Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por João Gomes de Almeida

 

Nunca como hoje fez tanta falta o PPM do antigamente nesta AD. Sei que esta frase pode criar agitação nas hostes de todos aqueles que como eu defendem e sempre defenderam este governo - que na minha modesta opinião tem feito o que consegue e muitas vezes o que não consegue, para endireitar o nosso país e cumprir à risca o acordo estabelecido com os nosso credores.

 

Digo isto depois de mastigar, ao longo do fim-de-semana, as declarações do Professor Cavaco Silva. Resumindo: as palermices ditas pelo próprio e largamente citadas em todo o lado, explicam em grande parte o porquê de eu ser monárquico.

 

Nunca um chefe de estado, no estado a que chegou o nosso país e perante a calamidade social que muitos portugueses enfrentam, pode proferir tais declarações. É inaceitável que o originalmente modesto Cavaco de Boliqueime, na posição que ocupa, possa usar do seu exemplo - bem remunerado ao longo da vida e com imensos privilégios legítimos dos cargos que ocupou - para dizer que está a sentir a crise e que não sabe como irá arcar com as suas despesas.

 

Um rei nunca diria isto, porque o vínculo que o une ao seu povo é muito maior e na maioria das vezes mais ténue, obrigando-o a ser verdadeiramente um porta-voz dos eleitores que nunca o elegeram, mas que têm sempre o ónus do poderem mandar dar uma volta quando lhes apetecer.

 

Voltando ao primeiro parágrafo. A esta AD fazem visívelmente falta homens de boa vontade, que ponham em causa o regime republicano, que cem anos depois de instaurado nada fez pela melhoria da nossa qualidade de vida e que nada augura de bom para os próximos cem anos do nosso Portugal. O momento deve ser de profunda reflexão em torno do nosso país e do seu futuro, "pelo que não devem existir assuntos tabu" (cito Manuel Alegre nas comemorações do centenário da república).

 

Nos momentos que correm, houvesse um PPM no governo - como o de Ribeiro Telles, Augusto Ferreira do Amaral, Barrilaro Ruas, João Camossa, Rolão Preto e Luís Coimbra - e a próxima revisão constitucional certamente atribuíria ao povo português a possibilidade de pela primeira vez referendar o seu regime. Parar, pensar, votar e decidir, sobre o futuro da sua nação - em decréscimo, desde há mais de um século.

 

Perante o estado de sítio a que chegámos e perante o descrédito das instituições, sei que o povo português irá reagir. Só espero que a classe política portuguesa tenha a coragem de discutir abertamente o regime. As mudanças mais simbólicas, na maioria das vezes, são aquelas que mais fazem por uma nação.


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16 comentários:
De Faust Von Goethe a 23 de Janeiro de 2012 às 01:31
Bem visto João,

Como escrevi em Outubro 2011 aqui:
http://idp.somosportugueses.com/site/?p=4944

"
(...)
É em situações de crise em que os activos dos bancos escasseiam, que os activos das pessoas deverão ser usados como créditos: Estes activos são as nossas ideias e valores. Só elas permitirão o nosso estado e os nossos bancos saiam da insolvência.
"


De Tiago C a 23 de Janeiro de 2012 às 09:30
"Um rei nunca diria isto, porque o vínculo que o une ao seu povo é muito maior e na maioria das vezes mais ténue..."
Partes deste post, como a que seleccionei, fazem mais pela república que os disparates de cavaco pela monarquia. Esta aura que os simpatizantes monárquicos fazem à volta da hipotética pessoa real, quase comparando-o a uma entidade divina, demonstra o quanto estão afastados da realidade portuguesa. Para além da contradição sobre a suposta ligação entre o superior e os seus subditos alicerçada em fundamentos de superioridade que advêm do nascimento. E não nos esqueçamos que esta suposta elite que rodeia o exercício do poder não é um exclusivo, ou melhor, não é uma invenção da república.


De Senhor Embaixador a 23 de Janeiro de 2012 às 10:20
Excelente. Partilharei este post no meu blogue.


De Ricardo Vicente a 23 de Janeiro de 2012 às 11:28
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3981203.html

"Um rei nunca diria isto, porque o vínculo que o une ao seu povo é muito maior": suponho que existam muitos reis que saibam o que é ser filho de um gasolineiro...

Nos últimos 100 anos, o país ficou melhor em todos (ou quase) os aspectos. Isto não é opinião, é facto (a menos que se acredite que pobreza é melhor do que riqueza, etc.).


De Octávio dos Santos a 23 de Janeiro de 2012 às 12:29
«Nos últimos 100 anos, o país ficou melhor em todos (ou quase) os aspectos»?

Não exactamente: o país só começou a ter, verdadeiramente, melhores índices de desenvolvimento - o que inclui não só critérios sócio-económicos mas também liberdade de expressão e de organização - do que os que tinha antes de 1910... a partir de 1974. E, mesmo assim, o tempo do PREC não representou propriamente um progresso...

Só alguém muito ignorante da História, ingénuo, ou mal intencionado, pode afirmar, e acreditar, que a I e a II Repúblicas foram épocas superiores à da Monarquia Constitucional.


De Ricardo Vicente a 23 de Janeiro de 2012 às 14:08
Quem é que é ignorante, ingénuo ou mal intencionado? Então uma família média portuguesa viva pior em 1970 do que em 1870??? Mas será possível que isto hoje ande tudo maluco?????

Nunca ouviu falar do milagre económico português na década de 60 do séc. XX??

Que raio de índice de desenvolvimento é esse que diz que Portugal estava melhor em 1909 do que em 1973??????


De Octávio dos Santos a 23 de Janeiro de 2012 às 14:51
Em termos de liberdades individuais, de prácticas democráticas, sim, Portugal estava melhor em 1909 do que em 1973. Em 1870 a diferença (a desvantagem) de Portugal em relação à Europa (mais) desenvolvida era menor do que a que se verificava em 1970 - tanto económica como politicamente falando.

E... «milagre económico da década de 60»? Não, não ouvi falar... só nasci ontem ;-). Num contexto de forte emigração, guerra colonial e continuada repressão, não me parece que «milagre» seja uma palavra adequada.


De Ricardo Vicente a 23 de Janeiro de 2012 às 21:23
Nos últimos 100 anos, o país ficou melhor em todos (ou quase) os aspectos.

2012 vs. 1912: em Portugal 2012 o nível de vida é mais alto e as liberdades políticas são mais amplas do que em 1912. É um facto. Se não é possível chegar a acordo nem sequer quanto a factos desta natureza, creio que não é possível sequer estabelecer uma discussão.

Década de 60 do séc. XX em Portugal: houve guerra, ditadura e emigração? Certo. Houve um crescimento económico fortíssimo? Também. Uma coisa não invalida a outra. São factos.


De Miguel Vilas Boas a 23 de Janeiro de 2012 às 13:56
Parece-me "um pouco" descabida essa opinião.
Caso não tenha reparado vive a crédito num país que também vive a crédito. Vem dizer-me que está mais rico do que quando não havia necessidade de sobre-endividamento?
Não sei o que é o etc. mas posso assegurar-lhe que se tiver a coragem de verificar o número de pessoas votantes (sim, pode contar com os mortos e tudo) nas primeiras e nas segundas eleições republicanas verá que existiu um decréscimo. Logo diminui a liberdade. Disparou a taxa de criminalidade, o desemprego só não atingiu os números que vemos hoje porque para evitar a contra revolta que seria uma questão de anos decidiram matar de uma maneira original. Mandando para as primeiras linhas de batalha soldados inexperientes e experientes mas sem meios. Sabe quem esteve a prestar auxílio a esses soldados?
Exactamente... foi o Rei, o jovem, mas bravo, exilado mas mais português que qualquer presidente que tenha passado pelo muito património roubado. Se houver alguma área que eventualmente não tenha sido coberta no post (que é normal e sei que as há), não se iniba e responda. Pesquise e pergunte! Mas tenha sempre em atenção que depois de ver o pai e o irmão assassinados por quem fez leis para que não mais houvesse monarquia em Portugal mas ainda assim ajudar os portugueses quando ele próprio estava doente. Terá sido o maior exemplo em toda a nossa história em termos de patriotismo. Diga que presidente deu algum exemplo de fosse o que fosse e assim ficamos bem conversados. Lembro que D. Duarte Pio nada recebe do Estado que o roubou, no entanto, ajuda mais o povo português do que o filho do gasolineiro.


De Ricardo Vicente a 23 de Janeiro de 2012 às 14:22
Isso: pesquise e pergunte! Pesquise e pergunte: estatísticas e números, meu caro, estatísticas e números. A opinião é livre mas os factos não dependem das inclinações poéticas de cada um.

Pesquise e pergunte: é um belo conselho que lhe retribuo.


De Miguel Vilas Boas a 24 de Janeiro de 2012 às 13:35
Ricardo, vamos por partes. Economia começamos?

Bom diga-me então quantas vezes faliu Portugal enquanto Monarquia em 800 anos e depois diga-me quantas faliu em república em 100.

Direitos? Vou excluir aqui dois períodos para bem da conversa, a não ser que o Ricardo seja salazarista (que não vejo mal nenhum, as convicções de cada um dizem respeito a cada um), Os períodos que iria retirar eram do lado da Monarquia o período absolutista e de igual modo o período absolutista do lado da República.
Diga-me qual é o direito que entretanto adquiriu pelo facto de ter mudado para uma república, peço perdão de lhe ter sido imposto pelo assassinato de duas pessoas que nem Governo eram, eram mais Nação. Por isso vai dizer que ganhou o direito ao quê? Já agora convém que faça a comparação à época! Pois caso contrário efectivamente não vale a pena.
Se efectivamente achar normal que com mais do que o dobro da população (que é bem diferente do número de votantes, pois como sabe eram bem menos na altura) um presidente da república tenha números similares aos obtidos em 1911.... Fica aí o crédito da república portuguesa e aí estou com a Moody's e com a Standart &Poor's o crédito que esta república merece é 0, lixo.
Por isso lhe retribuo desta vez mais curtamente: PESQUISE! Se o souber fazer convenientemente encontrará dados desde 1860 contendo população efectiva, % da população eleitora e % da população votante.
Agora não vou discutir o óbvio se em 1910 quando tinha uma coisa era sua, hoje quando a tem não é! E esta é a diferença principal.


De Ricardo Vicente a 24 de Janeiro de 2012 às 16:00
Nos últimos 100 anos, o país ficou melhor em todos (ou quase) os aspectos.

2012 vs.1912: em Portugal 2012 o nível de vida é mais alto e as liberdades políticas são mais amplas do que em 1912. É um facto. Se não é possível chegar a acordo nem sequer quanto a factos desta natureza, creio que não é possível sequer estabelecer uma discussão.


De Octávio dos Santos a 25 de Janeiro de 2012 às 22:09
«As liberdades políticas são mais amplas do que em 1912.» Pois são: dois anos depois do golpe de 5 de Outubro, os republicanos já tinham acabado com quase todas.


De Ricardo Vicente a 26 de Janeiro de 2012 às 10:56
Em 2012, as liberdades políticas são mais amplas do que em 1912, 1910, 1908, 1906, 1892, ..., 1143.


De Grevista do sector privado a 23 de Janeiro de 2012 às 15:32
Ribeiro Telles, se a memória não me falha, era o primeiro-ministro em exercício quando a polícia de choque do Ângelo dos Pregos abateu a tiro dois homens, e espancou violentamente dezenas de pessoas, incluindo dentro das urgências do hospital de Santo António.


De João Silva e Freitas a 23 de Janeiro de 2012 às 20:07
Este é ainda um País intoxicado por cem anos de de República e que vive do preconceito. Atente-se na Europa (e no mundo) com os melhores niveis de bem-estar social e são monarquias. Portugal no final da monarquia em 1910 estava entre os niveis médios de bem-estar na Europa. Tinha um regime parlamentar democrático, em que 7% dos lugar no parlamento eram ocupados por repúblicanos. Foram estes 7% que a partir de Lisboa imposeram através do assassinato um regime ditaturial ao País. A I República foi o desastre que sabemos. A II República surge para pôr fim à anarquia em que se vivia com outra ditadura. A III República que esperançosamente surgiu foi mais uma vez tomada pelos republicanos de sempre que se continuam a encher à tripa forra desgraçando o Povo, levando-o à condição de pedinte da Europa, tendo-nos colocado na cauda da mesma. Se tivessemos continuado o caminho que estavamos a fazer antes do 5 de Outubro de 1910, hoje seriamos um País melhor e os portugueses seriam mais orgulhosos de o serem. Quem aqui vem advogar os beneficios da República deve com certeza ser um dos poucos beneficiados dela.


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