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Forte Apache

Dois pesos, duas medidas

Pedro Correia, 15.09.11

 

Dois dos programas sociais de maior sucesso lançados pelo governo de Lula da Silva no Brasil foram o Fome Zero, que se propunha eliminar a subnutrição até 2015 num país onde existiam 40 milhões de pessoas ameaçadas por este flagelo, e o Bolsa Família, destinado a 12,4 milhões de brasileiros muito pobres ou em situações de miséria, que passaram a receber pensões de sobrevivência -- "um esquema antipobreza que tem vindo a ganhar adeptos em todo o mundo", elogiou a exigente Economist.

Nem só a revista britânica aplaudiu. Toda a esquerda planetária fez o mesmo -- incluindo a esquerda portuguesa. A mesma que agora se indigna com o Programa de Emergência Social lançado pelo Executivo -- que prevê descontos sociais na energia, transportes públicos, habitação e medicamentos, além da criação de 20 mil lugares em creches, entre outras medidas, apelidadas de "assistencialistas". Os que hoje, por cá, se insurgem contra as "esmolas" e a "caridade" do programa governamental que custará 400 milhões de euros no primeiro ano de execução nunca disseram isso das medidas "assistencialistas" adoptadas no Brasil para combater as vítimas de pobreza extrema. "Já faltou mais para este Governo apresentar um cartão único do pobre", afirmou o deputado socialista Miguel Laranjeiro. Seria interessante, já agora, saber como o mesmo parlamentar definiria os programas sociais brasileiros e se também chegou a levantar a voz contra as medidas de "caridade" oficial postas em prática pelo presidente Lula.

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