Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
por José Adelino Maltez

 

Detesto o politicamente correcto que até se diz contra o politicamente correcto, para ver se acerta na corrente do pensamento único que diz não o ser. É por isso que sou contra o situacionismo politiqueiro que, da esquerda menos à direita menos, não consegue compreender que só há verdadeira política que antes seja metapolítica. Isto é, que seja crença, ideologia, doutrina ou valores. Porque, no princípio, estão os princípios. Nada há de mais reaccionário do que um pretenso modernizador que proclame a tradição como o olhar para trás, quando só a partir das raízes pode haver progresso. Só as coisas verdadeiramente antigas é que não são antiquadas. As outras são modas que passam de moda.

 

A esquerda tem tradição. A direita tem tradição. O pretenso meio-termo do centrão, isto é, o discurso dominante nos últimos governos que se dizem de esquerda e que dizem de direita, não é fiel ao essencial daquele ponto fixo do centro excêntrico a partir do qual se pode mudar Portugal e a Europa. Basta que a tradição de esquerda se federe com a tradição de direita num acordo regenerador e refundacional, mesmo que se estabeleçam os campos do desacordo. Costumo chamar liberal a essa atitude. O liberal não é o liberalóide. Detesta contrafacções e não gosta de sucedâneos

 

Estamos à beira de uma alteração radical das circunstâncias, por causa da crise grega. Porque mesmo que não aconteça nada, continuaremos entre o tudo e o seu nada. Com a seriedade da abolição do feriado do Carnaval. O tal que nunca existiu, mas que simplesmente era tolerado, quando ainda se picava o ponto e se gozava a ponte.

 

Os homens de acção, quando destituídos de fé, jamais acreditaram noutra coisa que não fosse o dinamismo da acção. A frase é de Albert Camus. Pode aplicar-se à cultura organizacional do situacionismo jota e jeans.

 

A pior coisa da esquerda dominante de outrora foi gerar esta direita que lhe convinha. E entre pilares desta ponte do tédio, lá continuamos imbecilizados. Os canhotos e endireitas lá continuam em hemiplegia moral, não se apercebendo que são meros fantoches dos bonzos de sempre.

 

É por isso que recordo uma mulher, 60 anos de trono, 16 países. Uma rainha. Um contrato de gerações, para além dos Estados. Um problema para quem não compreende a tradição. Nem a macropolítica. Não cabe numa folha Excel. Nem num regulamento de manga de alpaca feito notável da treta.


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