Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
por José Adelino Maltez

A questão dita dos feriados é tão absurda quanto isto: em cada uma das cinquenta e tal semanas do ano, além de um feriado não religioso, o sábado, há um feriado religioso, o domingo. Pior do que isso, cada um dos dias da semana na nossa língua tem o nome de "feriado", isto é, feira, derivado do latim "feria", isto é, festa religiosa. Por outras palavras, se incluirmos o sábado judeu, todos os dias do ano em Portugal são de feriado. Somos, de facto, uma feira. Amen!

 

Os laicistas quando estiveram no poder nem sequer tiveram a coragem de fazer retornar o nome dos dias da semana às designações pagãs, anteriores à determinação papal de Silvestre, julgo que no ano 200.

 

Hoje, no poder, não estão laicistas nem antilaicistas, estão quem somos, os medricas.

 

Logo, apenas apelo a uma adequada revolta dos senhores deputados, em nome da comunidade das coisas que se amam. É uma matéria de não-disciplina partidária e de fidelidade a valores maiores, em nome de uma lealdade básica. Há algemas que libertam.

 

Consta que a bandeira nacional e o hino nacional serão objecto da próxima reunião do Conselho de Alvarização Nacional. A bandeira pode ser uma marca. E o hino até convém que seja em inglês pimba.

 

Hoje sinto uma íntima derrota dentro de mim. Mas nunca esquecerei e nunca pactuarei com quem subscrever este acto de frontal violação de símbolos nacionais. Há uma fronteira de sagrado que se marca a fogo na memória.

 

Subscrevo inteiramente o grito de revolta de Manuel Alegre: "É um acto contra a História e contra a cultura. É um acto anti-história e anti-cultura". Nem cito o ministro que veio a microfone dizer que, depois, se reforçará o 10 de Junho. Também sou radicalmente intransigente nessas matérias de mínimos de identidade patriótica. Lamento os ditos monárquicos que vieram fazer campanha contra o 5 de Outubro e os ditos republicanos que subscreveram o preconceito de o 1º de Dezembro ser dos monárquicos. Acabaram ambos alvarizados.


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4 comentários:
De IT a 27 de Janeiro de 2012 às 12:11
Lamento mas 'féria' é a jornada de trabalho de sol a sol e o respectivo pagamento. As feira, porque duravam um dia também se designaram do mesmo modo. Interessante é que a palavra é germãnica -sueva- e por isso é assim usada no norte de Portugal e Galiza. Interessante foi a evolução em alemão que hoje significa o contrário.

Quanto aos dias da semana: 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª só Portugal tem essa designação e vem da época do Reino Suevo. Nos outros países mantém-se os nomes dos deuses pagãos. Só aqui houve cristianização ;)

Sabe que durante a revolução francesa tentaram acabar com a semana de 7 dias e um intervalo e passar a haver uma semana de 10 dias e um intervalo -esperteza de burgueses, que levou á revolta do povinho.

E já agora a bandeira é uma marca -SEMPRE FOI. E convenhamos que as cores dos iberistas republicanos, são uma nódoa em hieráldica e em estética...


De dfg a 30 de Janeiro de 2012 às 18:09
Creio que a adopção da designação dos dias da semana por feiras é do séc XII ou XIII, Foi uma solicitação papal que apenas vingou em Portugal.


De IT a 31 de Janeiro de 2012 às 18:08
Séc. VI


De dfg a 30 de Janeiro de 2012 às 18:06
"Logo, apenas apelo a uma adequada revolta dos senhores deputados, em nome da comunidade das coisas que se amam. É uma matéria de não-disciplina partidária e de fidelidade a valores maiores, em nome de uma lealdade básica. Há algemas que libertam."
"É um acto contra a História e contra a cultura. É um acto anti-história e anti-cultura".
"Hoje sinto uma íntima derrota dentro de mim. Mas nunca esquecerei e nunca pactuarei com quem subscrever este acto (...)
Refere-se ao acordo ortográfico ou só serve para o 5 de Outubro?


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