de comunicação digna de registo, pelo elevado profissionalismo, que levou o Eurosport (parceiro fundamental na divulgação da prova na Europa) a ignorar olimpicamente aqueles que morreram durante esta edição (um branqueamento, que me lembre, nunca visto noutras edições da prova em África) ou o cuidado em mostrar o director da prova muito preocupado com os concorrentes amadores. Foi de ir às lágrimas…

 

 

A verdade é uma, a ASO (organizadores da prova) conseguiu um feito digno de registo: continuar a utilizar o nome "Dakar" numa prova que se realiza noutro continente e evitar, a todo o custo e por todos os meios, inviabilizar todas as tentativas de reerguer o verdadeiro Dakar, aquele que arranca na Europa, se corre em África e termina no Lago Rosa, Dakar, Senegal. A prova na América é fantástica? É. É melhor do que a original? Nem sim nem não, é diferente. Mas não é a mesma coisa. Nem uma invalida a outra. Melhor dito, não deveria inviabilizar. Porém, a ASO tudo fez, faz e, estou certo, fará para inviabilizar o renascer do verdadeiro Dakar. Motivo? Simples, o negócio. Business as usual…

 

O "Africa Race" anda a tentar. Não consegue e piora de ano para ano. Em primeiro lugar, por teimar em organizar a prova nas mesmas datas. Em segundo lugar, pelo medo das marcas em sofrerem represálias da ASO. Em terceiro lugar, por causa do espírito de vingança que não é, nestas como noutras coisas, bom conselheiro. Por último, um motivo simples, a cópia é sempre mais fraca que o original. Para o todo terreno regressar em força a África e ao espírito original do Dakar é fundamental organizar uma prova para todos, com um apoio claro e bem definido dos países por onde passa e procurando juntar a boa vontade de muitos apaixonados pelo TT. As marcas, ao início, não vão arriscar nem são precisas. Elas surgirão mais tarde, quando virem as inscrições crescer, os media alinhar e a aventura voltar a ser mítica. Pelo esforço, pela superação humana, pela aventura e pelo prazer. O verdadeiro espírito do todo terreno.

 

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